segunda-feira, maio 22, 2006

NAUFRÁGIO DO PRINCIPE DE ASTURIAS

Em 1908, em Barcelona, a companhia Pinillos y Yzquierdo y Cia inaugurava uma linha regular de carga e passageiros unindo a Europa a costa da América do Sul. Com o aumento da procura de viagens para o Brasil foi encomendado nos estaleiros Russel & Co., em Glasgow na Escócia, dois novos navios mistos de porte médio. Os transatlânticos Infanta Isabel (1911) e o Principe de Asturias (1913), realizando suas respectivas viagens inaugurais entre Barcelona e Buenos Aires em setembro de 1912 e agosto de 1914. Ambos possuíam 150 metros de comprimento, com mais de 16.500 toneladas brutas, capacidade para 1.300 passageiros, casco duplo e duas hélices.
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Os navios eram ricamente mobiliados. Os camarotes da primeira classe estavam no nível acima do convés, alguns com sala, quarto e banheiro e os mais simples apenas com quarto e banheiro, ambos possuíam ventiladores, assim como os salões públicos.
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A rota de travessia do Atlântico durava cerca de 30 dias, partindo a cada dia 17 de Barcelona e escalando em Cadiz e Las Palmas na Espanha, Canárias, além do Rio de Janeiro e Santos no Brasil, Montevidéu, no Uruguai, antes de atingir Buenos Aires.
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A viagem para a América Latina de número 6 do Principe de Asturias iniciou-se em Barcelona, com direção a Santos. A bordo estavam registrados oficialmente entre passageiros e tripulantes, 578 pessoas, embora existam versões que mais de 800 imigrantes clandestinos se espremiam nos porões fugindo da Guerra na Europa. A bordo do navio eram transportadas grande quantidade de metais como: estanho, amianto, cobre, zinco, aços, fios elétricos e vinho português. Além de 12 estátuas de bronze, componentes do Monumento "La Carta Magna y las Cuatro Regiones Argentinas" do Parque Palermo, em Buenos Aires, e supostamente um valor de 40.000 libras-ouro.
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Na manhã do dia 06 de março de 1916, um domingo de Carnaval, chovia forte e a cerração tornava a visibilidade quase zero. Soprava um forte vento leste e o mar estava muito agitado e com grandes vagas, que chacoalhavam o navio. Já na madrugada de segunda-feira a chuva ainda caia forte e a cerração anulava quase toda a visão. Ao se aproximar da Ilha de São Sebastião (Ilhabela) o capitão José Lotina ordenou diminuição da marcha e mudança do curso em direção ao alto-mar. Às 4 horas e 20 minutos à maioria dos passageiros que estavam a bordo do vapor, já dormiam. Porém no luxuoso salão de festas do navio, a orquestra ainda tocava animadas marchinhas de carnaval, quando de repente um relâmpago iluminou a noite escura e revelou quão próximo dos rochedos da Ponta da Pirabura estava o transatlântico.
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Imediatamente o comandante gritou: "É terra!", e jogando-se sobre o telégrafo de máquinas comandou: "Máquinas, toda força a ré" ordenando leme todo a boreste. Não havia tempo para o cumprimento das ordens e o choque era inevitável. O navio bateu violentamente na lage submersa da Ponta da Pirabura, abrindo uma enorme fenda no casco. Segundo o relato de alguns sobreviventes com a entrada de água na sala de máquinas, duas das caldeiras explodiram, o que provocou o rápido naufrágio. O Principe de Asturias desapareceu em menos de cinco minutos, levando consigo cerca de 450 almas. Muitos homens, mulheres e crianças foram lançados ao mar na escuridão da noite, sendo arremessados pela violência das ondas contra o íngreme costão da ponta da Pirabura. Outros, com destino não menos cruel, pereceram presos no interior do navio, que submergiu rápida e completamente devido a grande profundidade do local.
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Oficiais do navio relataram que na ponte de comando o Capitão José Lotina e seu Primeiro Oficial Imediato Antônio Salazar decidirão por fim a suas vidas, dando um tiro na cabeça; os corpos dos dois oficiais nunca foram encontrados. Muitos corpos acabaram por chegar à praia da Ilha de São Sebastião e as histórias de horror, heroísmo e roubo dos cadáveres brota no imaginário da Ilha. Alguns sobreviventes, agarravam-se a fardos de cortiça pra manter-se na superfície. O navio inglês Vega recolheu muito dos sobreviventes e alguns cadáveres, mas a grande maioria de corpos, foram parar na baia de Castelhanos, em Ilhabela e na Praia Grande em Ubatuba. O lugar, ainda hoje ermo, apresentava tantas dificuldades de acesso que os corpos foram enterrados na própria praia.
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Os números oficiais falam em 445 mortos entre os 578 passageiros e tripulantes. Nunca foi provado que existiam imigrantes viajando não registrados. Nos alojamentos próximos da sala de máquinas e caldeiras, podiam ser acomodados mais de mil pessoas. Em 1989 foi autorizada a salvatagem; muitas partes dos destroços foram dinamitadas e retiradas: louças, talheres, garrafas e apetrechos de marinharia foram recuperados juntamente com parte da carga de metais. Uma pá do hélice foi retirado na operação de resgate. Para este resgate foi instalado um teleférico de carga, por onde era retirado o material salvatado. Parte das estruturas de sustentação deste sistema ainda podem ser vistos junto a Ponta da Pirabura, no costão acima dos destroços.
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Em 1º de outubro de 1990 duas estátuas de mulheres do monumento argentino "La Carta Magma y las Cuatro Regiones Argentinas" foram recolhidas. Uma delas está hoje em frente ao Serviço de Documentação Geral da Marinha (SDGM), na Ilha das Cobras RJ. O navio está praticamente paralelo ao costão, com sua proa voltada para leste e a popa para Oeste. Como foi muito dinamitado, encontra-se desmantelado. Meia-nau e popa estão apoiadas na areia e as caldeiras estão soltas caídas no fundo.
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Dedico este post, o Principe de Arturias, considerado o nosso Titanic Brasileiro, conforme documentário exibido no SBT Repórter em 1998, aos meus amigos (em ordem alfabética):
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André Felipe, Daniel Oliveira, Diego Pelegrino, Erik Gustavo,
Felipe Milward, Fernando Preito, Flávia Nogueira,
Geovani Barcelos, Gisele Salviano, Jefferson Kruger,
Jesse Kupfer, Jonas Febbe, Lorenna, Marcello Freyre,
Mário Monteiro, Marlon Delano, Natália Fonseca, Paula Elaine,
Reinaldo Nunes, Rosana Pires, Silvania Silva,
Tiago Jaze e Vinicius Amstalden.

11 comentários:

Felipe disse...

Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee ...................... hehehe .................. agradeço por er um dos dedicados ao post. Eu já tinha ouvido falar sobre esse navio mas não que ele havia naufragado dessa forma. Vivo aprendendo com o seu blog. Hehehe ...... valeu ..... abraços

jesse henrique disse...

oi legal esse post eu vi um materia sobre ele na tv uma vez
mto legal, vlw pela dedicaçao,abraços

flavia nogueira disse...

bom dia lindinhu, tb bem?
tah d++++, o blog, mto msm.
eh muita prepotencia do sbt dizer titanic brasileiro, nem nosso era o naviu, hehehe, mas tah valendu.
bigadu pelo meu nominhu na relaçao dos miguxus seu, bjx

lorenna disse...

OI MEU AMIGO...
VOCÊ SEMPRE SURPREENDENDO...
EU TINHA CONHECIMENTO DESTE NAUFRÁGIO, MAS ELE NUNCA HAVIA ME TOCADO DESSA MANEIRA...
REALMENTE "TITANIC BRASILEIRO"
OBRIGADA PELA HOMENAGEM...
VOCÊ É UMA PESSOA MUITO ESPECIAL!!!
BEIJINHOS...
PODE DEIXAR QUE EU ESTOU APROVEITANDO BASTANTE A FENAMILHO...
=D

Felipe disse...

E ae cara!?!?!?! . vlw pela boa vontade de me mandar o video!!!!!!! ............... é cheiu de erros!!!!! ... nem é o titanic q ta sendo lnçado ao mar!!!!!
esperos q esses erros n voltem mais a contecer ... abraços

Felipe disse...

Bom, vai pra vc a mesma coisa que foi Pro Jesse ........ ta na hora de atualizar isso!!!!!! ..... hehehehe .... abraços

marlon disse...

essa historia do principe é meio assustadora mesmo, sade acordar e da de cara com corpos nma praia, e sem falar de quem foi lançado nas pedras, valeu mesmo pela dedicaçao ai meu nomezinho la emaixo heheeh

Felipe disse...

Cara, ta na hora de atualizar isso!!!! ............ hehehe .... passei pra dexar um oi, ate + ........... postei matéria nova. Abraços

AIR SUPPLY EVOLUTION STAR disse...

Oi, já ouvi também falar sobre esse transa e que ele havia afundado aqui no Brasil, inclusive, o programa Globomar exibiu, algum tempo atrás, matéria sobre ele. Bem que poderiam existir filmes sobre outros navios naufragados, além do Titanic, assim, eles também se tornariam conhecidos.
Vc posta tb sobre barcos fluviais ou só os marítimos? Pois tem os fluviais General Slocum e o Sultana, já ouviu falar? Parabéns pelo blog, fui!

Dirce Olher disse...

Oi, tudo bem? meu nome é Dirce Olher, infelismente só agora tive conheciomento desta matéria, fiquei muito triste porque nêsse dia, também perdi meu avô (antes mesmo de conhece-lo, mesmo porque eu ainda nem tinha nascido, mas só de pensar fico triste. Meu avô se chamava José Olher Cots, beijos

Jeannis Michail Platon disse...

Relatos de
Isidor Prenafeta
Desde que a América foi descoberta em 1492, proliferaram no
decorrer dos séculos seguintes fluxos migratórios da Europa para
o Novo Mundo. Assim, a América era marcada por aventureiros
que não tinham nada a perder e tudo a ganhar, a qualquer custo.
No final do século XIX e adentrando o seguinte, a navega-
ção entre a Europa e América teve crescimento excepcional,
devido a grandes crises que assolaram as indústrias europeias,
gerando desordem e criminalidade entre os cidadãos do velho
continente. Os líderes políticos não foram capazes de chegar a
um acordo que poderia frear o egoísmo daqueles que começaram
a Primeira Guerra Mundial. Nova York era o destino central
para imigrantes que deixavam seus países de origem de
forma quase forçada pela fome e desemprego, além de serem
seduzidos por propagandas, nem sempre realistas, empreendidas
por companhias de imigração.
Dada a grande demanda de passageiros, a indústria naval
desenvolveu navios de grande porte, cada vez com maior capacidade
e velocidade. Embora sua ocupação fosse realizada em
sua maior parte por imigrantes de baixa renda, integrantes
das chamadas classes de elite também utilizavam seus servi-
ços, evidentemente, com todo o requinte e mordomias que seu
capital podia arcar. Além da motivação de uma agradável viagem
de lazer, muitos desejavam abandonar os distúrbios e incertezas
que permeavam o Velho Mundo e desejavam fincar
novas raízes em incipientes economias localizadas nos países
americanos. Levavam tudo o que possuíam, depois de vender
seus bens para ávidos especuladores.LEIA O LIVRO-ILHABELA O PRÍNCIPE DE ASTÚRIAS[CENTENÁRIO D NAVIO]