domingo, dezembro 27, 2009

PRÍNCIPE DE ASTÚRIAS NO CINEMA


Imagine uma madrugada de Carnaval no Litoral Norte de São Paulo em que corpos começassem a aparecer nas praias, trazidos pela correnteza e ondas do mar. Bem poderia ser este um roteiro de filme de terror. Mas não é. Trata-se de uma história verídica contada pelo documentário Naufrágio - Mistério e morte na catástrofe do Príncipe de Astúrias, de Eduardo Sallouti. O filme, que estreou nesta sexta-feira, dia 25, apenas na cidade de São Paulo, remonta a trajetória do maior naufrágio da história do Brasil.

Em 1916, o navio afundou no litoral de Ilha Bela matando cerca de 1200 pessoas. Luxuosa, a gigantesca embarcação estava repleta de famílias nobres, além de sua imensa tripulação. A densa neblina no mar do Atlântico, um desvio de bússola e o choque com as pedras deram cor e números à tragédia. Centenas de pessoas afundaram junto com o navio naquela madrugada de quase um século atrás.

É verdade que a história lembra aquele filme do cinema. Contudo, o famoso Titanic afundou quatro anos antes e os fatos acima remontam um roteiro que ainda não foi às telas. O Príncipe de Astúrias deixou Barcelona com direção a Recife e afundou em Ilha Bela, quando se dirigia ao porto de Santos.

"As coincidências com o Titanic são realmente impressionantes. Acredito que até pela proximidade das datas, quatro anos depois, a história do Príncipe de Astúrias não tenha chamado tanto a atenção na época", disse Edu Sallouti. O lendário Titanic afundou em 1912, matando 1523 pessoas. Já o transatlântico espanhol que Sallouti resgatou em seu documentário naufragou em 1916, como foi dito, nas águas do Litoral Norte de São Paulo.

Segundo o diretor, fica difícil precisar a verdadeira causa da tragédia. Especula-se um torpedo vindo de um navio alemão, um choque com um navio inglês e até uma sabotagem, com bombas no interior do navio. Mas, a causa mais provável é que o Príncipe de Astúrias tenha se chocado com pedras, por um erro de seu capitão ou por um problema na bússola.

"Os indícios apontam mais para essa causa, sem dúvida", disse Edu Sallouti, que estudou e pesquisou a história da embarcação por 6 anos. O que é certo é que o barco afundou muito rápido. Oficialmente, 460 pessoas foram mortas. Mas, seu número mais provável conta aproximadas 1200 mortes. "É sabido que foram aproximadamente 1200 vítimas, a tripulação na sala de máquinas era imensa. Há ainda relatos bizarros de corpos saqueados por caiçaras nas praias que jamais foram encontrados", completa o diretor.

Trazidos pela maré e aparecendo nas praias de Ubatuba, os cadáveres protagonizaram uma das passagens mais dantescas desta história. Muitos caiçaras, pescadores locais, percebendo a riqueza que acompanhava os passageiros mortos, começaram a saquear os corpos ali mesmo na areia da praia. Dedos, com anéis e jóias, foram cortados. Corpos foram mutilados, desenterrados, lavados, e enterrados novamente.

"É bizarro, mas é verdade. Além dos relatos da época, alguns corpos encontrados posteriormente confirmaram isso. Mas, talvez, mais assustador que isso seja o fato de que onze toneladas de ouro podem ainda estar lá. Isso porque esse ouro embarcou junto com os judeus, que eram maioria como passageiros. Onze toneladas de ouro soldado e escondido na superestrutura do navio. Estamos falando de cerca de 1,4 milhões de libras, que possivelmente ainda estejam no fundo do mar até hoje", contou Sallouti.

Até hoje? O maior desafio é que as condições para um resgate minucioso no transatlântico são muito adversas. O mar é revolto, mas tem-se conhecimento de que muitos piratas já efetuaram algumas buscas lá embaixo - e apenas eles sabem o que encontraram.

Edu Sallouti ouviu para o documentário um mergulhador que já tem mais de 400 incursões na embarcação. "Ele é quase um legista, sabe muito bem como está lá no fundo". Mais que isso, sua lista de principais fontes conta com um capitão da marinha, um historiador, além de filhos e netos dos sobreviventes.

O documentário Naufrágio - Mistério e morte na catástrofe do Príncipe de Astúrias estreou nesta sexta-feira, dia 25 e ficará até o dia 30 em uma única sala de cinema em São Paulo, Sala Reserva Cultural, localizada na Avenida Paulista, 900. Quinze pessoas trabalharam no filme, que tem a duração de 72 minutos e custou R$ 550 mil - com investimentos privados e subsídios do governo. "Não há ficção no filme, toda reconstituição foi feita por ilustrações, sem encenação. Filmamos o navio com a contratação de uma equipe de mergulhadores, mas também aproveitamos imagens de arquivos pessoais de outros que já filmaram ali", explicou Edu Sallouti.

O diretor obteve ainda algumas imagens em pesquisas realizadas em museus de Santos, além de alguns materiais que vieram de colecionadores particulares. E, assim, trouxe à tona esse gigante dos mares, com uma misteriosa história ainda maior que ele.

Clique aqui para assistir aos bastidores da produção. (fonte: TerraTV)


Opinião: Gostei do que assisti, mas percebi duas pinturas, uma sendo do RMS Titanic e a outra sendo do HMHS Britannic no documentário. Resta saber se foi um erro ou se será uma explicação de outros naufrágios.

10 comentários:

Tommy disse...

:O
so em uma sala de cinema em SP, nao gostei :(
tomara que saia em dvd ou passe na tv
parabens pelo post, bom domingo capitão :)

Mário disse...

recordo-me de um post que o diego fez no meu blog lembra? nunca prestei a devida atençao mas achei interessante isso.gostaria de conhecer o filme.

Raphael disse...

Ja li o post antigo aqui no blog e achei MARA, esta novidade é mto boa para fans de naufragios, pena que so foi colocado numa sala de SP. Vamos torcer pra sair em DVD. Dai compro o DVD e o livro. =)

Parabens capitao, bom post :)

Luiz Felipe disse...

ahhhh num vale kkkkkkkkk

vamos esperar o dvd

otimo post capitão

;)

Ana Paula disse...

eletrizante os bastidores, pena ser apenas para SP :(

Leonardo disse...

Já tinha visto essa matéria em outro site,mais vale a pena assistir,conheço muito pouco sobre esse naúfragio,tomare que saia para DVD....

Viviane disse...

fico pensando nas cenas macabras de mortos na praia sendo cortados para serem roubados :S

bernardo disse...

sou louco com o livro mais eh caro d+ :(

Anônimo disse...

BOM DIA!
GOSTARIA DE FAZER UMA CORREÇÃO O NOME CORRETO DA ILHA É´"ILHABELA" NÃO HÁ SEPARAÇÃO.

Gostaria de saber como uma embarcação que sai da Espanha com destino à Recife afunda no litoral de São Paulo?? Já não havia passado seu destino???

Gostei da reportagem.

Naufragio do Principe de Asturias disse...

Olá ,

Muito bom o artigo.Fala-se em 445 mortes de um total de 700 pessoas.

Meus avós estavam no naufragio e sobreviveram.

Gostaria de saber e se possível receber o nome dos passageiros e verificar se meus avós se encontravam nesta lista.

Seus nomes são Antonio Martins Caparo e Consuelo Lopes Cruz ,infelismente meu tio Antonio de um ano de idade na época nao sobreviveu.

Se puderem me ajudar com a lista seria muito importante para mim e para a Casa de Espana D. Felipe aqui em Sorocaba SP

Grato

Marco Antonio Martins Neves

mamn@ig.com.br
marcoantonio.martinsneves@gmail.com