quarta-feira, junho 15, 2011

DISTRIBUIÇÃO DE CABINES – PARTE II


DECK D
49 cabines para os passageiros da Primeira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 117 passageiros.
- 11 cabines com 01 leito,
- 08 cabines com 02 leitos,
- 30 cabines com 03 leitos.


39 cabines para os passageiros da Segunda Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 118 passageiros.
-
19 cabines com 02 leitos,
- 20 cabines com 04 leitos.

11 cabines para os passageiros da Terceira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 50 passageiros.
-
04 cabines com 02 leitos,
- 07 cabines com 06 leitos.


DECK E
39 cabines para os passageiros da Primeira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 97 passageiros.
-
09 cabines com 01 leito,
- 02 cabines com 02 leitos,
- 28 cabines com 03 leitos.


64 cabines para os passageiros da Segunda Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 226 passageiros.
-
15 cabines com 02 leitos,
- 49 cabines com 04 leitos.

74 cabines para os passageiros da Terceira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 260 passageiros.
- 26 cabines com 02 leitos,
- 40 cabines com 04 leitos,
- 08 cabines com 06 leitos.



Fonte: "Olympic & Titanic - Ocean Liners of the Past".

quarta-feira, junho 08, 2011

DISTRIBUIÇÃO DE CABINES – PARTE I


DECK A
34 cabines para os passageiros da Primeira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 42 passageiros.
- 30 cabines com 01 leito
- 04 cabines com 03 leitos.


DECK B
75 cabines para os passageiros da Primeira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 123 passageiros.
- 31 cabines com 01 leito,
- 34 cabines com 02 leitos,
- 08 cabines com 03 leitos.



DECK C
136 cabines para os passageiros da Primeira Classe.
A ocupação dessas cabines somaria o total de 310 passageiros.
- 15 cabines com 01 leito,
- 62 cabines com 02 leitos,
- 57 cabines com 03 leitos.




Fonte: "Olympic & Titanic - Ocean Liners of the Past"

quarta-feira, junho 01, 2011

DESCENDENTES MARCAM 100 ANOS DO LANÇAMENTO DO TITANIC


Descendentes de algumas das mais de 1.500 pessoas que morreram quando o Titanic se chocou com um iceberg e afundou fizeram um minuto de silêncio, ontem, terça-feira, dia 31 de maio, no local onde o transatlântico foi lançado com grande festa um século atrás.

Um sinal luminoso foi lançado precisamente às 11h13 GMT (8h13 de Brasília), e a multidão aplaudiu para lembrar o aniversário do lançamento fatídico, em 31 de maio de 1911, do transatlântico que era na época o maior navio a vapor de passageiros já construído.

Depois de seu lançamento em Belfast, o Titanic zarpou para Southampton, em 1912, de onde iniciou sua fatídica viagem inicial para Nova York.

Durante anos Belfast evitou reconhecer sua ligação com o transatlântico, construído por operários do estaleiro Harland e Wolff, mas recentemente a cidade decidiu reconhecer ser o lugar de nascimento do navio mais famoso do mundo.

"O Titanic não tem sido mencionado com freqüência nos últimos 100 anos. Ele tem sido nossa vergonha, nosso segredo", disse o padre Chris Bennett, que liderou a cerimônia memorial. "Mas hoje estamos procurando redescobrir nosso orgulho. Como gostam de dizer as pessoas daqui: o Titanic estava muito bem quando nos deixou".

Mais de 7 bilhões de libras (+/- 11,5 bilhões de dólares) foram investidos na construção de escritórios, hotéis e parques de ciências em partes do local ocupado pelo antigo estaleiro, hoje conhecido como Bairro Titanic, e em 2012 será aberto um centro de visitantes interativo, ao custo de 97 milhões de libras, baseado na história do navio.

As autoridades turísticas esperam que o interesse mundial pelo Titanic atraia milhares de visitantes para a cidade, gerando milhões de libras para a economia.

Foi inaugurada na terça-feira (31/05/2011) uma enorme exposição sobre o Titanic nas margens do Lago Belfast. Estão expostos mais de 500 artefatos que vão desde uma planta original de cinco metros de comprimento do navio até 35 objetos recuperados dos destroços e que estão sendo exibidos na Irlanda do Norte pela primeira vez.

domingo, maio 29, 2011

CAIXA DE CHARUTO VENDIDA EM LEILÃO


Uma caixa de charuto pertencente ao Capitão Edward J. Smith foi leiloada em Liverpool por £25.000, cerca de +/- US$ 40.500. A caixa encontrava-se em poder da Sra. Hilary Mee, da cidade de Merseyside, um condado localizado no Noroeste da Inglaterra.


O leiloeiro John Crane foi o responsável pela descoberta e foi uma surpresa para a Sra. Hilary Mee ao descobrir que o objeto estava ligado ao malfadado navio Titanic. Inicialmente o leiloeiro não prestou atenção nas siglas E.J.S. Após um breve momento e com um formigamento que percorreu toda a sua espinha, ao descobrir que a caixa poderia ta ligada ao Capitão do RMS Titanic.

A caixa de charuto traz o emblema distinto da Estrela Branca, companhia de navegação White Star Line, e tem as iniciais do Capitão Edward John Smith. Especialistas confirmaram a autenticidade da caixa, que pesa cerca de três quilos, a estrela é de marfim branco e as letras de latão. A caixa feita de madeira de nogueira e forrado com madeira campista, foi projetada para manter 40 dos melhores charutos Havana.

A Sra. Hilary Mee disse que a caixa de charuto tem sido da sua família há várias gerações, e que foi um presente de um parente da Sra. Sarah Eleanor Smith, viúva do Capitão Edward John Smith.

"Inicialmente a caixa pertencia à família de Doris Harrington, sobrinha-neta do Capitão Smith, depois foi repassada ao seu pai”, disse Hilary Mee.

O leilão ocorreu no dia 19 de maio de 2011, na Casa de Leilões “Cato Crane Auctioneers”, em Liverpool.


domingo, maio 22, 2011

HAVERIA CULPADOS NO NAUFRÁGIO DO TITANIC?


O surpreso naufrágio do Titanic foi uma polêmica que se estende até hoje. Inúmeras perguntas, exemplificações de naufrágio, teorias, relatos. Mas será que este naufrágio foi tão simples assim? O que fez o Capitão Smith se esquecer de medir a temperatura da água, e não checar se os binóculos estavam a bordo? Por qual motivo ignorariam os relatórios de presença de Icebergs na região? Não creio que Ismay apostasse suas melhores cartas numa máquina feita pelo homem ainda desafiando a natureza, ele não poderia ser tão ingênuo assim, afinal, problemas acontecem, principalmente numa viagem inaugural.

FATOS:
- O Titanic era equipado com 20 botes salva-vidas, 16 botes fixos e quatro desmontáveis. A quantidade era suficiente apenas para pouco mais da metade das pessoas a bordo (cerca de 1 300). O que fez com que a Lei que regiam a construção de transatlânticos permitisse a conclusão de um navio com botes apenas para a metade dos passageiros? (metade superior, complementando).
- O “insubmersível” apelido, foi dado ao Titanic devido aos quatro compartimentos frontais que resistiriam se estivessem cheios d’água, no caso de colisão frontal. As portas estanques eram automáticas, e na presença de água, elas eram fechadas. O Titanic flutuaria com os quatro compartimentos cheios, mas acontece que não deixaram colidir de frente, ao invés disso tentaram reverter a estibordo, causando danos de noventa metros no casco abrindo o quinto compartimento. Se fosse colisão frontal, poucos sairiam mortos. O fato é que seria um ato (ousadamente) heróico, por parte de Willian Murdoch, que tentou salvar o navio todo (ou passava pela cabeça ainda a idéia de chegar à Nova Iorque independente do que se faça?).

CONTROVÉRSIA:
- Ninguém havia dito que nem Deus afundaria o navio. O que aconteceu é que, os engenheiros da embarcação ao apresentar as comportas à prova d’água, disseram que tal tecnologia o tornaria PRATICAMENTE insubmersível. As falas e boatos desafiando a lei divina vieram originados do povo (se é que veio), que após saber da notícia, circulariam pelas ruas que nem Deus o afundaria, e não que o pessoal da White Star Line/Harland and Wolff tivera dito isso de fato.
- Alguns dizem que o SS. Californian, viu o Titanic e não prestou socorro. Outros dizem que os tripulantes do navio estavam dormindo, outros dizem que ele estava ancorado, devido à presença de icebergs, e só retomaria rumo no dia seguinte. De todos os pedidos enviados, o único que recebeu foi o Carpathia, quatro horas de distância do Titanic. Não havia outros navios na área? Qual a real distância que os falados telégrafos Marconi era capaz de transmitir ondas? Não há indícios de possíveis problemas de interferência ou falhas de comunicação?
- Abril é o pior mês do ano. Seria azar mesmo, a viagem inaugural logo neste mês. Ou proposital, afinal, era praticamente insubmersível. Que iceberg iria afundá-lo?
- A colocação de passageiros nos botes foi maneirada por, 1º os tripulantes não sabiam manejar os botes, principalmente com a inclinação do navio, 2º acreditavam que o bote poderia rachar com muitas pessoas, por isso alguns saíram com pouco mais de dez passageiros. O resultado foi um tumulto jamais visto, pessoas no desespero fizeram coisas que jamais fariam (alguns homens se arriscaram a se vestir de mulher, para entrar nos botes).

VAMOS CULPAR QUEM?
A manhã do dia 15 de abril de 1912 foi bastante confusa. A maioria dos sobreviventes no Carpathia não sabia seus destinos dali em diante. Eles viram ao vivo e a cores o naufrágio do navio (uns assistiram, aqueles que aguardavam nos botes e outros viveram quem ficou na popa até descer). O prédio da White Star Line estava repleto de jornalistas e todos, muitos “bravos” com Ismay. Algumas imediatas notícias saíram dizendo que o Titanic fora salvo. A realidade bateu na porta quando os sobreviventes chegaram à Nova Iorque, e disseram o que passara na naquela noite. Particularmente, eu diria que o naufrágio do Titanic foi conseqüência de uma grande ambição, que foi projetada rápida demais. A vontade de chegar à Nova Iorque um dia anterior foi consentida, mas com 1,500 vítimas e 700 traumatizadas. Um exemplar engenheiro chefe, morrer enclausurado dentro do navio, um capitão à beira da aposentadoria, e inúmeras vidas que só elas para dizer o que foi de fato, o naufrágio do Titanic.

Livros Fontes:
A Maldição do Titanic,
A Night to Remember,
Titanic Survivor - Violet Jessop


Créditos da pesquisa: Mário Silva

domingo, maio 15, 2011

A MISSÃO SECRETA – PARTE III


Ballard chegou ao Scorpion em julho de 1985 e encontrou uma cena similar à do Thresher: o submarino estava horrorosamente esmagado e os restos dispersos em uma longa faixa, como se fosse à cauda de um cometa. Nesse caso, o Scorpion estava partido em dois pedaços. Entretanto, não foram encontradas evidências de um ataque de torpedo. Novamente, parece que o Scorpion sofreu uma implosão ao descer abaixo de seu limite de profundidade; ou seja, arrebentou por não ser capaz de agüentar a tremenda pressão da água. Ninguém sabe como se chegou a essa situação. Thunman crê que isso talvez esteja relacionado com as tensões da guerra fria e o com grande nível de estresse de que sofria a tripulação e seu navio, mas não com uma causa externa.

Era um jogo arriscado que realizavam os submarinos da Otan e da URSS lá embaixo. Comandei um submarino na época, um gêmeo do Scorpion, o USS Snook. Era a Guerra Fria embaixo dos oceanos. “Tempos perigosos. Os russos praticavam a manobra Ivan Louco, como no cinema e nos livros de Tom Clancy. Era muito arriscado porque, de repente, com essa manobra, eles ficavam em cima de nós e havia alto risco de colisão. Sou amigo de Clancy e já conversamos sobre isso.”

Ballard localizou o reator do Scorpion, que, segundo ele, também não representa perigo, e assegura que os torpedos nucleares estão em um lugar seguro no interior do navio. E os tripulantes? Nos restos do K-129, foi fotografado o esqueleto de um marinheiro soviético com colete salva-vidas e casaco impermeável. Thunman demorou para responder. “Nós, submarinistas, somos como uma fraternidade, uma confraria subaquática: não gostamos de falar disso, as famílias ainda estão vivas e isso é muito doloroso para elas”.

O antigo oficial se surpreende quando quem assina essas linhas menciona o susto da claustrofobia, com uma voz angustiada. “Não, não sofremos disso, há todo um treinamento para vencê-la. Eu nunca vi nenhum claustrofóbico em um submarino.” O velho marinheiro parece sussurrar do outro lado da linha. Nessa madrugada de navios naufragados e tripulações afogadas, não me diga que sente nostalgia, vice-almirante. “É claro! Foi uma época grandiosa, os melhores dias da minha vida.” Thunman despede-se recordando que já teve sua base em Rota (Espanha) e dá uma mostra desconcertante de seu conhecimento de espanhol.

O mais surpreendente da história do Titanic, do Thresher e do Scorpion é que Ballard nunca teria encontrado o transatlântico, segundo ele mesmo diz, se não fosse pelas operações prévias nos dois submarinos nucleares. Depois de cumprir sua parte no pacto, ele tinha apenas duas semanas para dedicar-se à sua obsessão. Era uma missão quase impossível, dado tamanho da área a explorar. Mas Ballard teve uma revelação: “e se o Titanic tivesse se esmigalhado em partes como aconteceu com os dois submarinos e seus restos também tivessem sido espalhados pela correnteza em uma faixa extensa?”

Então ele começou a procurar não pelo barco, mas sim pelo seu rastro, o que permitiu abarcar áreas muito maiores de busca do que a do simples casco, percorrendo linhas separadas entre si por 1,5 quilômetro, e acabou o encontrando em Primeiro de Setembro de 1985.

Fonte: National Geographic

domingo, maio 08, 2011

A MISSÃO SECRETA – PARTE II


Ballard estava consciente de que fazer um pacto com os militares tinha seus riscos. O primeiro temor era de que eles não me financiassem; o segundo foi: Meu Deus, eles me financiaram! - Em todo caso, o meio militar não era estranho a Ballard, que havia servido durante anos na marinha e se orgulha muito disso.

O Thresher - nome inglês para uma espécie de tubarão com uma longa nadadeira caudal e o Scorpion são os dois únicos submarinos nucleares perdidos pelos EUA e foram desenhados para caçar submarinos soviéticos. O primeiro, um peixe metálico de 85 metros lançado ao mar em 1960, afundou em 10 de abril de 1963 - com toda sua tripulação: 16 oficiais e 96 homens. O Scorpion de 76,8 metros, lançado ao mar em 1959, com oito oficiais e 75 homens, afundou em 22 de maio de 1968 a 740 quilômetros a sudoeste das ilhas Açores.

O Thresher (numeração SSN-593) afundou enquanto realizava manobras com o barco de resgate submarino USS Skylark, que não conseguiu salvar ninguém, mas pelo menos testemunhou a catástrofe. Segundo as evidências, enquanto o submarino descia em busca de sua profundidade limite, a tubulação de água salgada arrebentou e provocou uma inundação e um curto-circuito do sistema elétrico, o que causou um apagão automático do reator nuclear. Sem propulsão, incapaz de conseguir potência suficiente para ascender, com a escuridão tomando conta de tudo - em meio ao terror inimaginável da escuridão e da profundidade -, o Thresher desceu até o fundo. Em algum momento entre os 400 e os 600 metros, profundidade sob a qual sua estrutura não era mais capaz de resistir, o submarino foi esmagado pela pressão. Desde o navio Skylark pôde-se ouvir o som espantoso dos compartimentos do submarino cedendo, espremidos como uma lata de refrigerante.

“Durante algum tempo, eles souberam que iriam morrer”, disse Thunman por telefone. “Mas a morte em si provavelmente não demorou mais do que um ou dois segundos.” O velho submarinista ficou em silêncio do outro lado da linha pelo mesmo tempo. Que pareceu bem mais longo.

Em julho de 1984, Ballard submergiu seu robô Argos até o submarino, a dois quilômetros e meio de profundidade no fundo do mar. O que encontrou foi, como disse o programa do canal National Geographic sobre a operação, “uma destruição total, como se alguém tivesse pegado um brinquedo e o jogado em uma máquina trituradora.” Os restos estavam espalhados por uma extensão de dois quilômetros, conforme caíram após a implosão. Ballard encontrou o reator e constatou que não havia vazamento radioativo.

A exploração seguinte, do Scorpion (SSN-589), a 3.350 metros de profundidade, foi mais excitante, porque o submarino desapareceu sem testemunhas, levava armamento nuclear e estava envolvido em operações muito agressivas. Especulava-se que ele havia sido atacado por um torpedo soviético, em represália pelo abatimento do submarino russo K-129, que afundou depois e uma suposta colisão com o USS Swordfish. A marinha dos EUA localizou o submarino russo e a CIA enviou clandestinamente, em 1974, um barco de exploração ao K-129, o Glomar Explorer, para tentar recuperá-lo; investigou os restos da embarcação e até mesmo extraiu uma parte do casco com seis marinheiros russos, que foram sepultados num cerimonial no mar.

( continua... )

domingo, maio 01, 2011

A MISSÃO SECRETA – PARTE I


Dois objetivos estavam em jogo. O de Robert Ballard era encontrar o “Titanic” e o do vice-almirante Nils R. Thunman era investigar dois submarinos nucleares afundados com suas tripulações em plena guerra fria. Os dois homens fizeram um pacto em 1982. A dupla missão teve sucesso. Documentos confidenciais revelados recentemente pela marinha dos EUA mostram os resultados da missão secreta.

“Morrer em um submarino pode ser cruel, como no caso do Kursk, mas às vezes o mar é misericordioso: as tripulações dos nossos submarinos nucleares de ataque USS Scorpion e USS Thresher tiveram um fim rápido.” Quem fala, grave e pausadamente, do outro lado da linha, é o vice-almirante norte-americano aposentado Nils R. Thunman, ex-chefe de Operações Navais de Guerra Submarina do Pentágono. Ouvi-lo falando, já tarde da noite - por causa da diferença de fuso horário - de submarinos perdidos, de catástrofes e da experiência de viver a bordo desses sarcófagos subaquáticos é assustador. Thunman, com uma carreira de 35 anos em submarinos - serviu em quatro deles e comandou uma frota no Pacífico - é um homem que tem muitas coisas para contar. Mas sua história de mar favorita, conforme explicou em uma longa conversa com o El País, começa no dia em que o explorador submarino Robert Ballard entrou em seu escritório pedindo ajuda para encontrar o Titanic.

“Pensei que aquele jovem entusiasta não tinha nenhuma chance, que era uma idéia louca”, lembra-se Thunman, “mas disse a ele que podíamos nos ajudar mutuamente.” Assim começou uma das missões secretas mais alucinantes que se pode imaginar, digna de um filme de aventura de espionagem: um pacto fáustico entre Ballard e as forças navais norte-americanas. Pelo acordo, o explorador receberia apoio e financiamento para sua busca em troca de investigar, usando a missão do Titanic como fachada, as tumbas no fundo do Atlântico representadas pelos submarinos nucleares Scorpion e Thresher, máquinas predatórias avançadas e silenciosas perdidas nos anos 60, em plena guerra fria.

“Queríamos saber exatamente por que eles haviam afundado, e estávamos preocupados com o estado de seus reatores, se havia algum vazamento”, lembra-se o vice-almirante. “Também nos interessava saber ser alguém, especialmente os soviéticos, havia visitado os submarinos.” A preocupação era natural. O Scorpion afundou com dois torpedos com ogivas nucleares, uma pilhagem tentadora para os russos.

O acordo, que pareceu mais uma mistura extravagante entre os filmes “Titanic” e “Caçada ao Outubro Vermelho”, foi firmado em 1982. Ballard foi para o mar e usou sua avançada tecnologia - paga em boa parte pela marinha - para estudar ambos os submarinos, descobrindo dados valiosíssimos para o Pentágono. Só depois, em 1985, cumprida sua parte do trato, seguiu adiante e localizou o Titanic. Quando Ballard me ligou do alto mar, numa ligação muito ruim, e disse: “O encontramos”, eu respondi: “O quê?”, lembra-se o vice-almirante. “O Titanic..., não pude acreditar.”

O último mistério relacionado ao Titanic, a história de que o seu achado está ligado a um capítulo secreto da Guerra Fria e que o resplandecente transatlântico juntou-se no fundo do oceano com os letais tubarões nucleares, revelou-se agora com a divulgação das informações confidenciais sobre a operação.

“A marinha estava bastante interessada na tecnologia que havíamos desenvolvido”, explicou Ballard recentemente à CNN. “Queriam saber por que haviam perdido os dois submarinos. Seus dados sobre o assunto eram limitados. Não foi de fato uma busca, porque eles já sabiam o lugar onde estavam os submarinos. Fizemos o que nos pediram, compartilhamos nossa tecnologia, levamos nossas câmeras até os submergíveis, realizamos um reconhecimento minucioso e então tivemos tempo para encontrar o Titanic.”

( continua... )

domingo, abril 24, 2011

FELIZ PÁSCOA TITÂNICOS


Páscoa é tempo de Amor,
de família e de Paz.
É tempo de agradecermos
discretamente
por tudo que temos
e por tudo que teremos.
Páscoa é um sentimento
nos nossos corações
de esperança e fé e confiança.
É dia de milagres;
é dia dos nossos sonhos parecerem
estar mais perto,
tempo de retrospecção
por tudo que tem sido
e uma antecipação de tudo que será.
E é hora de lembrar
com amor e apreciação
as pessoas em nossas vidas
que fazem diferença...
Pessoas como você!!!


Anna Marie Edwards

quarta-feira, abril 20, 2011

EVENTOS APÓS O NAUFRÁGIO...


1913
Em abril é criada nos Estados Unidos a Patrulha Internacional do Gelo, para atuar no Atlântico Norte sob a supervisão da Guarda Costeira. Em junho, Ismay, que desde o ano anterior vem sendo alvo de execração pública, perde suas posições de mando na White Star Line e na International Mercantile Marine e reduz sua vida social. Na International Mercantile Marine, cede seu lugar a Harold Sanderson, o mesmo executivo que o substituiu em 2 de abril de 1912, quando o Titanic partiu de Belfast para Southampton. A polonesa Leah Aks dá à luz uma menina e, desejando homenagear o Capitão Rostron, chama-a Sarah Carpathia Aks. As freiras do hospital, ao preencher o registro de nascimento, enganam-se, registrando a menina como Sarah Titanic Aks.

1914
Em fevereiro, a White Star Line lança o Gigantic, mas, para evitar alusões ao tamanho do navio e ao destino do Titanic, rebatiza-o: é o Britannic, que também terá vida breve. Um incêndio no Estúdio Eclair, nos Estados Unidos, destrói o filme Saved from Titanic, de 1912.

1915
Lançado na Itália o filme Titanic, em preto-e-branco, silencioso, com direção de Pier Angelo Mazzolotti. A 7 de maio, o Lusitania, da Cunard, é afundado por um submarino alemão no litoral da Irlanda. A 1º de setembro, o Olympic é requisitado pelo Almirantado Britânico para o transporte de tropas. No dia 24, deixará Belfast para exercer a nova atividade, sob o comando do Capitão Bertram Hays, e passará a ser chamado HMT Olympic (His Majesty's Transport).

1916
O Britannic, a serviço da marinha inglesa, afunda no mar Egeu ao bater numa mina alemã. Morre 28 pessoas, (alguns relatos dizem 30 pessoas), a maioria nos botes salva-vidas, sugados pelas hélices. Entre os sobreviventes, a agora enfermeira Violet Jessop, que, além de salvar-se no naufrágio do Titanic, também estava a bordo do Olympic, quando este colidiu com o cruzador Hawke.

1918
Em maio, o Olympic, dotado de canhões, é atacado por um submarino alemão. O torpedo falha. O Olympic responde e põe a pique a belonave inimiga. Alguns dos tripulantes do submarino sobrevivem e são recolhidos pelo contratorpedeiro norte-americano US Davis. Em novembro, com a rendição da Alemanha, o navio é devolvido à White Star Line, que modifica sua motorização para o emprego de óleo combustível.

1924
O Olympic, sob o comando do Capitão J. Howarth colide com um navio menor, o Fort St. George, no cais 59 do porto de Nova York.

1929
Em novembro, a quebradeira bancária nos Estados Unidos é relacionada com o afundamento do Titanic. Lançado na Inglaterra o filme Atlantic, em preto-e-branco, com direção de Ewald André Dupont e duração de 90 minutos. Reconstitui a tragédia com personagens de ficção. O Capitão Rostron publica o livro Home from the Sea.

1932
Lady Duff Gordon publica suas memórias, Discretions and Indiscretions, em que evoca sua experiência no Titanic. Morre em Nova York, aos 65 anos, Margaret Brown.

1934
O Olympic colide com o navio-farol Nantucket. A Cunard se associa à White Star Line. A nova companhia passa a chamar-se Cunard White Star. Pouco depois a absorve. Violet Jessop publica a memória Titanic Survivor.

1935
A 12 de abril, o RMS Olympic, o “Velho Confiável” retoma a Southampton, após sua última viagem a Nova York. Fez 500 travessias do Atlântico. A 13 de outubro, ruma para o estaleiro, em Belfast, onde suas peças mais valiosas são vendidas para residências, hotéis e museus.

1937
Após viver muitos anos em reclusão, morre Ismay, aos 74 anos. A 19 de setembro, aquilo que resta do RMS Olympic começa a ser desmontado e vendido como ferro-velho.

1941
Durante um ataque aéreo alemão a Belfast, uma bomba atinge o estaleiro Harland & Wolff, destruindo as plantas originais do Titanic.

1943
Lançado na Alemanha, em preto-e-branco, o filme Titanic, com direção de Werner Klingler e Herbert Selpin e duração de 85 minutos. A maior parte da película foi rodada a bordo do transatlântico Cap Arcona, ancorado no porto de Gdingen, no mar Báltico. Goebbels proíbe a exibição e ordena o recolhimento do negativo e suas cópias, redescobertas somente após o fim da guerra.

1945
A 30 de janeiro, torpedeado por um submarino soviético S-13, naufraga o navio alemão Wilhelm Gustiloff, com um passivo incerto entre 5.000 e 9.000 mortos. É a maior tragédia marítima da história.

1955
Walter Lord publica o clássico A Night to Remember.

1958
O Quarto Oficial Boxhall atua como conselheiro no filme de Roy Baker, A Night to Remember (Somente Deus por testemunha, já lançado em DVD no Brasil).

1980
Em julho e agosto, a bordo do H.J.W.Fay, expedição do milionário norte-americano Jack Grimm, com cientistas do Scripps lnstitute of Oceanography e do Lamont-Doherty Geological Observatory, tenta localizar, sem êxito, os restos do Titanic.

1981
Em junho, a bordo do Gyre, novo fracasso de Jack Grimm.

1983
Em julho, frustra-se a terceira e última expedição de Jack Grimm.

1985
De 9 de julho a 7 de agosto, a bordo do Le Surôit, a expe­dição franco-norte-americana liderada pelo Dr. Robert Ballard (Woods Hole Oceanographic Institution) e Jean-Louis Michel (Institute Français de Recherches pour l'Exploitation des Mers - IFREMER) procura o ponto do naufrágio, delimitando uma área de 260km². As operações são suspensas devido ao mau tempo. Os mesmos investigadores retomam ao Atlântico Norte, em expedição que começa a 22 de agosto e termina a 4 de setembro. Operando um sonar e o submergível não tripulado Argo, dirigido por controle remoto e dotado de câmara de vídeo que transmite as imagens por um cabo de fibra ótica, Ballard explora 80% da área anteriormente delimitada e, à uma hora da madrugada de 1º de setembro, descobre os restos do Titanic a quase quatro kilômetros de profundidade, 560km a sudeste de Terra Nova e a 1.600km de Nova York. A primeira visão de Ballard é uma das caldeiras. Os detritos se espalham em área de 2,6km². A pressão, nessa profundidade, é de 400kg por cm².


1986
A 13 de julho, no Atlantis II, o Dr. Ballard retoma ao mar e, com o pequeno submarino Alvin, procede ao primeiro mergulho tripulado às ruínas do Titanic. O submarino abriga três tripulantes, que operam por controle remoto o minúsculo robô Jason Junior. Preso a um cabo de 76m, o robô dispõe de holofotes, máquina fotográfica e câmara de vídeo, e explora o interior do navio, tanto a seção da proa como a da popa. A expedição encerra-se a 24 de julho, após 11 mergulhos. O congresso norte-americano aprova a Lei Memorial do Titanic, visando a preservação de seus restos.

1987
A 22 de julho, cientistas do IFREMER, patrocinados por empresas norte-americanas e a bordo do Nadir, mergulham no submergível Nautile, que opera o robô Robin. Em sete semanas, realizam 32 mergulhos e recolhem 1.800 objetos do Titanic. Empresários interessados na preservação dos restos do navio fundam a RMS Titanic Inc., que em cooperação com o IFREMER procede a uma nova expedição ao Titanic. Entre 1987 e 1996, 5.000 objetos serão resgatados e preservados. A 20 de dezembro, o navio de passageiros Dona Paz colide com um petroleiro nas Filipinas, vitimando 4.300 pessoas. É a maior tragédia marítima da história da navegação comercial.

1991
A IMAX Corporation, de Nova York, associada ao Instituto Oceanográfico P. P. Shirsov, de Moscou, filma o Titanic, realizando estudos biológicos e recolhendo amostras da metalurgia do casco. A expedição observa a ação predadora dos exploradores submarinos em busca de troféus, que modificaram o cenário do naufrágio. Realiza-se em Paris uma exposição dos objetos recolhidos do navio.

1994
Realiza-se em Londres, no National Maritime Museum, uma grande exposição, com objetos retirados do navio entre os anos 1987 e 1993 e a presença de passageiros do Titanic, entre eles Edith Eileen Brown, que em 1912 tinha 15 anos, e Eva Hart, que tinha sete, sobreviventes no Standard 14.

1996
IFREMER & RMS Titanic Inc. procedem a uma expedição fotográfica ao exterior e ao interior do navio. Tentam resgatar, sem êxito, uma parte do casco pesando 11 toneladas.

1997
Elizabeth Millvina Dean, a mais jovem sobrevivente do Titanic (Standard 10), retoma ao local do naufrágio como passageira do Queen Elizabeth II. Lançado nos Estados Unidos, o filme Titanic, com direção de James Cameron e duração de 194 minutos. O filme é o primeiro a passar a barreira de 1.8 bilhões de dólares em faturamento mundial.

1998
Localizada na Alemanha, em poder de um colecionador, cópia do filme In nacht und eis, de 1912. Originalmente com 30 minutos, na versão restaurada passou há ter 35 minutos. IFREMER & RMS Titanic Inc., em nova expedição liderada por George Tulloch, recolhem 20 toneladas de peças do casco do Titanic, que são carregadas no navio Abeille.

2001
Em meio a grande controvérsia pública, os norte-americanos David Leiboweitz e Kimberley Miller casam-se no fundo do mar, a bordo de um submarino, na vizinhança da sepultura do Titanic.

2002
Morre em Nova York, aos 84 anos, o escritor Walter Lord, autor do clássico A night to remember. O bebê desconhecido adotado pela tripulação do Mackay-Bennett é identificado pela tecnologia DNA. Ele se chamava Eino Viljam Panula, nascido a 10 de março de 1911, na Finlândia, e viajava na Terceira Classe do navio, com a mãe, Maria Panula, e dois irmãos pequenos, para encontrar o pai nos Estados Unidos. Todos pereceram no naufrágio.


2004
O Dr. Ballard retoma ao Titanic, 19 anos após sua descoberta, para chamar a atenção sobre os prejuízos sofridos pelos restos do navio com as visitas de exploradores pouco criteriosos.

2006
Morre em Massachusetts, aos 99 anos, a sobrevivente americana do Titanic, Lillian Gertrud Asplund. Restam apenas duas sobreviventes do naufrágio do Titanic, e ambas vivem na Inglaterra: Barbara Joyce West, de 95 anos e Elizabeth Gladys "Millvina" Dean, de 94 anos.

2007
Morre aos 96 anos, em uma casa de repouso em Camborne, Inglaterra, Barbara West Dainton, uma das duas últimas sobreviventes do naufrágio do Titanic. Barbara Dainton morreu em 16 de outubro, mas sua morte somente foi divulgada dia 8 de novembro. Elizabeth Gladys "Millvina", de Southampton, Inglaterra, que tinha 2 meses de idade no dia do naufrágio, é agora a única sobrevivente restante do desastre, de acordo com a Sociedade Histórica de Titanic.

2009
Morre aos 97 anos, em um asilo de Hampshire, no sudeste da Inglaterra, a última sobrevivente do naufrágio do Titanic, Millvina Dean. Em 1912, a família de Millvina Dean, que era um bebê de dois meses na época, emigrava para os Estados Unidos e seguia a bordo do navio. Millvina Dean morreu no dia 31 de maio, e suas cinzas foram jogadas ao mar no porto de Southampton, Inglaterra, no dia 24 de outubro.

2010
Uma bactéria até então desconhecida foi encontrada nos destroços do navio Titanic. Os destroços estão sendo devorados pelas bactérias e já não pode ser mais salvos. Os cientistas dizem que as bactérias corroem a ferrugem e o ferro tão rápido que o grande navio de 50.000 toneladas, poderá decompor-se completamente dentro de 15 a 20 anos.

sábado, abril 16, 2011

APÓS O NAUFRÁGIO...


16/04/1912
Nova comunicação da White Star Line ao Board of Trade, em Londres: pesarosa, a empresa admite a gravidade do acidente e o salvamento de menos de um terço das 2.227 pessoas que se encontravam a bordo.

17/04/1912
Na data prevista para a chegada do Titanic a Nova York, a White Star Line, freta o Mackay-Bennett, da Commercial Cable Co., para procurar corpos na zona do naufrágio.

18/04/1912
Navios da marinha norte-americana, enviadas pelo Presidente Taft, oferecem assistência ao Carpathia, que não responde. O telegrafista Bride recebe três mensagem, da Estação Marconi de Sea Gate, em Long Island, pedido para manter a boca fechada sobre o que aconteceu. A troca de sua história por dólares de quatro dígitos. As 20h30min, na sala de jantar do Carpathia, o menino Frank Goldsmith vê uma luz pela janela e acha que um navio quase se chocou com o Carpathia. Na verdade eram as luzes do porto de Nova York. Mais de 10.000 pessoas e dezenas de jornalistas esperam o Carpathia no porto, e quase 30.000 populares se distribuem pela margem do Rio Hudson. O navio ultrapassa o cais 54 da Cunard, e sobe o rio até o cais da White Star Line, onde vai arriar os botes que traz pendentes do costado. Os jornalistas, ansiosos por informações, fretam barcos para chegar perto do navio e fazem perguntas aos náufragos através de megafones. O Carpathia retorna ao cais da Cunard às 21h30min, para o desembarque dos 705 sobreviventes. Os imigrantes também vão desembarcar ali e não na ilha de Ellis, uma das raras ocasiões em que essa exigência do Serviço de Imigração será dispensada. Começa o tumultuado desembarque. O corretor William Sloper é assediado por jornalistas, como todos os náufragos, e recusa-se a dar entrevistas, reservando seu depoimento para o New Britain Herald, cujo editor é seu amigo. Bride, por sua vez, vai vender sua história ao New York Times por 1.000 dólares. Cottam receberá do mesmo jornal 750 dólares pelo relato de sua participação. Na confusão do cais, o cão de Elizabeth Rothschild morre sob as rodas de uma carruagem. O salvamento do animal no Standard 6 haverá de repercutir na imprensa, pois o marido de Elizabeth não teve a mesma sorte.

19/04/1912
Aberto no senado norte-americano o “United States Senate Inquiry”, sob a presidência do Senador William Smith. Serão ouvidas 82 pessoas. Um repórter do New York Herald, desgostos o com William Sloper, publica que ele conseguiu salvar-se porque se vestiu de mulher. Não é verdade, mas o corretor passará o resto de seus dias a defender-se da vil calúnia. No cais da White Star Line, os funcionários trabalham afanosamente nos botes resgatados, lixando o nome Titanic.

20/04/1912
Em entrevista ao Providence Journal, nos Estados Unidos, Alfred Stead, irmão do jornalista William Stead, reclama das circunstâncias em que sobreviveu o diretor de operações da White Star Line, Bruce Ismay. O vapor Bremen passa pela zona do naufrágio e seus passageiros vêem corpos no mar.

21/04/1912
A White Star Line freta o Minia, da Anglo- American Telegraph Co., para o resgate dos corpos.

24/04/1912
Os fornalheiros do Olympic, que está de partida, entram em greve, reivindicando suficientes botes salva-vidas. Desertam 285 tripulantes e a viagem é cancelada. O navio permanecerá seis meses fora de serviço, para ser equipado com 68 botes. Também serão procedidas alterações estruturais: com seis compartimentos de colisão inundados, o navio poderá flutuar.

25/04/1912
Um membro do parlamento britânico, Josiah Wedgwood, interpela o Board of Trade. Ele quer saber por que morreram 65,38% das crianças da Terceira Classe.

30/04/1912
Os oportunistas não perdem tempo: em dia incerto, ainda em abril, é lançado na Alemanha o primeiro filme sobre o naufrágio, In nacht und eis (Na noite e no gelo), em preto-e-branco, silencioso, dirigido por Mime Misu, com duração de 30 minutos. Retorna o Mackay-Bennett. Encontraram 306 corpos, 190 recolhidos e 166 sepultados no mar, alguns identificados e outros sepultados sem identificação após minuciosa descrição do biótipo, indumentária e pertences. O quarto corpo resgatado é o de um bebê desconhecido, que comove a tripulação. Sobre o bebê, clique no link e veja a matéria já colocada no blog Titanic Momentos: DNA IDENTIFICA CRIANÇA QUE MORREU NO TITANIC


02/05/1912
Aberto em Londres, por ordem do Lorde-Chanceler, Conde de Loreburn, o “British Wreck Comissioner's Inquiry”, sob a presidência de Charles Bigham, Lorde Mersey, membro da Câmara dos Lordes. Serão ouvidas 96 pessoas, entre elas Charles Lightoller, Bruce Ismay, Stanley Lord (Capitão do Californian), Marconi, membros da tripulação, construtores do navio e inspetores do Board of Trade. Os únicos passageiros convidados a depor serão os menos aptos, Sir Cosmo e Lady Duff Gordon.

03/05/1912
Retoma o Minia: 17 corpos, 15 recolhidos e dois sepultados no mar.

04/05/1912
A tripulação do Mackay-Bennett acompanha o sepultamento do bebê desconhecido, que ela adotou, no Fairview Lawn Cemitery, em Halifax. No pequeno caixão, sobre o peito da criança, uma placa: "Our babe" (Nosso bebê). Os marujos se cotizam e erguem um monumento no túmulo.

06/05/1912
Parte o Montmagny, do governo canadense, para o resgate dos corpos. Achará quatro corpos: três recolhidos e um sepultado no mar.

14/05/1912
Um mês após o naufrágio, estréia nos Estados Unidos, em preto-e-branco, silencioso, o filme Saved from the Titanic, dirigido por Étienne Arnaud, com duração de dez minutos e protagonizado pela atriz Dorothy Gibson, sobrevivente no Standard 7, que representa seu próprio papel.

15/05/1912
A White Star Line freta o Algerine, de Bouring Brothers, para o resgate de corpos. Achará apenas um corpo. O total de corpos encontrados: 328.

25/05/1912
Encerrado o inquérito norte-americano. Mais isento do que o britânico, responsabiliza principalmente o Capitão Edward Smith, Bruce Ismay, Andrews Thomas e o Capitão do Californian Stanley Lord, mas é prejudicado pela insistência em temas colaterais, como a constituição e o regime dos icebergs, e pela ignorância dos senadores em assuntos náuticos, incapazes de compreender questões singelas como, por exemplo, a diferença entre a numeração regulamentar dos botes salva-vidas e a ordem de arriamento.

12/06/1912
Suspenso o resgate de corpos.

03/07/1912
Encerrado o inquérito britânico, cujo maior cuidado é inocentar a White Star Line, o Capitão Edward Smith e o Board of Trade. O Capitão Stanley Lord, do Californian, é considerado o maior culpado pela tragédia. Lorde Mersey não percebeu, ou não quis perceber, que a lastimável omissão do comandante do Californian atuou sobre um efeito produzido por outrem. A condição necessária do naufrágio é o iceberg, sem o qual não ocorreria, mas sua causa principal passa ao longe do infortunado capitão, que ao agravar aquele efeito se identifica como causa meramente acessória, à semelhança dos oficiais Henry Wilde, William Murdoch e Charles Lightoller, que podendo salvar até 1.178 pessoas nos botes, salvaram apenas 705. De resto, entre o Californian e o Titanic havia uma barreira de gelo. Os culpados têm outros nomes.

sexta-feira, abril 15, 2011

HÁ 99 ANOS NO DIA 15/04/1912


0h:00min
Ismay conversa com o engenheiro Bell. Os problemas são sérios, diz o técnico, mas as bombas de esgoto vão manter a flutuação. Boxhall desce outra vez. Na sala do correio, já com meio metro de água, os agentes ainda tentam salvar a correspondência.

0h:05min
Andrews retoma com informações desoladoras. Os quatro primeiros compartimentos de colisão estão inundados, forçando a proa para baixo. Em breve a água ultrapassará a quarta antepara, passando ao quinto compartimento, e assim sucessivamente. O navio não foi construído para enfrentar danos de tal magnitude e o naufrágio ocorrerá em uma hora e meia, talvez duas. O capitão manda que os botes sejam descobertos e os passageiros convocados às áreas superiores externas, todos com coletes salva-vidas.

0h:10min
No Californian, o Terceiro Oficial Charles Groves, tenta contatar pela lâmpada Morse com o navio imóvel e iluminado. Não obtêm resposta. O Capitão Lord pede ao Segundo Oficial Herbert Stone, que observe. Ele ainda acha que não é o Titanic, mas um cargueiro. A maioria das caldeiras foi fechada e nuvens de vapor manam das válvulas de segurança no corpo das chaminés, exaurindo a pressão resultante da parada dos motores. O barulho é tamanho que dificulta a comunicação entre as pessoas no convés dos barcos. As caldeiras distantes da proa continuam em funcionamento, sob o comando do engenheiro Bell, para que acionem as bombas de esgoto e alimentem os geradores, assegurando energia para a iluminação e o serviço telegráfico.

0h:15min
O mecânico Ernest Gill que espairece na coberta do Californian, observa as luzes do navio parado. Ele julga que é um vapor alemão de passageiros, em viagem para Nova York. Na Sala Marconi, perplexos, os telegrafistas acabam de ouvir o capitão ordenar pedido de socorro a todos os navios. Os dedos nervosos de Phillips acionam o manipulador. O primeiro a responder é o alemão Frankfurt, do Norddeutscher Lloyd: está na escuta e logo chamará de volta. O La Provence, da Compagnie Generale Transatlantique, e o Mount Temple, da Canadian Pacific, copiam a mensagem, também ouvida na estação Marconi de Cape Race. A bordo, os passageiros circulam como sonâmbulos, e tal atmosfera de irrealidade se adensa quando, por ordem do capitão, o conjunto de Wallace Hartley começa a tocar peças do ragtime na sala de estar da Primeira Classe, entre elas “Alexander’s Ragtime Band” e “Great Big Beautiful Doll”. Mais tarde, vai transferir-se para o convés dos barcos, tocando junto à porta de bombordo da grande escadaria da proa.

0h:17min
Nova mensagem do Titanic a todos os navios

0h:18min
O código de emergência é ouvido pelo Ypiranga, da Hamburg-Amerika Linie. O Frankfurt comunica que se encontra a 283km.


0h:20min
Andrews é um altruísta, não é em vão que, dos oficiais aos carvoeiros, todos os tripulantes o estimam, e sendo o construtor do navio, mais aguda se torna sua angústia. Andrews pede que Etches o acompanhe ao convés C e confira cabine por cabine, avisando que os coletes salva-vidas se encontram na prateleira superior do roupeiro. Etches desce e no caminho vê o comissário McElroy em sua sala, cercado de homens e mulheres. São passageiros da Primeira Classe em busca de jóias e valores em depósito.

0h:25min
No Carpathia, da Cunard, navegando de Nova York para Gibraltar e comandado pelo Capitão Arthur Rostron, o telegrafista Harold Cottam, ainda ignora o que aconteceu com o Titanic, e antes de desligar o aparelho e ir dormir, resolve alertá-lo que copiou mensagens de Cape Race. Nos minutos seguintes outros navios chamarão, mas, à exceção do Mount Temple, a 90km, estão distantes: o Birma, da Russian East Asiatic, 130km, o Virginian, da Allan Line, 315km, e o Baltic, da White Star Line, a 450km. O Titanic apresenta forte inclinação para frente e para bombordo, mas os passageiros, simplesmente, negam o que seus olhos vêem. Se nem Deus consegue afundar este navio, por que um magote de gelo sujo o conseguiria? O Capitão Smith ordena finalmente: todos, sem precipitação, preparem-se para abandonar o navio. Primeiramente, mulheres e crianças. O embarque de estibordo começa a ser coordenado por Murdoch, o de bombordo, por Lightoller.

0h:26min
Boxhall deixa sobre a mesa de Phillips um papel com a nova posição calculada do Titanic.

0h:30min
No convés C, os comissários McElroy e Barker ainda atendem ansiosos passageiros que exigem a devolução do que guardaram. Mais uma vez, o Californian tenta em vão contatar pela lâmpada Morse com o navio parado. No Mount Temple, de Antuérpia para Nova York, o Capitão Moore ordena que o navio, em sua velocidade máxima de 11,5 nós siga na direção do Titanic.

0h:34min
Phillips faz contato com o Olympic, comandado pelo Capitão Haddock, a 926km de distância. O Capitão Haddock desvia o curso, mas para chegar à zona do naufrágio precisa navegar 23 horas. O Carpathia está a 91km de distância. Sua velocidade de cruzeiro é de 14,5 nós. O Capitão Rostron manda imprimir pressão total às caldeiras. A calefação é desligada, para que todo o vapor produzido se destine aos motores, e o velho navio agora avança à velocidade jamais experimentada de 17,5 nós. Contudo, não espera alcançar o Titanic antes das quatro horas da manhã.

0h:40min
Murdoch e Lightoller organizam o embarque na penumbra, sob a supervisão de Wilde. Não é permitido que os homens se aproximem. Os emigrantes compreendem, finalmente, que precisam abandonar as cabines e os pertences: a água avança. Quando começam a subir, encontram as portas dos conveses superiores fechadas e vigiadas por tripulantes que só permitem a passagem das raras mulheres e crianças que se apresentam. Aos homens, é assegurado que está vindo uma embarcação para socorrê-los.

0h:45min
Murdoch, auxiliado por McElroy, Ismay e Pitman, arria de estibordo o Standard 7 com apenas 28 pessoas (16 homens e 12 mulheres = 03 tripulantes e 25 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do vigia Hogg. Phillips, por sugestão de Bride, emprega pela primeira vez o novo código SOS. As luzes do navio desconhecido ainda promovem esperanças, e os timoneiros Rowe e Bright, orientados por Boxhall, iniciam o lançamento dos foguetes de sinalização, oito ao todo, com intervalos de aproximadamente cinco minutos. Os foguetes sobem a mais de 24m e explodem em 12 estrelas brancas. No Californian, tripulantes observam foguetes, e o aprendiz de oficial James Gibson, informa o Capitão Lord. Vistos à distância, não se elevam a grande altura e não produzem nenhum som. O capitão conclui que são fogos festivos. Outro tripulante os confunde com estrelas cadentes.

0h:50min
Em seu alojamento, o Capitão Lord comunica-se pelo tubo com o Segundo Oficial Stone, na sala de navegação. Quer saber se o navio iluminado está mais perto. O outro informa que não e acrescenta que o mesmo está lançando foguetes, mas não responde à lâmpada e agora já se afasta. O capitão vai dormir.

0h:52min
O mecânico Gill, no Californian, viu os primeiros foguetes e desconfia de que o navio tem problemas. Como é apenas um trabalhador da casa de máquinas, não lhe corresponde fazer observações marítimas e menos ainda comunicá-las ao capitão, guarda para si a suspeita.


0h:53min
Lowe e Pitman tratam do embarque no Standard 5. A operação é demorada, os tripulantes não têm familiaridade com os turcos e Ismay atrapalha com ordens absurdas. Lowe perde a paciência e o interpela: - Quer que eu lance o barco mais depressa? Quer que afogue a todos? Se parar de me infernizar posso fazer o que precisa ser feito. O dono do navio não retruca e se afasta. Murdoch ordena que Pitman assuma o comando do Standard 5.

0h:55min
Lightoller arria de bombordo o Standard 6, com 27 pessoas (03 homens e 24 mulheres = 02 tripulantes, 24 passageiros da Primeira Classe e um da Terceira Classe), sob o comando do timoneiro Hichens. O bote desce e, sete metros abaixo, na altura do convés C, Hichens grita, reclamando que precisa de um navegador. O Major Peuchen adianta-se e revela a Lightoller sua condição de iatista. O oficial, aferrado ao propósito de embarcar apenas mulheres, crianças e remadores, resmunga que se Peuchen é de fato um homem do mar, deve agarrar um cabo e descer por ele. Os 52 anos do major não se intimidam. Ele se pendura e desliza até o bote. É o seu 28º ocupante. Murdoch e Lowe arriam de estibordo o Standard 5 com 39 pessoas (15 homens, 23 mulheres e uma criança = 03 tripulantes e 36 passageiros da Primeira Classe), sob o comando de Pitman.

1h:00min
Lightoller manda o marujo Samuel Hemming, trazer as lanternas de emergência, ainda guardadas. Tardia providência, três botes já foram lançados sem luz e outros ainda o serão, antes que as lanternas apareçam. Na proa, a água cobre a inscrição com o nome do navio. Phillips envia nova mensagem ao Olympic, indicando a posição e frisando que o navio bateu no gelo. A banda continua tocando. Murdoch e Lowe arriam de estibordo o Standard 3, com 48 pessoas (23 homens, 24 mulheres e uma criança = 10 tripulantes e 38 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do marujo Moore. Sir Cosmo Duff Gordon encosta em Murdoch e, referindo-se ao Cúter 1, pergunta se pode tomá-lo com sua esposa, o oficial autoriza. Wilde organiza embarque no Standard 8, auxiliado por Gracie. Isidor Strauss traz a esposa, Rosalie. No último instante, da retrocede, não quer tomar o bote, sem seu marido Isidor, que recusa embarcar antes dos outros homens, o coronel e outros não conseguem persuadi-la.

1h:10min
Arriado o Cúter 1, com apenas 12 pessoas onde cabem 40 (10 homens e duas mulheres = 07 tripulantes e 05 passageiros da Primeira Classe). A operação é na área de Murdoch, mas quem a procede são tripulantes que, ato contínuo, pulam para o bote, provavelmente em decorrência de entendimento prévio com Sir Cosmo. O comando é do vigia Symons. Wilde arria de bombordo o Standard 8 com 39 pessoas (04 homens e 35 mulheres = 04 tripulantes e 35 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do marujo Thomas Jones. O mar desborda a sexta antepara. A terceira sala das caldeiras, no meio do navio, está inundada. Alguns fornalheiros fugiram, um pequeno grupo ficou para trás e é alcançado pela água. Wilde já se ocupa do Standard 10. Com o navio adernando para bombordo, o bote pendurado afasta-se mais de meio metro do convés.

1h:15min
Pronuncia-se a inclinação do navio para bombordo. Indignado, Andrews exige dos oficiais que os botes sejam arriados com lotação completa. Murdoch manda que o Standard 9 seja carregado no convés A, cujas aberturas, nesta seção, não dispõem de telas.

1h:17min
Phillips renova o pedido de socorro a todos os navios.

1h:20min
Phillips repete sem cessar a mensagem de CQD. O navio, agora, aderna para o outro lado, mas em minutos tornará a pender para bombordo: com a água a irromper por todos os caminhos dos conveses inferiores. As portas do convés dos barcos que dão para as escadarias foram fechadas para evitar que a invasão dos passageiros da Terceira Classe venha a tumultuar o embarque. Tripulantes controlam a multidão, permitindo tão-só a passagem das mulheres e crianças que se apresentam. Wilde arria de bombordo o Standard 10 com 54 pessoas (07 homens, 42 mulheres e 05 crianças = 05 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do marujo Edward Buley. Murdoch arria de estibordo o Standard 9, com 56 pessoas (16 homens, 38 mulheres e duas crianças = 08 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do contramestre Haines.

1h:25min
Wilde, auxiliado por Grade, arria de bombordo o Standard 12 com 42 pessoas (03 homens, 37 mulheres e duas crianças = dois tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do marujo Frederick Clench. Enquanto o bote desce, o 43º passageiro: é o britânico Gus Cohen, da Terceira, que pula do convés, tombando sobre a também britânica Lutie Parrish, da Segunda, e ferindo-lhe o tórax e a perna. Arriado por Murdoch do convés A de estibordo o Standard 11, com 70 pessoas (12 homens, 51 mulheres e 07 crianças = 09 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do timoneiro Sidney Humphreys. Lightoller arria de bombordo o Standard 14 com 63 pessoas (11 homens, 41 mulheres e 11 crianças = 08 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do Oficial Lowe.

1h:30min
Benjamin Guggenheim retoma à cabine para trocar de roupa e se prepara para afundar como cavalheiro. Os passageiros da Terceira Classe forçam a porta de uma das escadarias, invadindo o convés dos barcos. Entre eles, inúmeras mulheres e crianças. Os homens portam punhais, facas, porretes, e lutam com a tripulação para abrir caminho. Segundo o Dr. Dodge, que ainda está a bordo, alguns são mortos a tiros. Em meio ao tumulto, o Capitão Smith é visto caminhando no convés A em estado de choque, ignorando o que acontece à sua volta.

1h:31min
Do Titanic para o Olympic: Casa de máquinas inundada.

1h:33min
No mar, os botes se distanciam lentamente do Titanic para evitar a sucção do afundamento. No Cúter 1, o Money Boat, lançado há meia hora, os tripulantes perdem o senso de direção: remam diretamente para um grupo de luzes até perceber que são as do navio que afunda.

1h:35min
Murdoch arria do convés A de estibordo o Standard 13, com 64 pessoas (21 homens, 35 mulheres e 08 crianças = 06 tripulantes e, em maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do fornalheiro-chefe Barrett. Trinta segundos após o lançamento do 13, Murdoch arria do convés de estibordo o Standard 15, com 70 pessoas (29 homens, 35 mulheres e 06 crianças = 05 tripulantes e, em sua maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do fornalheiro Frank Dymond. Enquanto Rowe lança o oitavo e último foguete, Lightoller, auxiliado por Moody, arria de bombordo o Standard 16, com 56 pessoas (06 homens, 45 mulheres e 05 crianças = 06 tripulantes e, em sua maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do mestre-de-armas Joseph Bailey. Gritos no convés de bombordo, é Wilde defendendo o Cúter 2. A estibordo, tiros: é Murdoch, já menos complacente, a impedir que um grupo de homens ocupe o Dobrável C.

1h:37min
Do Baltic para o Titanic: Estamos correndo em sua direção.


1h:40min
Wilde arria de estibordo o Dobrável C, com 69 pessoas (17 homens, 38 mulheres e 14 crianças = 05 tripulantes e, em maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do timoneiro Rowe. A descida é acidentada. Aderna tanto o navio para bombordo que o bote roça várias vezes no costado, correndo o risco de ter as bordas de lona rasgadas pelas cabeças dos rebites. Os homens, manejando os remos contra o casco, conseguem mantê-lo afastado. Do Titanic para o Birma: Afundando rapidamente. Passageiros nos botes.

1h:45min
Wilde arria de bombordo o Cúter 2, com 25 pessoas (06 homens, 15 mulheres e 04 crianças = 04 tripulantes e, em maioria, passageiros retardatários da Primeira Classe), sob o comando de Boxhall, que porta alguns foguetes de sinalização. Do Titanic para o Carpathia, última mensagem que este copia: Venha logo. Sala de máquinas inundada acima das caldeiras.

1h:47min
O Caronia ouve o Titanic, mas os sinais são fracos, indecifráveis.

1h:48min
O Asian tenta retomar contato, igualmente sem resultado.

1h:50min
Lightoller trabalha no retardado carregamento do Standard 4. Astor auxilia Madeleine e, observando que há lugares vagos, pergunta se pode acompanhar a esposa grávida, o acesso a ele é negado.

1h:55min
Lightoller, finalmente, arria de bombordo o barco atrasado, o Standard 4, com 40 pessoas (07 homens, 26 mulheres e 07 crianças = 07 tripulantes e, em esmagadora maioria, passageiros da Primeira Classe), sob o comando do timoneiro Walter Perkis. Sobram 25 lugares neste barco reservado para a elite e nem um só é oferecido às 56 crianças da Terceira Classe que vão morrer em meia-hora.

2h:00min
Os navios Olympic, Frankfurt e Baltic chamam o Titanic. Sem resposta. A banda toca hinos, toca também Nearer, my God, to thee (Mais perto de ti, Senhor), composição de Sarah Flower Adams em 1841, que Wallace Hartley costuma dizer que reserva para seu funeral. No convés A, Lightoller instrui os subordinados a formarem um círculo com os braços dados, para que apenas mulheres e crianças embarquem no Dobrável D, já pendurado nos turcos do Cúter 2.

2h:05min
O naufrágio pode ocorrer a qualquer momento. Toda a sorte de objetos desliza na direção da proa. Dos salões, das cabines, das cozinhas, sobem aos conveses superiores o estalejar de louça, vidros, metais, e as detonações do mobiliário ao chocar-se contra as paredes de vante, atribuindo uma cadência apocalíptica ao estridor das válvulas de segurança. Arriado do convés A de bombordo o Dobrável D com 44 pessoas (07 homens, 33 mulheres e 04 crianças = 03 tripulantes e, em maioria, passageiros da Primeira Classe), sob o comando de Arthur Bright. É o último de bombordo e leva os meninos Edmond e Michel Navratil, de dois e três anos, que foram raptados pelo pai, em litígio com a mãe, e viajam com nomes falsos. Andrews é visto sozinho na sala dos fumantes da Primeira Classe, sentado, imóvel. Com o colete abandonado sobre a mesa, espera placidamente a morte, assumindo uma culpa que, afinal, é muito menos dele do que de outros.

2h:10min
O castelo da proa está submerso e a água ultrapassa a guarda de vante do convés A. Na cobertura do alojamento dos oficiais, os tripulantes, afobados, não conseguem retirar a lona que protege os dobráveis A e B, fixada por cordas, que serão cortadas com um canivete. Na Sala Marconi, o capitão libera os telegrafistas. Segurando-se onde pode para não escorregar no piso inclinado, vai à sala de navegação. Phillips envia a última mensagem, ouvida só pelo Virginian e com sinais tão débeis que não são decifrados. A banda toca Autumn.

2h:15min
A banda já parou de tocar. Murdoch, segundo Lightoller, manda pendurar o Dobrável A, já arriado de cima do alojamento do capitão, nos turcos do Cúter 1. A água transpõe a guarda da asa de bombordo da ponte e já alcança as primeiras janelas da sala de navegação. O capitão é visto nas imediações, mas Bride vai testemunhar que, na verdade, ele já pulou para o mar. O navio balança-se para frente, provocando ondas que se dissipam no convés dos barcos. Um dos oficiais suicida-se com um tiro na têmpora, ocorrência que três pessoas vão relatar. Lightoller e tripulantes, sobre o alojamento dos oficiais, empurram o Dobrável B por uma rampa feita com remos. O bote cai emborcado no convés de bombordo. É tarde. A proa mergulha e uma imensa onda invade o convés dos barcos. Lightoller pula e cai no costado do navio, junto a uma grade de entrada de ar da casa de máquinas. Pulam Phillips e Bride.

2h:17min
A água penetra velozmente pela grade da entrada de ar do costado, sugando Lightoller, que submerge com a proa. Logo é devolvido à superfície pela energia da explosão de uma caldeira. Ele nada e, à luz das estrelas, encontra o Dobrável B: é o primeiro passageiro do bote emborcado e parcialmente submerso. Em seguida, terá a companhia do ajudante de cozinha Collins, que dá com o bote ao vir à tona. A obliqüidade do navio, com a popa erguida, quebra a primeira chaminé, que ao tombar mata dezenas de pessoas que flutuam. Outro que escapa e pela segunda vez é Lightoller, a chaminé cai muito perto do Dobrável B. O Dobrável A é alcançado por 22 homens e 2 mulheres. Lightoller e Collins tentam desvirar o Dobrável B, sem sucesso. Logo serão 30 homens, espremidos sobre o fundo do bote.

2h:18min
As luzes do navio piscam uma vez e se apagam. Agora o Titanic é uma ingente massa negra e compacta contra o céu estrelado. Já não o será: com ruídos ensurdecedores, resultantes do deslocamento de toda a tralha de aço arrancada de suas bases, parte-se em dois pedaços, entre a terceira e a quarta chaminés.

2h:20min
Com um rugido monstruoso, a popa começa a mergulhar. As ondas sacodem os botes mais próximos. Aquele prodígio sobre as águas, insígnia da opulência eduardiana, não existe mais, e a deformada carcaça de uma era de esplendor viaja para seu túmulo, num ângulo de 30° e à espantosa velocidade de 75km horários, a 1.600 km da cidade em que Ismay queria aportar na terça-feira.


2h:25min
Mensagem do Birma para o Frankfurt, reportando que se encontra a 127km da zona do naufrágio. No Californian, tripulantes notam que o navio ao longe desapareceu. Concluem que, após uma parada, seguiu viagem.

2h:40min
O telegrafista do Mount Temple informa o Capitão Moore que há quase uma hora o Titanic não se manifesta. No Carpathia, Rostron determina o lançamento de foguetes de sinalização a cada 15 minutos, para prevenir o Titanic ou eventuais náufragos de sua aproximação. Dos 20 botes, apenas quatro ou cinco têm lanternas. Nos demais, os sobreviventes queimam pedaços de papel para indicar a posição e alertar algum navio nas imediações.

2h:45min
O Carpathia encontra vários icebergs e um oficial adverte o Capitão Rostron, que mantêm a mesma velocidade.

3h:00min
O Mount Temple, que vem do leste, depara-se com gelo pesado e diminui a marcha. No Standard 6, Hichens atormenta os passageiros. Em horário impreciso, entre 3 e 4h, as mulheres, lideradas por Margaret Brown, amotinam-se contra Hichens e ameaçam jogá-lo ao mar. O timoneiro enrola-se num cobertor e limita-se a praguejar em voz baixa. Lowe, no Standard 14, assume o comando da operação de salvamento, e faz com que se unam, amarrados, o Dobrável D e os standard 04, 10 e 12. Decidido a retomar em busca de sobreviventes, transfere para outros botes a maior parte dos passageiros que ocupam o seu. Após reunir oito homens, Lowe parte em direção ao resgate de sobreviventes.

3h:05min
Na sala de navegação do Mount Temple, o Capitão Moore vê a luz do mastro de um pequeno navio a pouco mais de um quilômetro à proa e é obrigado a manobrar para não abalroá-lo. A embarcação vem da região do naufrágio. O pesqueiro norueguês Samson, quem sabe?

3h15min
Do Carpathia para o Titanic: Se você continua aí: estamos lançando foguetes.

3h20min
A tripulação do Califomian vê novos foguetes ao sul. Outra festa, como aquela das primeiras horas da madrugada? Em meio a centenas de cadáveres, Lowe descobre quatro pessoas vivas, equilibrando-se sobre destroços que sobrenadam.

3h:25min
Os foguetes são vistos pelos náufragos nos botes. Cottam chama insistentemente o Titanic. O Baltic telegrafa ao Virginian, perguntando pelo Titanic. O Mount Temple pára, cercado de gelo, a 25krn da suposta zona do naufrágio.


3h:30min
O Carpathia chega à área reportada por Phillips e não encontra nada. Nem navio, nem destroços, nem botes.

3h:48min
Do Birma, supondo que o Titanic ainda está na escuta: A toda velocidade em sua direção. Chegaremos por volta das seis horas. Esperamos que estejam bem. Apenas 91 km nos separam.

3h:50min
O Ypiranga avisa a todos os navios que há muito tempo não ouve o Titanic, mas Cottam, no Carpathia, ainda o chama.

4h:00min
O Capitão Rostron manda desligar os motores, à espera. Seus oficiais, apreensivos, perscrutam o mar em todas as direções. No outro lado de um vasto campo de gelo, a tripulação do Californian vê um vapor na região em que, no começo da noite, observou o navio iluminado. O navio Carpathia também já é visto pelos náufragos, inclusive os do Dobrável B, a grande distância.

4h:05min
Um oficial do Carpathia, na proa, percebe no mar uma luz verde. São os foguetes de Boxhall no Cúter 2. O bote se aproxima vagarosamente. Começa a clarear o dia.


4h:10min
O navio manobra para facilitar e o Cúter 2 encosta abaixo da portaló de estibordo. Traz várias crianças. São arriadas escadas. O trabalho de resgate é lento, laborioso, dificultado pelos náufragos: alguns em pranto convulso, outros em estado de choque ou de histeria, além daqueles que se movem com estranhas pausas, calados, sombrios. O bote vazio é pendurado no costado. Em seguida virão os outros, que se distribuem numa área de aproximadamente 8km².

4h:18min
Do La Provence para o Celtic: Há mais de duas horas ninguém ouve o Titanic.

4h:30min
O Mount Temple tenta avançar e se imobiliza diante do mesmo campo de gelo que bloqueou o Californian.

4h:40min
Um segundo bote, o Cúter 1, é recolhido pelo Carpathia.

4h:45min
Recolhido o Standard 5 e, em seguida, o 13. Com intervalos variáveis e em horários imprecisos, vão chegando os demais.

4h:50min
O Mount Temple continua parado no meio do gelo.

4h:55min
Birma e Frankfurt trocam mensagens.

5h:00min
Encrespa-se o mar e aumentam as dificuldades do bote emborcado. A cada vez que é sacudido por uma onda, escapa um pouco de ar de seu interior e a proa afunda mais. Os homens continuam a trocar de posição, mas já estão muito cansados.

5h:10min
O Californian liga seus motores para deixar o campo de gelo. O lugar está cercado de grandes icebergs, esplendoroso panorama a contrastar com a magnitude da tragédia. Dependendo da direção em que lhes bate o sol nascente, suas cores mudam, são brancos, azuis e em tons que oscilam entre violeta e cinza escuro. Move-se também o Mount Temple. Recolhido o Standard 7.

5h:14min
O Birma avisa que se encontra a pouco mais de 50km do Titanic.

5h:25min
O Celtic tenta enviar mensagem ao Titanic através do Caronia, que responde: não há contato.

5h:30min
No Californian, o Chefe dos Oficiais Stewart desperta o telegrafista Evans e, comentando que um navio lançou foguetes durante a noite, aconselha-o a ligar o aparelho. Ele o faz com uma chamada geral, que de imediato é respondida pelo Frankfurt, que reporta que o Titanic naufragou. Evans, nervoso, pede a posição do Titanic. No Dobrável B, Lightoller sopra seu apito e chama a atenção dos botes amarrados, o Dobrável D - rebocado pelo 14 de Lowe, pois está fazendo água - e os standard 04, 10 e 12, a 800m de distância. Lowe manda que o 04 e o 12 voltem e recolham os sobreviventes. Antes do amanhecer, o 12 estará sobrecarregado com 70 pessoas transferidas de outros botes. O Dobrável B, vazio, também é rebocado por Lowe. No Dobrável A, sem as bordas e com o fundo sob a superfície, os náufragos, eretos - entre eles uma mulher, têm o mar nos joelhos. O bote vai afundar. Lowe parte em seu socorro e, antes da abordagem, dispara quatro tiros de alerta: ninguém deve se precipitar sobre o 14, sob pena de emborcá-lo. Três corpos são abandonados no bote, que fica à deriva.

5h:35min
Troca de mensagens entre o Californian e o Mount Temple, que lhe indica a suposta posição do Titanic, como pouco antes o fizera o Virginian. Com o mar apinhado de blocos de gelo, Lord ordena que o navio siga à meia força para a zona reportada.

6h:00min
O Mount Temple vê o Carpathia no outro lado do campo de gelo. Neste, prossegue o resgate dos botes e, da amurada, os passageiros da Cunard os fotografam. Recolhido o Standard 3. Em Nova York, são quase oito horas e já circulam os jornais matutinos com enormes manchetes, como o Herald's: O NOVO TITANIC BATE EM ICEBERG E PEDE AJUDA. NAVIOS CORREM EM SUA DIREÇÃO. Os jornalistas esperam um comunicado do escritório local da WSL. O Vice-Presidente Philip Franklin, desconhecendo que o navio está perdido, declara à imprensa que, mesmo batendo no gelo, ele pode flutuar indefinidamente. E acrescenta: - Nós temos absoluta confiança no Titanic. Estamos certos de que é insubmergível.

6h:15min
Troca de mensagens entre o Californian e o Birma.

6h:30min
Recolhido o Dobrável Cm Ismay esta a bordo. O médico o conduz à sua própria cabine, e durante o resto da viagem Ismay não vai abandoná-la. Não come, não bebe, exceto água com calmantes, e receberá mais tarde uma única visita, a do jovem Jack Thayer.

6h:55min
Recolhidos dez botes. Os passageiros do Carpathia colo¬cam suas cabines à disposição dos náufragos.

7h:10min
O Californian pede ao Mount Temple sua posição. Os navios estão à vista um do outro, a oeste do campo gelado, mas o cargueiro da Leyland Line está mais próximo da zona do naufrágio. Ambos procuram passagens em meio ao gelo.

7h:30min
Em Nova York, já na metade da manhã, acorrem ao escritório da WSL, ansiosos por notícias, familiares e amigos das vítimas, como a esposa de Benjamin Guggenheim, o pai de Madeleine Astor e J. P. Morgan Jr., além de centenas de pessoas desconhecidas. Todos são recebidos com notícias tranqüilizadoras: não há motivo algum para preocupação, o Titanic não afunda, e na remota eventualidade de afundar, é certo que isto só lhe acontecerá após flutuar dois ou três dias. À tarde, aparecerá nas ruas um banner do Evening Sun: TODOS SALVOS NO TITANIC APÓS A COLISÃO.

7h:55min
À meia força, o Califomian começa a cruzar o campo de gelo.


8h:15min
Os náufragos estão a salvo no Carpathia, exceto os do Standard 12. No resgate do 6, minutos antes, a tripulação não queria aceitar a bordo o cão de Elizabeth Rothschild, mas teve de ceder, a mulher só se dispunha a subir se o animal a acompanhasse. No convés, corpos de pessoas que morreram durante a madrugada. Os cirurgiões, na enfermaria, assistem os sobreviventes.

8h:20min
A tripulação do Californian murmura contra o Capitão Lord, por não ter mandado despertar o telegrafista quando soube dos foguetes.

8h:30min
Chega o Californian, afinal, e já não há o que fazer. O Capitão Lord vê no mar pedaços de tábuas brancas, cadeiras de convés, almofadas, tapetes e coletes. Aos poucos, aproximam-se outros navios, entre eles o Birma. Recolhido o Standard 12, encerrado o trabalho de resgate. Lightoller é o último a subir no Carpathia. O navio se movimenta. Em rápida busca às imediações, encontra apenas o corpo de um homem com um sobretudo, que deriva lentamente para o sul. O Major Peuchen estranha, pois, vivos ou mortos, todos deveriam flutuar. Ao mesmo tempo, vê na superfície grande quantidade de cortiça: o tecido dos coletes não resistiu à baixa temperatura da água.

8h:35min
O Mount Temple ouve o Carpathia reportar que recolheu 20 botes (na verdade são 19 botes, pois o Dobrável A, abandonado no mar, será encontrado dias depois pelo Oceanic). Quando o navio passa pela área dos destroços, procede-se a um serviço religioso, tributado àqueles que já não vivem.

8h:50min
Começa a viagem para Nova York.

8h:50min
Nas horas seguintes, um comitê dos sobreviventes recolherá milhares de dólares para doar ao Capitão Rostron e seus subordinados.

9h:05min
O Mount Temple retoma seu curso original, após ouvir do Carpathia que já não precisa permanecer à escura.

9h:50min
Cottam, que agora tem a companhia de Bride no aparelho, passa a ignorar as mensagens que tratam do acidente, alegadamente por ordem do capitão, que manda priorizar as notícias dos náufragos às suas famílias. Notícias que, misteriosamente, só chegarão dias depois.

12h:10min
O Frankfurt chega à zona do naufrágio.

16h:00min
Em horário impreciso, no meio da tarde, mensagem de Ismay para Philip Franklin, em Nova York: Com profundo pesar comunico que Titanic naufragou nesta manhã, após colisão com iceberg, do que resultou severa perda de vidas. Informações completas mais tarde. Outro mistério: a mensagem não é enviada de imediato, ainda que autorizada pelo Capitão Rostron, e só o será na quarta-feira, dia 17, sendo recebida no mesmo dia por Franklin, às 9h da manhã.

18h:16min (horário de Nova York)
Recebida pela WSL norte-americana a primeira mensagem que dá conta do que realmente aconteceu. Vem do Capitão Haddock, do Olympic. Enviada bem mais cedo pelo comandante do Olympic, demorou para chegar, mas jamais se descobrirá se o atraso foi intencional, relacionado com as manobras de ressegurar a carga.

22h:30min (horário de Nova York)
Comenta-se que a White Star Line já dispõe de uma lista parcial de sobreviventes.

23h:55min (horário do navio)
Morre a bordo do Carpathia o marujo William Lyons, que fora retirado da água pelo Standard 4. Sepultado no mar.

quinta-feira, abril 14, 2011

HÁ 99 ANOS NO DIA 14/04/1912


05h:00min
O telégrafo está em dia, e os operadores assoberbados com o tráfego das mensagens acumuladas dos passageiros.

07h:30min
Na quadra de squash, início das aulas com o instrutor Frederick Wright. Um dos alunos é o Coronel Gracie, que já reservou a primeira hora da manhã de segunda-feira.

08h:30min
Anunciado o desjejum.

09h:00min
Passageiros observam a passagem de blocos gelados. Recebida do Caronia a primeira advertência de gelo deste domingo, que é entregue na sala de navegação a Lightoller.

10h:00min
Murdoch assume seu quarto na sala de navegação.

10h:30min
Inspeção do capitão e auxiliares. Tempo bom, mar calmo, soprando de sudoeste um vento moderado e frio. Passageiros caminham pelo convés dos barcos. Estava programado para este horário um exercício com os botes salva-vidas, mas o capitão o cancela para que todos possam assistir ao serviço religioso no salão de refeições da Primeira Classe.

11h:40min
Recebida do Noordam, da Holland America Line, a segunda advertência de gelo, que relata a presença de muito gelo aproximadamente na mesma posição da relatada pelo Caronia.

12h:00min
Almoço festivo no salão de refeições da Primeira Classe. Conferida a posição do navio em relação ao sol, com o sextante: fez 878,6 km desde o meio dia de sábado. A velocidade subiu para 21,5 nós. Os preparativos para pôr em ação as cinco caldeiras auxiliares de um só terminal indicam que tanto o engenheiro Bell como o Capitão Smith cederam à pressão de Ismay, e a idéia é imprimir ao navio, talvez ainda hoje, sua velocidade máxima.

13h:00min
Lightoller afixa na sala de navegação a mensagem do Caronia, recebida quatro horas antes, após mostrá-la a Murdoch.

13h:42min
Comandado pelo Capitão Ranson, o S.S. Baltic da White Star Line envia a terceira mensagem recebida pelo Titanic avisando sobre icebergs e grande quantidade de gelo, 450 km à frente do Titanic. A mensagem é entregue ao Capitão Smith, que ao invés de mandar afixá-la na sala de navegação, entrega-a a Ismay, com quem está a almoçar. Ismay lê e, sem nada dizer, guarda-a no bolso. Posteriormente ele a mostraria para alguns passageiros.

13h:45min
O S.S. Amerika, da Alemanha, é o navio mais próximo de Cape Race, Newfoundland, envia a quarta mensagem sobre o alerta de campos de gelo. Talvez a mensagem mais importante recebida, ela relatava a presença de dois grandes icebergs observados no mesmo dia. Esta mensagem nunca chegou à ponte de comando, possivelmente nenhum dos operadores teve tempo para enviá-la ao capitão, pois o aparelho de telegrafo quebrou pouco após o recebimento desta mensagem, tendo Phillips e Bride passado grande parte do dia consertando o aparelho.

14h:00min
Wilde assume seu quarto na sala de navegação. Os oficiais discutem sobre a possibilidade de encontrar gelo e concordam num ponto: o perigo tem hora marcada, entre 20h e 1h.

17h:30min
A temperatura começa a cair.

17h:50min
O capitão altera ligeiramente o curso para o sul, supostamente uma precaução contra os campos de gelo, mas não reduz a velocidade. Ao contrário, o navio faz agora 22 nós. Ismay interpela Andrews, alegando que a mudança de curso, possivelmente, resultará em atraso na chegada a Nova York.

18h:00min
Anunciada a janta. Lightoller assume seu quarto na sala de navegação, substituindo Wilde. No timão, Arthur Bright. No cesto da gávea, George Hogg e Alfred Evans, dois dos seis vigias do navio. Eles alcançam o cesto por uma escada no interior do mastro da proa e vão cumprir um plantão de duas horas.

18h:30min
Phillips e Bride reparam o telégrafo e tratam de expedir as mensagens particulares que novamente se acumularam.

19h:00min
A temperatura continua caindo: 6°C.

19h:15min
Lightoller manda verificar se as escotilhas do castelo da proa estão fechadas, de modo que as luzes internas do navio não perturbem a visão dos vigias no cesto da gávea.

19h:30min
Tempo bom, mar calmo. Já anoiteceu. A temperatura baixa rapidamente: 4°C. A queda indica aproximação de campos de gelo. Na Sala Marconi, o turno é de Phillips, mas Bride o substitui para que possa jantar. Ele ouve e anota a quinta advertência de gelo, expedida pelo cargueiro Californian, reportando a presença de três grandes icebergs ao sul de sua posição. A mensagem é encaminhada à ponte. Aparentemente, quem a recebe não é Lightoller, mas o Quarto Oficial Boxhall, cuja reação é meramente burocrática: assinala os icebergs na carta náutica. O capitão não toma conhecimento, ele está no restaurante à la carte, no convés B, onde será homenageado. Ismay, por sua vez, ainda se encontra no salão de refeições da Primeira Classe, jantando com o médico William O'Loughlin.

20h:00min
No cesto da gávea, Hogg e Evans são substituídos por George Symons e Archie Jewell. No timão, Alfred Olliver no lugar de Bright, para um plantão de duas horas. Phillips reassume o telégrafo. Bride recolhe-se ao alojamento dos telegrafistas, contíguo à Sala Marconi. Na sala de navegação, assessorando Lightoller, estão Boxhall, que acaba de calcular a posição do navio, e Moody.

20h:40min
A temperatura é de 0,5°C e Lightoller manda vistoriar o suprimento de água doce do navio. Ordena também que sejam ligados os aquecedores no alojamento dos oficiais.

20h:55min
O capitão pede licença para ausentar-se da festa e visita a ponte. Boxhall o informa sobre a posição do navio, tirada às 20h. Noite estrelada, sem lua. O capitão conversa com Lightoller sobre o tempo, a visibilidade e a navegabilidade nessa área crucial da travessia. O segundo oficial ignora que já chegaram cinco advertências de gelo - tampouco o alerta o capitão - e comenta que, tendo chegado apenas uma, a do Caronia, às 9h, é possível que haja gelo pela frente, mas não muito. Acredita também que, se houver icebergs, serão vistos à claridade das estrelas, mas ambos convêm em que um obstáculo de certa magnitude pode ser melhor detectado através da arrebentação do que pela luz refletida pelas suas partes superiores. O mar, no entanto, plácido qual um lago, minimiza a arrebentação.

21h:20min
Segue o capitão para seus aposentos, recomendando que o despertem se houver alguma dúvida sobre a navegação. Lightoller ordena a Moody que telefone aos vigias Symons e Jewell: estejam atentos aos icebergs e transmitam o aviso aos substitutos. A visibilidade é excelente, mas a vigilância, já se sabe, processa-se a olho nu.

21h:30min
Recebida do Mesaba, a serviço da Red Star Line, a sexta advertência de gelo, reportando vastos campos gelados e enormes icebergs. Atarefado com o tráfego e considerando que avisos semelhantes já são conhecidos, Phillips não a encaminha à sala de navegação, deixando-a numa bandeja em sua mesa, sob um peso de papel. A temperatura é de 0°C. O Titanic avança na máxima velocidade que até agora empregou: 22,5 nós.

21h:38min
O telegrafista Stanley Adams, do Mesaba, envia nova mensagem: está à espera da notícia de que a advertência de minutos antes foi passada ao Capitão Smith. Phillips não responde. Ele continua enviando e recebendo os telegramas sociais dos passageiros, através da estação Marconi de Cape Race, na Terra Nova.

22h:00min
Céu claro, sem nuvens, mar sereno. A temperatura é negativa: menos 0,5°C. No comando, Lightoller é substituído por Murdoch e lhe transmite o curso e a velocidade. Conversam sobre a possibilidade de encontrar gelo e concluem que talvez isso aconteça dentro de mais ou menos uma hora. Boxhall diz a Moody que tome seu lugar na sala de navegação. Antes de se recolher, inspeciona alguns conveses. No timão, Olliver é substituído por Robert Hichens. No cesto da gávea, Frederick Fleet e Reginald Lee que são avisados da provável ocorrência de gelo. Eles não dispõem de nenhuma proteção para o rosto e continuam sem binóculo. Há outros três a bordo, dois para os oficiais na sala de navegação e um terceiro para os práticos dos portos, mas ninguém cogita de ceder este último aos vigias.

22h:30min
O Californian apaga os motores e pára em meio a um pesado campo de gelo de aproximadamente 47 km de comprimento por 4 km de largura. Sua tripulação vê ao longe as luzes de um navio. A temperatura da água cai severamente: menos 2°C. A temperatura do ar é de menos 1°C.

22h:45min
O Titanic mantém a velocidade. No Californian, o Capitão Lord conversa com o engenheiro. Mostra-lhe o navio que avistou minutos antes e o convida para ir à Sala Marconi saber das novidades.

23h:00min
Recebida do Californian a sétima advertência de gelo.

23h:10min
Phillips responde: “Caia fora. Cale a boca. Estou operando com Cape Race e você está bloqueando meu sinal.” E não passa a mensagem recebida à sala de navegação. Evans, por sua vez, não retruca e, durante a próxima meia-hora, irá distrair-se ouvindo o incessante tráfego do Titanic.

23h:15min
Mensagem do Titanic para Cape Race: Desculpe. Bloqueado. Repita, por favor.


23h:30min
Phillips encerra a comunicação com Cape Race.

23h:35min
No Californian, Evans desliga o aparelho e vai dormir. No cargueiro parado no gelo, mantém-se desperto só o pessoal do quarto. Um dos tripulantes tenta contatar pela lâmpada Morse com o navio cujas luzes são vistas pela proa de bombordo. Não há resposta, embora o alcance dos sinais da lâmpada seja de 18km. Fleet, no cesto da gávea, percebe uma névoa à frente do Titanic. Na asa da ponte, Murdoch também vigia, acompanhado de Moody, mas eles só podem ver aquilo que aparece acima da linha da proa. Um distante ponto de luz branca, a bombordo, que jamais será identificado, chama a atenção dos vigias e dos oficiais e quem sabe os distrai. Talvez seja a mesma e misteriosa embarcação que o Capitão Lord vê do Californian. Talvez seja o próprio Californian.

23h:40min
Fleet vê, a menos de 500 metros, a massa escura de um enorme iceberg, elevando-se a quase 20m da superfície, e de pronto bate o sino três vezes. Apanha o telefone e espera que alguém atenda na sala de navegação. Moody atende e educadamente agradece, e comunica a Murdoch, que já acorre da asa da ponte. Na sala do leme, atrás da sala de navegação, o primeiro oficial ordena ao timoneiro Hichens que “carregue todo o leme a estibordo.” Já de volta à sala de navegação, gira a manivela do telégrafo, determinando à casa de máquinas parada dos motores e reversão a toda potência. Pelo sistema hidráulico, fecha todas as portas estanques. Deveria acionar previamente o respectivo alarme e esperar dez segundos para fechar. A precipitação o leva a fazer as duas coisas ao mesmo tempo, pois decorrem apenas 15 segundos entre o aviso do vigia e o fechamento das portas. Boxhall, que em seu alojamento ouviu o sino, larga a xícara de chá, levanta-se e dirige-se à sala de navegação. A proa começa a virar para bombordo. Vira dez graus, mas não basta: 37 segundos após o aviso do vigia, o Titanic colide em seu costado de estibordo, abaixo da linha d'água e três metros acima da quilha, com a montanha de gelo. Boxhall, a meio caminho da sala de navegação, sente o baque. Um ligeiro tremor sacode o navio e, durante dez segundos, um surdo rangido assusta quem ainda não dormiu ou desperta quem já o fez. Amassadas, as placas da carena têm as cabeças de seus rebites arrancadas e cedem em vários pontos. As fendas são de alguns centímetros ou escassos milímetros, mas permitem que os quatro primeiros compartimentos de colisão estejam abertos para o mar. Duas toneladas de gelo sujo se desprendem da grimpa do iceberg e tombam despedaçadas entre o castelo da proa e a ponte de comando, e também na seção de vante do convés A. O timoneiro Olliver, que se encontra perto da ponte, vê o iceberg passar. O cume ultrapassa o convés dos barcos.

23h:42min
O capitão deixa seu alojamento e chega à ponte. Murdoch avisa do iceberg e relata que mandou carregar a estibordo e reverter motores, mas o navio estava muito próximo e acaba por bater no iceberg. Pelo telégrafo, o capitão ordena à casa de máquinas meia-força à frente, mas logo contra-ordena: parar os motores. Manda Boxhall inspecionar os danos. Murdoch diz ao timoneiro Olliver que faça no livro de ocorrências o registro da colisão, ocorrida às 23h40min.

23h:45min
A tripulação do Californian vê as luzes de um navio parado.


23h:50min
O capitão ainda não sabe, mas nos primeiros dez minutos após o impacto, a água, na proa, avança quatro metros acima da linha d'água, e os primeiros quatro compartimentos de colisão são invadidos. O quarto é a sexta sala de caldeiras. Seu piso, em circunstâncias normais, encontra-se 150m acima da superfície oceânica, mas agora a água já alcança 250m em suas paredes internas. Apenas três tripulantes conseguem escapar. A sala do correio, no convés G, que deveria estar seis metros acima da superfície oceânica, já foi alcançada, e isto significa que a água ultrapassou a terceira antepara, invadindo a sexta sala de caldeiras. É feita a chamada para que os marujos de convés se posicionem ao lado dos botes salva-vidas que lhes correspondem. Em situações de emergência, cada um deles tem sua posição predeterminada.

23h:55min
Bride desperta e vai assumir seu posto. Na Sala Marconi, ouve de Phillips que o navio sofreu algum dano e talvez precise retomar a Belfast. O relato do carpinteiro também não satisfaz o capitão, que deseja informações precisas. Ele pede a Andrews que faça uma avaliação. Ismay com um roupão sobre o pijama chega à ponte. O capitão relata que bateram em um iceberg. Apressadamente, Ismay se retira.