quarta-feira, abril 13, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 13/04/1912


08h:30min
Anunciado o desjejum.

09h:00min
Mensagem recebida informa que o Rappahannock, da Furness Withy Line, de Liverpool, sofreu danos no leme ao cruzar campo de gelo.

10h:30min
Inspeção do capitão e auxiliares. Da casa de máquinas, Bell comunica: o fogo está debelado, mas uma das paredes da carvoeira, que é também uma antepara, foi afetada. Tamanho é o calor lá embaixo que os homens trabalham seminus e numa atmosfera densa de pó de carvão.

12h:00min
O Titanic nas últimas 24h, deixou para trás 835 km com tempo claro, limpo e mar sereno, mas avisos sobre gelo, comuns nesta época, são recebidos. Os passageiros reportam o mínimo de barulho ou vibrações no navio. Com as 24 principais caldeiras ativadas, avança a 21 nós.

13h:00min
Anunciado o almoço.

16h:35min
Mensagem do Californian, da Leyland Line, comandado pelo capitão Stanley Lord. Reporta que o Caronia, da Cunard, sob o comando do Capitão Barr, acusa icebergs na latitude 42° Norte e longitude 40°51’ Oeste.

18h:00min
Anunciada a janta. No salão da Primeira Classe, o médico de bordo, William O’Loughlin, faz um brinde ao Titanic.

20h:00min
Abertura do restaurante à la carte.

22h:30min
O Titanic cruza com o Rappahannock, e este, que não dispõe de radiotelegrafia, alerta pela lâmpada Morse: "Passamos por gelo pesado e diversos icebergs". O Titanic responde: "Mensagem recebida. Muito obrigado. Boa noite". Adiante, o navio enfrenta dez minutos de densa neblina.

terça-feira, abril 12, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 12/04/1912


08h:30min
Anunciado o desjejum.

10h:30min
Inspeção do capitão e auxiliares. Na Sala Marconi, ele ouve o telegrafista ler mensagem do La Touraine, da Compagnie Generale Transatlantique, congratulando-se com a viagem inaugural e alertando para a presença de gelo à frente. À tarde, Phillips e Bride receberão inúmeras mensagens do mesmo teor. Uma delas dirá que o Corsican, da Allan Line, colidiu com um iceberg e foi obrigado a seguir para St. John, na Terra Nova.

12h:00min
O Titanic percorre 778,75 km com tempo claro e limpo. Para passar o tempo alguns passageiros se divertem dançando a o som da melhor banda do Atlântico, outros fazem apostas sobre a data de chegada do Titanic em Nova Iorque. Ismay havia dito que seria na quarta-feira pela manhã, mas alguns oficiais diziam que terça-feira a noite seria mais provável. O incêndio está quase dominado. De suas 24 caldeiras com dois terminais, 23 estão em ação.

13h:00min
Anunciado o almoço.

18h:00min
Anunciada a janta.

20h:00min
Abertura do restaurante à la carte. O telégrafo apresenta problemas, obrigando Phillips e Bride à suspensão temporária do tráfego.

segunda-feira, abril 11, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 11/04/1912


06h:00min
Diariamente abertura da piscina térmica, no convés F, so­mente para homens. Após as 9h:00min, para ambos os sexos. Atualizam-se os instrumentos de navegação. De madrugada, o capitão fez exercícios com o navio, avaliando sua capacidade de manobra.

08h:30min
Desjejum até 10h:30min. Os passageiros aproveitam o bom tempo para caminhar e conhecer o navio. Alguns da Primeira Classe descem ao tombadilho, mas não conversam com aqueles que viajam nos conveses inferiores, nada têm a dizer a pessoas de inferior condição. Eles freqüentam aquela área aberta aos pobres tão só para passear com seus cachorros.

10h:30min
Inspeção do capitão, acompanhado do engenheiro-chefe Joseph Bell, do comissário-chefe McElroy e do camareiro-chefe Latimer. Também inspecionam o navio Andrews e os técnicos do Guarantee Group. A tripulação cumprimenta o telegrafista Phillips, que está de aniversário. Simulada uma situação de emergência com um sinal de sino e o fechamento das portas estanques. Pouco depois, aproxima-se o navio-guia e transfere-se para bordo o prático do porro de Queenstown.

11h:30min
O navio lança âncora em Queenstown, a quatro quilômetros do porto. É a última escala antes da travessia oceânica. Ismay discute com o engenheiro Bell, quer sua anuência para que o navio, já na segunda-feira, empregue a velocidade máxima, de modo que possa chegar a Nova York na terça-feira, dia 16. Se a pressa se relaciona com o recorde da travessia, é um despropósito. A possibilidade de que o Titanic venha a superar a marca de 1909, pertencente ao Mauretania, da Cunard, é igual a zero.

12h:00min
Parte de Nova York o Carpathia, da Cunard, para Gibraltar.

12h:30min
Almoço até 14h:30min. As barcaças America e Ireland trazem sete passageiros da Segunda Classe e 113 da Terceira, além de 1.385 pacotes de correspondência postal. Desembarcam sete da Primeira Classe: o seminarista jesuíta Francis Browne e seis membros de uma família. Um fornalheiro, John Coffey, natural de Queenstown, esconde-se numa das barcaças e deserta do navio. Entre passageiros e tripulantes, encontram-se a bordo 2.227 pessoas. Jornalistas vêm conhecer o Titanic e um deles fotografa o Capitão Smith e o comissário McElroy. O convés A é visitado por comerciantes e Astor adquire para Madeleine uma jóia no valor de 800 libras. Quando os comerciantes se retiram, ocorre algo inusitado: um fornalheiro com o rosto negro de fuligem olha para eles da boca da quarta chaminé, que é falsa. Algumas mulheres interpretam a aparição como um mau presságio.


13h:15min
O seminarista Browne, na barcaça, tira uma fotografia do Capitão Smith debruçado na amurada da asa da ponte: é a última do comandante. Também são de Browne as raras fotos tiradas a bordo e a derradeira do navio. Na popa, o irlandês Eugene Daly, da Terceira Classe, despede-se de seu país tocando a canção Lamento de Erin em sua gaita de foles.

13h:30min
O Titanic levanta âncora rumo a Nova York e é seguido por um bando de gaivotas, atraídas por restos de comida despejados no mar pelos duros de esgoto. Minutos depois, breve parada para o transbordo do prático. Retomando o curso, passa tão perto de um pesqueiro francês que os pescadores são banhados pelas ondas do sulco da proa. Eles acenam e o navio responde com um apito. Nas horas seguintes, navegando a 19,5 nós, ultrapassará o cabo Kinsale e, a menos de dez quilômetros da costa, pelo canal São Jorge, será visto por inúmeras pessoas, imagem que jamais esquecerão. Inclina-se ligeiramente para bombordo, por obra da grande quantidade de carvão retirada do depósito de estibordo, na tentativa de apagar o incêndio. Comentários dos fornalheiros indicam que as mangueiras d'água têm pouca pressão.

18h:00min
Anunciada a janta.

20h:00min
Abertura do restaurante à la carte.

domingo, abril 10, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 10/04/1912


05h:17min
O sol nasce em Southampron. Começam a chegar os tripulantes que dormiram em casa.

06h:00min
Embarca Andrews, ocupando sua cabine a A36.

07h:30min
Embarca o capitão para sua última viagem antes da aposentadoria e recebe o boletim de navegação do Chefe dos Oficiais, Wilde. Os outros oficiais assumem suas funções. No cais, uma multidão de marujos se aproxima do navio, na esperança de conseguir trabalho em sua viagem inaugural. Parte da estação Waterloo, em Londres, rumo ao porto de Southampton, o trem da London & South Western Railway, trazendo os passageiros da Segunda e Terceira Classes. Entre os da Segunda, os oito músicos da banda liderada por Wallace Hartley.

08h:00min
A tripulação é passada em revista pelo capitão e autoridades do comércio marítimo. Já se encontra a bordo o prático George Bowyer. É realizado um exercício com os botes salva-vidas. Infelizmente isto é feito somente em dois botes, o nº. 11 e 15 de estibordo.

09h:00min
Parte da estação Waterloo o trem que conduz para Southampton os passageiros da Primeira Classe e alguns da Segunda.

09h:30min
Chega ao porto em sua limusine Daimler o diretor de operação da WSL, Bruce Ismay, com o mordomo John Frye o secretário William Harrison. Vai ocupar as cabines B-52-54-56. A família não o acompanha. Chega também o trem da Segunda e Terceira Classes. Os passageiros da Terceira, na maioria são emigrantes. São embarcados somente após a inspeção sanitária.

09h:40min
Parte de Paris o Train Transatlantic, levando para Cherbourg os passageiros que, à noite, embarcarão no Titanic.

10h:00min
Embarca, ocupando a cabine D-56 da Segunda Classe, o professor Lawrence Beesley, que ainda em 1912 publicará a memória The Loss of the Titanic.

11h:00min
Chega ao porto o trem londrino da Primeira Classe. Traz passageiros afamados pela riqueza ou suas atividades, que logo embarcam.

11h:30min
Cerca de 50 pessoas cancelam suas reservas pouco antes da partida. Uma delas é J. Pierpont Morgan, titular da IMM. Afortunados membros da tripulação não embarcam, licenciados ou por não se apresentarem, ou por se apresentarem fora do horário.

12h:00min
As poderosas sirenes do Titanic são acionadas, avisando de sua eminente partida. Todos que não fazem parte da tripulação nem dos passageiros começam a desembarcar. Muitos passageiros nesta fatídica viagem deveriam estar a bordo do Oceanic e do Adriatic, mas foram transferidos para o Titanic devido à greve dos carvoeiros. Os vigias perguntam a Lightoller pelo binóculo que usaram de Belfast para Southampton e depois foi recolhido. O segundo oficial responde que não há nenhum disponível. Ninguém sabe onde Blair o guardou e ninguém com autoridade toma a iniciativa de mandar procurá-lo. Na proa, Wilde e Lightoller. Na popa, Murdoch. No topo do mastro, a bandeira vermelha e branca, sinal de que o prático orienta o leme. O capitão ordena a partida.

12h:15min
O navio levanta âncora e, após apitar três vezes, afasta-se do cais puxado por cinco rebocadores, entre eles o Vulcan. Já propulsionado por seus motores, desce o canal de Southampton. O destino é Nova York, com escalas em Cherbourg e Queenstown, na República da Irlanda. Perto da embocadura do rio Test, a sucção de seu poderoso deslocamento, o chamado "efeito canal", faz balançar o vapor New York, que rebenta seis cabos de amarração de 15cm de diâmetro e se movimenta, com a popa em sua direção. O Titanic reverte os motores, mas a colisão é iminente. No derradeiro instante, é evitada pelo Vulcan, que alcança um cabo da embarcação à deriva e a sustenta. A popa do New York deixa de abalroar o casco do Titanic por escasso 1,20m. O prático é apenas um auxiliar, não comanda. Quem comanda é o Capitão Smith, e o incidente com o New York, somado à colisão entre o cruzador Hawke e o Olympic, também sob seu comando, sugere sua inaptidão para manobrar navios de maior porte - isto sem contar seu lastimável histórico de acidentes marítimos. Ainda não foi debelado o incêndio na carvoeira. Tamanho é o descaso do capitão em relação à grave ocorrência que nem ao menos manda registrá-la no diário de bordo.



13h:00min
O Titanic reinicia sua viagem em direção a Cherbourg. A gata Jenny, considerada um membro da tripulação e aos cuidados de um ajudante de cozinha, dá cria: é uma grande ninhada de gatinhos. O prático desembarca.

13h:30min
O corneteiro Peter Fletcher, anuncia a tardia abertura do horário de almoço com acordes de melodia. Os salões de refeição permanecem abertos até as 14h30min.

15h:45min
Os passageiros do Train Transatlantic, vindos de Paris, desembarcam na gare marítima de Cherbourg. Anunciado o atraso do Titanic.

17h:30min
Finalmente o Titanic chega a Cherbourg, França, a apenas 38 km de distância através do Canal da Mancha. Os passageiros começam a ser embarcados nos barcos que os levarão ao Titanic.

18h:00min
Hora do jantar, que se estende até 19h30min.

18h:30min
Chega o navio a Cherbourg. Suas dimensões não permitem que se aproxime do pequeno cais e ele ancora ao largo. O transporte entre o porto e o navio está a cargo de barcaças da WSL, que também segregam as classes sociais: na Nomadic, Primeira e Segunda Classes, na Traffic, Terceira Classe e malas postais. Na próxima hora e meia, desembarcam 20 passageiros da travessia Southampton-Cherbourg e embarcam 274 novos passageiros.

20h:00min
Os novos passageiros já estão instalados e as barcaças retomam ao porto. O restaurante à la carte abre suas portas para quem o prefira ao salão de refeições do navio. Permanecerá à exclusiva disposição da Primeira Classe até as 23h00min.

20h:10min
O Titanic levanta âncora rumo a Queenstown. Vai atravessar novamente o canal da Mancha e contornar a costa sul da Inglaterra. Prossegue o incêndio na carvoeira. Nesta aproximada hora, no Atlântico, menos de 200 km ao norte da rota do Titanic, o vapor francês Niagara bate num iceberg, que lhe deforma o casco abaixo da linha d'água, e emite pelo radiotelégrafo a mensagem de CQD. As seqüelas do acidente não são fatais para o navio, que demanda ao porto antes da chegada de socorro. É a primeira de uma série de colisões com gelo nos próximos dias. O inverno nas latitudes setentrionais não foi muito severo. Grande quantidade de gelo se desprendeu da calota polar e, à deriva, segue para o sul.

sábado, abril 09, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 09/04/1912



No dia 9 de abril, todos os oficiais, menos o Capitão Smith, passaram a noite a bordo, cumprindo os quartos regulares de serviço e supervisionando os preparativos para o embarque dos passageiros. Nos guindastes, na calefação e outros trabalhos, o navio gasta 415 toneladas de carvão. A sobra do que trouxe de Belfast, somada às 4.427 toneladas que recebeu de outros navios, computam-lhe um total de 5.892 toneladas. Não enche as carvoeiras, cuja capacidade é de 8.000 toneladas, mas é bastante para sete dias de viagem: o consumo diário, em velocidade de cruzeiro, é de 650 toneladas. Persiste, entretanto, o incêndio da carvoeira da sexta sala de caldeiras.

O Capitão Smith traz do Olympic o Chefe dos Oficiais Henry Wilde, rebaixando Murdoch para primeiro oficial e Lightoller para segundo oficial. O segundo anteriormente nomeado, David Blair, que vem do Teutonic, é descartado e, para sua felicidade, não viajará. Para a infelicidade de quem segue a bordo e será vítima da incúria e da sobrançaria, ninguém lhe pergunta onde guardou o binóculo dos vigias. Wilde estava cotado para comandar o Oceanic, mas permanecia em Southampton por causa da greve. Sua nomeação desgosta os oficiais, sobretudo os que são afetados. Nos dias seguintes, os tripulantes continuarão a chamar Murdoch de "chefe". Nova imposição do Capitão Smith: o comissário Barker é rebaixado a assistente e é contratado como comissário-chefe Hugh McElroy, que também vem do Olympic, com um salário 25% maior.

O Titanic é visitado pelo supervisor local do Board of Trade, Capitão Maurice Clarke, que inspeciona o navio acompanhado de Andrews e dos oficiais Lowe e Moody. Testa a lâmpada Morse e lança um foguete de sinalização, aprovando. Embarca num dos botes salva-vidas, o Standard 11, e ordena que os oficiais o lancem, com apenas nove tripulantes. Aprova também, quando deveria ter arriado o bote com a lotação completa, 65 passageiros. A incerteza dos oficiais quanto à resistência dos turcos os induzirá a reduzir a ocupação dos botes durante a primeira hora e meia do naufrágio, causando a perda de quase 500 vidas. A inspeção é tão superficial que não alcança os conveses inferiores, convalidando o certificado de qualidade de um navio que traz ardendo uma das carvoeiras - incidente que o capitão, por sua vez, trata de omitir, acordando com a insensata auto-suficiência da empresa: "Não consigo imaginar algo que possa levar um navio a naufragar", ele declarou, antes do embarque, "a moderna construção naval está muito acima de qualquer fatalidade".

Retirando-se o supervisor, Smith faz sua própria inspeção, acompanhado de Wilde e Murdoch. Na ponte, um jornalista londrino o fotografa. Andrews escreve à esposa, Helen, comentando que o Titanic está pronto, e amanhã, ao zarpar, contribuirá para dar mais prestígio à Harland & Wolff. Na última noite em Southampton, todos os oficiais dormirão no navio, menos o capitão.

sexta-feira, abril 08, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 08/04/1912



No dia 8 de abril, a carga está completa. Finaliza-se também o carregamento das provisões. Os alimentos frescos são guardados nos grandes refrigeradores do bailéu (convés do navio entre o tank top e o convés G).

Também são carregadas 57.000 peças de cozinha e louça, 29.000 peças de vidro e 44.000 talheres. O abastecimento de água potável presume um consumo diário de 63.000 litros.

Andrews, que se encontra no navio desde o amanhecer, fiscaliza todos os procedimentos e resolve pequenos problemas surgidos nos últimos dias. Em seu alojamento, William Murdoch escreve carta à irmã, Margaret, dizendo que espera ser mantido como Chefe dos Oficiais pelo Capitão Smith. Seu trunfo é o Capitão Bartlett, que se mostrou satisfeito com seu serviço no trajeto Belfast-Southampton.

quinta-feira, abril 07, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 07/04/1912



Às 6h30min do dia 07 de abril, Andrews começa nova inspeção do navio. Mais tarde, retira-se para o escritório do estaleiro em Southampton. A bordo, com exceção dos que tentam debelar o fogo na carvoeira, não se trabalha no domingo. Nenhuma fumaça é expelida pelas chaminés. Durante todo o dia, ouve-se apenas o sino do navio marcando a passagem das horas.

quarta-feira, abril 06, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 06/04/1912



Termina a greve dos carvoeiros no dia 06 de abril. A maior parte da tripulação já está contratada. O comissário de bordo (tesoureiro), Reginald Barker e o chefe dos camareiros, Andrew Latimer, vêm do Olympic, a convite do Capitão Smith.

Continua o recolhimento da carga. Serão quase 560 toneladas e 11.524 peças avulsas, entre elas o Renault vermelho, ano 1912, de 25hp, pertencente ao milionário norte-americano William Carter, e considerado um dos carros de passageiros mais velozes do mundo. Vai sobrar lugar: a capacidade de carga do navio é de 900 toneladas.

terça-feira, abril 05, 2016

RELEMBRANDO RODRIGO PILLER E SEU RELÓGIO

Há nove anos atrás, no dia 05/04/2007, o Blog Titanic Momentos trazia com exclusividade, outra entrevista (dividida em três partes) com o nosso amigo e titânico Rodrigo Piller, que contava como foi o processo de criação do seu relógio.

Neste mês de Abril, resolvi relembrar este momento mágico. Para quem ainda não leu, espero que todos gostem da matéria. Para os antigos, vai um momento de nostalgia.


Rodrigo Aparecido Piller


Olá novamente amigos do Titanic Momentos.

Em primeiro lugar gostaria de agradecer a todos que gostaram do trabalho com a cadeira e me enviaram suas mensagens de apoio. Novamente fui convidado pelo Alencar, desta vez descreverei como foi que tive a idéia, comecei e finalizei os trabalhos do relógio da grande escadaria do Titanic, cujo nome é “A Coroação da Honra e da Glória”.

Desde que comecei a colecionar sobre o Titanic sempre tive muita vontade de fazer objetos que pertenceram a ele, logo depois da feira de ciências de 2002, onde eu apresentei a maquete de 2,24 m. que fiz dele a febre com relação a isso só fez aumentar. Adquiri em 2005 o livro making off do filme que tem uma foto bem detalhada do relógio e foi nele que tive minha maior fonte de imagens (juntamente com o filme).

Comecei a pensar se eu conseguiria fazer um relógio igual ou parecido com o do navio, como eu sabia que era bastante difícil o projeto não saiu do papel por mais de um ano. No começo fiz desenhos, planos e fui imaginando formas de fazê-lo. Achava que se o fizesse não ficaria nem parecido, pois achava que eu mesmo não teria capacidade de modelar tantos detalhes complexos e as duas figuras humanas.

O preço de tudo também era visto como barreira, pois não sabia quais materiais usaria na confecção e quanto custariam. Por várias vezes visitei um vizinho de minha rua que trabalha com gesso e tentei explicar como eu queria fazer e se ele tinha alguma forma de gesso que eu poderia aplicar no relógio. Mas tendo em vista que o relógio é algo único não encontrei nada que pudesse me ajudar. Como eu já pintava quadros e possuía uma forma (feita em borracha de silicone) para fazer molduras em gesso (que esse vizinho fez para mim) imaginei que esta mesma forma podia me ajudar. Em um certo ponto já era inevitável começar. Sabia que não poderia fazer o relógio inteiro, pois ele tinha mais de 2,50 m. de altura (pegava do piso ao teto), então optei por fazer apenas a parte principal.

Imaginei que poderia fazer toda a moldura em gesso (já que seria bobeira tentar fazer uma igual ao do relógio), os anjos em massa de biscuit, a armação toda em madeira e o restante em papelão paraná, o mesmo que usei para fazer o navio. Como todo trabalho, comecei pelo princípio. Fiz o quadro do relógio em madeira de pínus, a mesma que uso em meus quadros, fiz a base do relógio com dois quadros velhos de madeirite e para dar aspecto bem liso lixei tudo e colei duas folhas de papel cartaz por cima. Nisso eu já tinha feito as quatro molduras externas (com minha forma) e encomendado as quatro internas com meu vizinho.


Quando as molduras secaram uni cada uma delas ao quadro com cola branca e fiz o acabamento nas juntas com gesso e massa acrílica. O próximo passo foi fazer as estruturas da base do círculo do relógio e o círculo também. Essas duas peças foram feitas com papelão paraná bem reforçado. Fiz o buraco na madeira na parte onde aplicaria o relógio e logo em seguida fixei o círculo e a base com cola. Fiz os acabamentos com papel de seda para disfarçar o ponto de colagem entre o papelão e a madeira revestida em papel cartaz.

Montei o mostrador do relógio com papel e tive de fazer os números no computador e montá-los num círculo bem medido para tirar xérox de tudo para sumir com as emendas (fiz isso, pois não teria como encontrar um mostrador com as mesmas características do relógio original).

Já havia comprado a máquina do relógio (que era de um relógio de parede) e fui cortando os ponteiros de plástico para que ficassem mais finos e parecidos com o do relógio original, finalizei os ponteiros fazendo pontas no formato de gotas como os da foto original e pintei de preto. Fiz o miolo dourado do relógio com papel laminado todo recortado. Mandei cortar o vidro numa vidraçaria e encaixei sob o círculo já pronto. Depois de tudo seco preparei 3 kg. de massa de biscuit branca e comecei a parte mais desafiadora, “a modelagem”.

Comecei fazendo os pequenos detalhes florais da base de sustentação do relógio e logo em seguida fiz os pés das duas figuras. Fiz as cabeças inteiramente com massa e, como medida de economia de material, fiz o interior de seus corpos e pernas preenchidos com jornal, isso deu a estrutura interna necessária para ser recoberta por uma camada de massa imitando o tecido das roupas. Não fiz as roupas por inteiro e sim fui trabalhando com pequenos pedaços de massa esticada para dar o movimento do tecido, isso sempre com a foto do relógio e o filme em mãos e reparando em todos os detalhes.

Como para mim seria difícil fazer os pequenos detalhes iguais aos do relógio resolvi não copiar e sim fazer releitura das folhagens do pé do relógio e de tudo que não pudesse fazer idêntico. Os trabalhos de modelagem demoraram dois dias.

Depois disso veio a secagem que deve ter demorado uns três ou quatro dias (já não lembro), o próximo passo era a pintura, o que era mais um problema, pois ainda não tinha descoberto como fazer uma tonalidade de madeira que ficasse bonita. Arrisquei a começar a pintar. Pintei de marrom escuro, em seguida de bege, mais uma mão de tinta e outra e mais outra, passei cola em cima de tudo para plastificar e envernizei depois.


Foto: Rodrigo Piller e todos os seus trabalhos relacionados ao Titanic

Ficou uma droga! Fiz tudo de novo e novamente deu errado, ficou muito escuro. Tentei a terceira vez e dessa vez deu mais certo. Depois de dar a tonalidade de madeira e envernizar pela terceira vez passei mais uma mão de tinta marrom escuro e fui limpando o excesso com um pano, o resultado disso foi como se essa tinta fosse betume. Ela impregnou nas partes mais profundas dos entalhes e deu um aspecto de envelhecido ao relógio. Envernizei tudo novamente e somando-se todas as demãos de tinta que dei foram 15, pois errei muitas vezes e cada etapa exigia 4 ou 5 demãos.

O relógio ficou com 100 x 81 cm e deve pesar uns 12 kg. Conclui o trabalho em 31 de março de 2006 (exatamente 95 anos depois do lançamento do casco do navio ao mar, descobri isso escrevendo este texto).

Nem a modelagem, nem as molduras e nem a pintura ficaram como réplica idêntica, mas novamente repito que não sou especialista nisso e que fiz o que deu para ser feito tendo em vista os materiais alternativos que uso.

Usei:
* Madeira de pinus, cola quente e pregos para a estrutura
* Papel cartaz e cartolina para o revestimento da base do relógio
* Um relógio de parede (que desmontei e aproveitei o motor e ponteiros)
* Gesso para as molduras
* Papel paraná para as partes retas e para o círculo saliente do relógio
* Cola, maisena e vaselina para a massa de biscuit
* Um vidro para o visor do relógio
* Cola quente para unir as partes em papel
* Bastante tinta marrom, bege e verniz incolor (já que errei várias vezes)
* E mais cola para unir tudo...

O custo total disso foi de 68 reais (preços de 2007). O relógio é junto com o relógio da suíte da Rose, com o navio, a cadeira e a coleção Titânica meus maiores xodós.

Espero que com esse e com outros depoimentos meus, vocês que tem vontade de arriscar a fazer algo se animem e partam para a luta, pois o ser humano é movido pela vontade. Vontade que se for colocada em prática é capaz de surpreender à todos...

Espero que tenham gostado e um grande abraço a todos os meus amigos Titanicmaníacos espalhados pelo Brasil afora...

Até mais.

Rodrigo Aparecido Piller

HÁ 104 ANOS NO DIA 05/04/1912



No dia 5 de abril, ocorre o primeiro dia do recrutamento dos tripulantes de menor hierarquia. A maioria reside em Southampton, outros vêm de Liverpool, Londres e Belfast. O navio é ornamentado com bandeiras e flâmulas para comemorar a Sexta-Feira Santa e homenagear a população local. À noite, os paramentos são retirados. O carvão que falta vem de outros navios, inclusive do Olympic, também inativo e sob novo comando.

segunda-feira, abril 04, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 04/04/1912


Embarca parte da tripulação no dia 4 de abril. Inicia-se o recolhimento das provisões e da carga, cujo manifesto, em segunda via, segue hoje para Nova York pelo Mauretania, da Cunard, uma cautela da época. A companhia também trata do abastecimento de carvão. O Titanic não dispõe de combustível bastante para a viagem, traz em suas carvoeiras apenas 1.880 toneladas.

A carga é variada:
Orquídeas, canetas, filmes, porcelana, objetos de prata, algodão, batatas, resinas, vinho, licores, brandy, conhaque e champanhe. Segundo um autor, a quantidade de bebida alcoólica trazida para bordo é suficiente para embebedar meia Nova York durante uma semana.

Alguns itens intrigam:
300 caixas de nozes destinadas ao First National Bank of Chicago, 11 fardos de borracha para o National City Bank of New York, 25 caixas de sardinhas para a firma de investimentos Lazard Frères, um caixote de velas de cera para American Motor Co., além de quatro caixas de ópio sem o nome do remetente.

Andrews inspeciona a obra-prima da White Star Line e faz críticas anotações em sua cabine, a A-36. À noite, vai recolher-se ao hotel South Western, na vizinhança do porto.


domingo, abril 03, 2016

RODRIGO PILLER E SUA 2ª MAQUETE DO TITANIC

Em Maio de 2014, o nosso amigo titânico Rodrigo Piller resolveu recriar uma nova maquete do RMS Titanic. Após 22 meses de árduo trabalho e dedicação, seu objetivo tomou forma e finalizou.

Abaixo você confere o trabalho em dois vídeos e logo depois, um pequeno texto explicativo nas próprias palavras de Rodrigo Piller.




Nos vídeos acima, o modelo na escala 1:100 do RMS Titanic, construído do zero absoluto por Rodrigo Piller, entre maio de 2014 e março de 2016. A maquete mede 2,69 metros de comprimento e é populada com mais de 227 miniaturas de figuras humanas modeladas e pintadas à mão. Composto por mais de 8 mil peças avulsas criadas uma a uma manualmente, o modelo é também iluminado por mais de 700 luzes internas. Há também a recriação de alguns momentos e fotos históricas de passageiros reais do Titanic, que foram replicados em miniatura tal e qual aparecem nas fotos de época verídicas tiradas em 1912.

Eu, Rodrigo Piller, criador do modelo, também sou uma das figuras da maquete, pois estou em miniatura sobre o teto da Grande Escadaria da 1ª classe onde seguro nas mãos um micro projeto do Titanic. Na maquete há a simulação estática de vários procedimentos no Titanic, todos recriados de maneira livre, desconectados uns dos outros para que o espectador consiga ver parte da rotina do navio em vários lugares e em tempos diferentes. 

O modelo foi concluído em abril de 2016, no aniversário dos 104 anos da conclusão da construção e naufrágio do RMS Titanic, que foi terminado em 02 de abril de 1912, e apenas 13 dias depois, na madrugada de 15 de abril, naufragou no Atlântico Norte após uma colisão como um iceberg na noite anterior.



Detalhes sobre a maquete:

► Criador: Rodrigo Piller, 29 anos, paranaense, entusiasta da história do Titanic e artista plástico amador.

► Tipo de maquete: Modelo do tipo "waterline" [ou seja, um modelo que representa o Titanic da linha d'água para cima, que mostra o Titanic na configuração de "navegando"], iluminado e populado com figuras humanas. Modelo também chamado de diorama, ou seja, uma maquete com inclusão de figuras humanas que representam cenas históricas e do cotidiano, além de simulação de outras atividades e "movimentos".

► Dimensões da maquete: 2 m 69 cm de comprimento / 32 cm de largura extrema / 65 cm de altura máxima / Modelo na escala 1:100 (1 para cem). Nesta escala seriam necessárias 100 maquetes deste comprimento enfileiradas uma após a outra para alcançar o comprimento do verdadeiro navio, que media 269 m de comprimento.

► Peso: Apenas a maquete pesa cerca de 40 Kg / Conjunto total "maquete+vitrine+bancada" com cerca de 180 Kg ao todo.

► Peças: Mais de 8 mil peças avulsas criadas integralmente à mão uma a uma.

► Quantidade de luzes: Cerca de 700 luzes internas incandescentes (pisca de natal do tipo "arroz") e 650 luzes de LED externas para iluminação adicional.

► Tempo total de criação: 22 meses, de maio de 2014 à março de 2016.

► Média de trabalho por semana: Cerca de 28 horas semanais em média contínua durante 22 meses. Algo em torno de 2.500 horas  de trabalho ao todo.

► Fontes de pesquisa: Fotos de época verídicas do Titanic (e fotos do navio irmão gêmeo do Titanic, o RMS Olympic) distribuídas nos livros (mais de 60 livros em minha coleção) e vindas da Internet, e também dados coletados em discussões em fóruns especializados de todo o mundo. Também foram utilizados como fontes vários filmes, documentários, maquetes criadas por terceiros, e recriações do Titanic em computação gráfica divulgadas online feitas por especialista de todo o mundo.

► Tempo de pesquisa até a construção: De 2002 até 2014, com pesquisa adicional constante durante os 22 meses de trabalho até o fim em abril de 2016 totalizando então 14 anos de levantamento.

► Principais materiais empregados: Algo em torno de 80% do modelo é composto por uma variedade grande de diferentes tipos de papel, partindo desde papelão comum, passando por cartolina, cartão e papel pinho (papel paraná). Mas também há materiais variados como arame, palitos de dente, de churrasco e de sorvete, e um infinidade de mais de 60 materiais diversos que vão desde porcelana fria à gesso, de embalagens descartáveis até piscas de natal.

► Únicos materiais profissionais utilizados: Laminado hiper fino de madeira 'Garapeira' para o revestimento superficial dos pisos aparentes da maquete, acetato transparente (plástico rígido) para as simulações de vidro nas centenas de janelas e resina acrílica azul para a simulação do oceano (nenhum destes materiais foi comprado em lojas de modelismo), e apenas 6 figuras humanas para modelismo profissional + 6 miniaturas de cachorros, que foram impossíveis de modelar à mão. As demais 227 figuras humanas foram feitas à mão com biscuit (porcelana fria).

► Dimensões da vitrine: Vitrine criada de MDF com 51 cm de profundidade / 81 cm de altura / 2,82 m de comprimento / o conjunto completo montado com bancada mede 1,52 m de altura extrema.

► Proteção: Uma peça única de vidro frontal de 8 mm com 73 cm de altura x 2,78 de comprimento, pesando 42 quilos.



Curiosidades sobre a maquete:

● A maquete não foi construída em "full time", visto que a construí apenas nas horas vagas e fins de semana, ainda assim trabalhei em torno de 28 horas por semana em média durante 22 meses.

● De maneira não planejada, a finalização de minha maquete aconteceu junto do aniversário de 104 anos de término da construção do verdadeiro Titanic, que foi concluído em 02 de abril de 1912.

● O modelo levou 1 ano e 10 meses para ficar pronto, o verdadeiro Titanic consumiu três anos de obras.

● O verdadeiro Titanic possuía 20 botes salva-vidas, no entanto meu modelo só possui 19 deles, visto que aproveitei a quebra acidental de um de meus botes para deixar seu lugar vazio, simulando desta maneira que o do bote já teria partido da maquete. O bote ausente da maquete (e que eu quebrei acidentalmente) é o de número 12, que na vida real partiu do Titanic carregando 30 pessoas a bordo as 1:30 da madrugada de 15 de abril de 1912, cinquenta minutos antes do naufrágio final. 

● Todos os interiores da maquete que são visíveis foram feitos de acordo com fotos de época do verdadeiro Titanic ou, em alguns casos, tomando como base em recriações em computação gráfica. Para os interiores onde não se conhecem fotos ou recriações, utilizei então apenas as plantas baixas do navio, seguindo informações generalizadas e usando a criatividade para recriar o visual decorativo do local.

● Ao optar por não comprar os projetos específicos para a construção de maquete, acabei utilizando fragmentos de projetos do Titanic criados por vários especialistas  diferentes, e isso acabou gerando muitos problemas e discrepâncias de informações, o que me obrigou a adaptar estas divergências ou optar pela versão mais adequada em minha opinião.

● A representação de ferrugem ao longo da área negra do casco do Titanic foi uma decisão pessoal, criticada por alguns, muito elogiada por outros. Representar este grau de ferrugem no casco do navio garantiu que a maquete parecesse 3 vezes mais interessante e real nas fotos e vídeos, ainda que o verdadeiro Titanic certamente tivesse uma quantidade muito menor de ferrugem, considerando que era um navio novo em sua primeira viagem.

● Devido a atenção concentrada nos detalhes do verdadeiro navio, durante a construção da maquete acabei descobrindo dezenas de detalhes nunca antes notados (por mim e também por modelistas profissionais), e então incorporei estas informações ao meu  trabalho, muitas delas totalmente inexistentes nos mais conhecidos modelos do Titanic.

● De início recriei as cortinas nas dezenas de janelas retangulares laterais da maquete acompanhando informações históricas sobre as cores das cabines do navio, mas ao perceber que com a variação enorme de cores tudo acabou ficando com cara de "carro alegórico", deixei as informações sobre as cores de lado e recriei as cortinas com cores mais suaves a meu modo.

● Apesar de muito detalhada, a maquete passa longe da perfeição, e contém uma quantidade considerável de falhas históricas, seja por falta de habilidade, de atenção, falta de fontes de informação ou por simples escolhas pessoais e licença criativa.

● Mais da metade das centenas de fotos do começo da construção do modelo se perderam com problemas no meu computador pessoal.

● Durante a construção mantive um relatório diário de todo o processo, que igualmente foi perdido devido a problemas no computador, restando apenas os primeiros meses de anotações detalhadas.

● As duas cúpulas (domos, clarabóias) das duas escadarias são feitas com uma embalagem plástica redonda de um borrifador.

● Para fazer a simulação de tubulação abaixo da sacada do convés A da maquete eu usei hastes de aço retiradas de um guarda chuva velho.

● Para construir o modelo consultei constantemente as fotos e vídeos de um conjunto de 4 maquetes criadas por terceiros, consideradas as melhores maquetes do Titanic já construídas no mundo.

● Boa parte das fontes de pesquisa para a elaboração do modelo veio da Internet, mas um conjunto de mais de 80 mil fotos e vídeos arquivados em HD foi constantemente consultado para tirar dúvidas sobre o visual do Titanic.

● Foram gastas mais de 300 folhas de sulfite apenas para a impressão dos fragmentos de projetos de referência para a construção da maquete.

● Devido a insatisfação com a coloração aplicada nas chaminés, foi preciso aplicar mais de 15 demãos de tinta em cada uma delas, até que a cor final fosse alcançada.

● A caixa de MDF onde está o modelo também foi integralmente planejada e montada por mim, e o plano de fundo com o céu pintado tem cantos internos curvos, para evitar uma quebra de continuidade na paisagem de fundo.

● Usei 7 litros de resina acrílica azul para recriar o oceano.

● Foram utilizados mais de 45 metros de fio elétrico para ligar os circuitos da maquete.

● Caso ocorra falha na iluminação interna da maquete será impossível fazer reparos, visto que os módulos não são desmontáveis.

● Devido ao fato de que eu não tenho experiência suficiente para construir uma maquete 100% completa do navio e iluminada, optei por construí-la na configuração de "navegando", e o lado oposto do modelo não foi plenamente detalhado, visto que a maquete ficará permanentemente exposta apenas dentro da vitrine.

● Boa parte dos modelos profissionais deste gênero é feito com a utilização de estireno, um plástico especial para modelismo, mas optei por trabalhar exclusivamente com variados tipos de papel por já conhecer muito bem as particularidades do material e por ser muito mais barato.

● A estrutura interna da maquete foi feita com papelão comum, apesar de conter dezenas de reforços feitos com palito de sorvete.

● Os dois mastros são feitos com uma barra de ferro revestida com revestimento de imitação de placas de aço feitas de papel.

● Apesar de seguir quase rigorosamente fotos de época e informações concretas sobre o visual do Titanic, algumas peças foram feitas com base nos cenários do filme "Titanic" (1997), como os porões de carga, onde o esquema de cobertura de lonas é uma cópia fiel da versão exibida no filme.

● Cada uma das dezenas de "respiradouros" na maquete (peças brancas com formato similar a de um cachimbo) foi feita com projetos individuais exclusivos para cada um.


Visitem o blog Titanic em Focos e vejam mais fotos deste trabalho e textos informativos.

HÁ 104 ANOS NO DIA 03/04/1912


No dia 3 de abril, o tempo estava bom, fazia frio enquanto o Titanic atravessava o canal de São Jorge. Entre 4:00 e 6:00 horas, enfrenta espessa neblina. Servido o café da manhã: frutas frescas e tomates, omelete, mingau de aveia, batata sauté, filé recheado, rolos de arenque defumado, guizado de frango com agrião, bolinhos fritos de cevada, presunto, salsichas, ovos quentes ou fritos. Nas profundezas do navio, a atmosfera não é tão amena. Abrasa-se o carvão no depósito de estibordo da sexta sala de caldeiras e o fogo se alastra. Carvoeiros e fornalheiros começam a agir, retirando-o e molhando-o.

Ao meio-dia, o navio contorna Land's End, extremo ponto sudoeste da Inglaterra. Na Sala Marconi, atrás da primeira chaminé, o telegrafista John Phillips e seu assistente Harold Bride, procedem aos ajustes finais do equipamento, com uma chamada geral. Surpreendentemente, respondem uma estação de Tenerife, a quase 4.000km de distância, e outra de Port Said, a mais de 5.000km.

A noite, perto da ilha de Wight, ao largo de Southampton, encontra-se o navio com a embarcação do prático do porto, George Bowyer, que se transfere para bordo. Pouco antes da meia-noite, o Titanic chega a Southampton, atracando no cais 44 da White Star Line. Os rebocadores Hector, Ajax, Hércules e Netuno, da Red Funnel Line, aproximam o navio do cais, puxando-o pela popa. Por causa da greve dos carvoeiros, iniciada seis semanas antes, há numerosos vapores inativos, entre eles o New York, da American Line, que em breve será protagonista de um ominoso incidente.


sábado, abril 02, 2016

HÁ 104 ANOS NO DIA 02/04/1912


Às 10:00 horas, do dia 2 de abril, puxado por rebocadores, o navio deixa a doca no rio Lagan e, por seus próprios meios, navega no lago de Belfast, que tem 20km de comprimento e entre 5 e 8km de largura. Ali começam a ser testados os equipamentos, a velocidade até 20 nós e manobras e paradas com reversão de motores.

Às 14:00 horas, o navio avança para o mar da Irlanda, à velocidade de 18 nós (33,3km/h), prosseguindo os exercícios, e em duas horas retoma a Belfast. O período de testes dura menos do que um dia. O supervisor do Board of Trade, Francis Carruthers, procede à inspeção do navio, e uma empresa londrina ajusta as bússolas para operações em mar aberto. É o dia da partida para Southampton. Encontram-se a bordo, além de outros 112 tripulantes, oito oficiais (Comodoro Edward Smith, Chefe dos Oficiais William Murdoch, 1º Oficial Charles Lightoller, 2º Oficial David Blair, 3º Oficial Herbert Pitman, 4º Oficial Joseph Boxhall, 5º Oficial Harold Lowe, 6º Oficial James Moody).

O presidente da Harland & Wolff, Lorde Pirrie, não comparece por motivo de saúde, está com pneumonia. Em seu lugar, embarca o engenheiro Andrews, acompanhado de oito técnicos do estaleiro, o chamado Guarantee Group, que deverá avaliar o desempenho do Titanic e sugerir alterações. O diretor de operações da White Star Line, Bruce Ismay, também não embarca, devido a compromissos familiares, e é substituído por outro executivo da empresa, Harold Sanderson.

Às 18:00 horas, o Titanic é puxado pelos rebocadores Herald (proa de bombordo), Haskinson e Herculaneum (costados de bombordo e estibordo), e Horbury (proa de estibordo), ao longo do rio Lagan e do lago de Belfast. Perto da cidade de Carrickfergus, na embocadura do lago, os rebocadores se afastam, e o navio, conduzido pelos timoneiros Alfred Nichols, e Albert Haines, e ainda sob inspeção, navega até o mar da Irlanda, retoma ao lago de Belfast e, parando, recebe de Carruthers o certificado: "Bom por um ano a partir de 2 de abril de 1912".

Às 20:00 horas, parte o Titanic para cobrir 917km até Southampton, principal terminal dos vapores da WSL desde 1907. Quem o comanda é o Capitão Charles Bartlett, Superintendente de Marinha da White Star Line.

sexta-feira, abril 01, 2016

RELEMBRANDO RODRIGO PILLER E SUA 1ª MAQUETE

No dia 11/02/2007, o blog Titanic Momentos trazia com exclusividade outra entrevista com o nosso amigo e Titânico Rodrigo Piller. Desta vez o artista nato por natureza, contaria o processo de criação da sua primeira maquete do RMS Titanic. A entrevista na época foi dividida em 4 partes.

Neste mês de Abril, resolvi relembrar este momento mágico. Para quem ainda não leu, espero que todos gostem da matéria. Para os antigos, vai um momento de nostalgia.


“Mais vale a pena viver, ser chamado de louco e ser feliz fazendo-se o que ama do que entrar para as convenções que o mundo impõe e passar a vida inteira infeliz, com os olhos vendados para todo o esplendor que o mundo tem a oferecer. Viva e busque a felicidade nas menores coisas e nos maiores atos...”

Rodrigo Aparecido Piller


Olá amigos, desta vez estou de volta para contar-lhes como começou esta loucura toda e como foi que consegui fazer minha maquete do navio com 2 metros e 24 centímetros de comprimento.

A história vem desde quando eu era pequeno, pois desde essa época eu gostava de desenhar e fazer qualquer coisa de artesanato, sempre fui interessado nesse tipo de coisa e por isso às vezes digo que isso já nasceu comigo. Os anos passaram-se, eu cresci e então aos 11 anos em 1997 acontece o lançamento do filme Titanic, uma febre que dominou o mundo e que sem mais nem menos me pegou também. Assistia fascinado a todas as reportagens da TV e ficava interessadíssimo em tudo o que tinham a dizer sobre ele.

Não tive a oportunidade de assistir ao filme no cinema e então a primeira vez que o vi foi através de uma professora de inglês que levou o filme para o colégio e então pudemos assistir; foi loucura a primeira vista, nunca senti nada nem parecido com sensação que tive ao ver aquelas imagens, igualmente aconteceu com muitos a minha volta, tendo em vista que o filme foi algo hipnótico para o mundo todo.

Como eu era muito novo tudo não passou daí, eu não tinha vídeo para ver o filme novamente e tão pouco dinheiro para poder adquirir algo sobre ele. Sempre me lembrava do filme e sentia vontade de saber mais.

Os anos passaram-se e em 2002 foi lançada nas bancas, pela editora Salvat, a revista “Titanic - Sua História, Mistérios e Lenda”, com isso endoidei novamente. Pedi aos meus pais que me dessem a revista e que comprassem semanalmente, porém o preço era alto e eles não gostaram nem um pouco de minha idéia, principalmente porque briguei com eles. Com isso lembrei que minha prima tinha um pôster da época do lançamento do filme que contava sobre o naufrágio, então fui até a casa dela e pedi o pôster para mim e ela me deu. Esse foi o primeiro item de minha coleção.

Como meus pais não podiam me dar à revista, juntei dinheiro e comprei a primeira edição que saiu nas bancas, e, para minha surpresa na primeira veio um projeto parcial do navio, e a primeira peça para a montagem.

No começo de 2002 fiquei sabendo que no fim daquele ano teríamos uma feira de ciências no colégio e que a melhor dessas feiras ganharia prêmios e medalha. Fiquei muito animado, pois um ano antes eu tinha feito uma feira de ciências sobre múmias que tinha dado muito certo.

Comecei a conversar com uma amiga sobre o que poderíamos fazer, idéias foram surgindo, mas nenhuma nos interessou até que apareceu: Por que não fazemos sobre o Titanic?

Na mesma hora a idéia foi aceita. Idealizamos uma enorme maquete do navio que eu tentaria construir através do projeto que já tinha em mãos e no mesmo dia idealizamos muitas coisas. Estava armado nosso plano da feira. O resto daquele ano foi de intensa pesquisa para podermos encontrar toda a história do navio, contei muito com a colaboração de todos que realizaram a feira comigo.

Logo em seguida a isso (em março ou abril) comecei a fazer uma pequena maquete do navio (como teste) que não evoluiu, pois devido às pequenas dimensões não permitia que conseguisse trabalhar direito, ela tinha apenas 43 centímetros de comprimento.

Abandonei a idéia e logo em seguida parti para fazer uma em tamanho maior. A primeira que fiz tinha exatamente o mesmo tamanho do projeto em desenho que veio na revista porque eu não sabia como trabalhar direito com escala, porém sabia que se fosse construir outra maior teria de entender muito bem como transformaria pequenas medidas em dimensões corretas para uma grande maquete. Lembrei-me de ter feito em 2001 a maquete de minha casa e foi nessa maquete que aprendi por mim próprio como se faz para trabalhar com escala.


Tendo relembrado como se fazia, parti para fazer uma maquete com 107 cm, que serviria como base quando eu fosse construir a que usaríamos na feira de ciências. Mal comecei a fazer e desanimei da idéia porque não tinha detalhes o suficiente no projeto e ainda faltava bastante até a data da feira de ciências.

Quando essa data foi definida, 23/11/2002, nós começamos a levar a sério a idéia e retomei a construção da maquete, finalizando-a algum tempo antes e também começando a fazer os outros objetos que usaria na feira. Comprei os materiais e fiz desde cartazes até luminárias de parede que usaríamos para dar um clima mais interessante a nossa feira. Faltando cerca de duas semanas para a feira comecei a construção da maquete de 2 metros e 24 centímetros de comprimento do navio.

Resolvi usar papel para fazê-la, pois não tinha como trabalhar com algo mais resistente, usei então papel paraná, um tipo de papelão prensado que é bastante resistente.

Com o filme em mãos, para poder ver os objetos que o projeto não mostrava (principalmente todo o convés de proa e popa) comecei a medir e a cortar os papéis.

Fiz à base do convés C de proa a popa, embaixo dela fiz a estrutura de sustentação com papelão comum onde posteriormente adicionaria toda a lateral do casco do navio.
Montada essa estrutura fui fazendo os conveses superiores até chegar ao topo.

Fixei o casco todo e a parte que me deu mais trabalho no casco foi a popa, pois sua forma arredondada foi complicada de reproduzir; não fiz janelas no casco, pois achava desnecessário.

Na construção resolvi fazer apenas o lado de bombordo do navio porque para apresentá-lo no colégio ele ficaria paralelo a uma parede e as pessoas não veriam o lado de estibordo (o resultado disso é que fiz o lado contrario ao que Cameron fez em sua réplica para as gravações do filme).

Fui concluindo o trabalho e desenhando algumas janelas e portas aleatoriamente, pois não conhecia o navio direito. As janelas laterais eram todas desenhadas, pois achava que colocar luzes seria muito difícil.

Em seguida comecei e fazer uma série de três maquetes que representariam uma linha do tempo:

► Seria a maquete que já tinha feito no começo do ano que era o navio inteiro com um metro e sete centímetros e que eu usaria para mostrar o choque com o iceberg.
► Uma maquete na mesma escala da primeira, mas com o navio com um ângulo de 45 graus já sem os botes salva-vidas.
► Outra na mesma escala, mas mostrando apenas o fim da popa do navio que já estava acabando de afundar.
► Uma maquete em tamanho bem aumentado de um bote salva-vidas lotado de pessoas.


Ao terminar isso tudo (e depois de muito trabalho com lembranças, luminárias, textos de explicação, cartazes e tudo mais) fui um dia antes para o colégio montar a sala toda.

Escurecemos a sala com grossas cortinas, colamos os cartazes, colocamos tapetes e mais cortinas, as luminárias, instalamos um vídeo e uma TV e começamos a montar a mesa onde colocaríamos no dia seguinte a maquete grande e as pequenas.

No dia seguinte levei o restante dos objetos e a maquete grande, que teve de ser colocada em um suporte em cima de um carro, pois não cabia dentro. Estava garoando forte e a maquete chegou um tanto úmida, mas sem danos.

No meio do caminho um homem nos parou e queria saber se vendíamos a maquete do navio, a resposta foi não, pois sabia que antes de apresentar não podia me livrar dela.
Chegamos ao colégio e fomos finalizar.

Para simbolizar o oceano fiz um “mingau” bem encorpado de água, maisena e tinta azul e espalhei ao redor do navio e das outras maquetes, o resultado foi como se tivéssemos gasto uns 10 litros de gel para cabelo em tom azul.

Coloquei o iceberg ao lado da maquete menor em seguida a maquete dele em 45 graus, a terceira dele acabando de afundar e por último o bote lotado. Estava pronta a linha do tempo.

Era grande a expectativa e o nervosismo que se misturava com uma enorme alegria e emoção por estar fazendo algo que tanto amava.

As pessoas começaram a entrar aos poucos e conforme o tempo passava e a noticia se espalhava apareciam mais pessoas até o ponto da sala não suportar mais gente.
Todos me perguntavam como eu havia conseguido quanto havia demorado e tudo mais.

O filme estava passando na TV e muitos ficavam hipnotizados pelo clima que remetia à todos a uma história tão fascinante quanto triste. O rádio tocava a trilha do filme e o clima foi perfeito. Ao final da feira a sala lotou novamente e como não tínhamos como esvaziá-la tivemos que desligar a TV, pois ninguém queria sair de lá. Tudo finalizado a alegria era imensa, e pelos comentários o sucesso da feira era quase garantido.

Dias depois ficamos sabendo a resposta. Tínhamos ficado em 1º lugar! As premiações seriam logo em seguida, mas prêmio mesmo não veio; todos se revoltaram com isso, pois era promessa do colégio.

Eu mesmo fiquei indignado, porém o meu desejo maior era realizar a feira e isso eu já havia conseguido. Com os objetos em casa novamente arrumei uma cantinho para as maquetes e o restante eu guardei como deu. Não parei mais de procurar sobre o assunto e comecei a pensar em acrescentar mais coisas à minha maquete, colocar luzes e corrigir o que estava errado, foi o que fiz.

A primeira coisa que fiz algum tempo depois foi colocar luzes de pisca-pisca e trocar toda a lateral branca do navio substituindo por janelas vazadas e forradas com papel de seda para mostrar a claridade do interior; também fiz janelas no casco do navio e coloquei luzes dentro.

As reformas posteriores foram desde trocar o modelo dos guindastes por modelos mais parecidos à acrescentar 45 bancos de convés, 80 cadeiras de descanso, bandeiras decorativas, nova âncora e, por fim, acrescentar 80 pessoas andando pelos conveses (feitas com massa de biscuit).

A última coisa que fiz no navio foi abrir duas portas e fazer duas salas. A primeira porta fica no convés D (casco do navio) e é uma sala de estar com sofá, mesa, quadro, tapete e etc.. A segunda é no convés E, e mostra um salão mais simples com janelas, bancos, cadeiras, portas, tapete e quadros.

Esses dois lugares são tão minúsculos que não consigo fotografar com nitidez. Ao passar o tempo as maquetes pequenas estragaram-se muito. A de 107 cm foi reformada e vendida à uma amiga, a com o navio afundando foi totalmente reformada e dada a um primo que se interessou pelo assunto e as outras duas tive de jogar fora devido ao mal estado.


Em 2006 o navio grande já estava muito empoeirado (apesar de limpá-lo algumas vezes) então resolvi fechá-lo numa vitrine para que não se estragasse. O estopim de tudo foi quando uma criança chegou até ele e arrancou de uma só vez um dos botes salva-vidas com turco e tudo!

Arrumei madeira e madeirite e montei uma enorme caixa com 2 metros e 30 centímetros de comprimento, 61 centímetros de altura e 31 centímetros de profundidade.

Refiz o oceano e desta vez fiz de papel amassado, o qual pintei e fixei ao navio. Pintei o céu na paisagem de fundo, revesti toda a caixa com papel contact na cor de madeira e encomendei um vidro para fixar na frente da caixa.

Antes de colocá-lo na caixa ainda coloquei mais luzes e repintei toda a lateral do navio (casco), pois já estava desbotada.

Para que não desse problemas na hora de futuras manutenções tive de fazer a caixa com tampa e de modo que o vidro fosse móvel.

Dito e feito... Não passou muito tempo e aconteceu o primeiro problema: as luzes de pisca-pisca queimaram e tive de desmontar tudo para tentar resolver. Por sorte não foi muito difícil (como em vezes anteriores que aconteceu o mesmo). Na segunda vez que se queimaram (parcialmente) não foi tão fácil assim. Logo depois de desmontar e tentar resolver o problema vi que já não havia mais jeito, mas me conformei já que tinham passado-se mais de três anos sem que tivesse perca total nos frágeis e problemáticos pisca-pisca. Fechei tudo novamente e desisti de consertar.

Passado alguns dias comecei a pensar que seria um grande desperdício deixá-lo sem parte das luzes, então abri tudo novamente e fui colocar novas luzes para reforçar a iluminação. Depois de um dia inteiro de trabalho consegui o que queria: além de consertar o dano ainda pude deixá-lo mais iluminado que antes.

Se hoje em dia eu tentasse refazer o navio com certeza daria muito mais certo e ele ficaria muito mais bem feito. Digo isso, pois na época em que o construí nem o conhecia direito e as reformas apenas deram um aspecto melhor. O conhecimento que adquiri com tudo isso me faria melhorar e muito os resultados com uma nova maquete. Essa foi na verdade minha primeira aventura com relação ao Titanic, depois disso aconteceu que minha mania não parou de aumentar e junto com ela também aumentou mina coleção e aí veio o relógio da suíte de Rose em fevereiro de 2006, o relógio da grande escadaria em março do mesmo ano e meu mais novo trabalho que é a cadeira que concluí em janeiro de 2007.

A emoção e alegria que sinto em poder dividir algo que tanto amo com outras pessoas é algo indescritível. Minha vontade era de que todos que admiram essa mesma história tivessem a oportunidade de viver as mesmas alegrias que vivi até aqui. Acredito que essas pessoas tem algo de muito especial em seus corações que faz com que compreendam o que essa trágica história ensinou a toda humanidade.

Todos esses trabalhos podem ser vistos também em meu álbum do orkut e todos que se interessam sobre o assunto serão bem vindos...

Mais uma vez um abraço à todos...

Rodrigo Aparecido Piller