sábado, abril 16, 2011

APÓS O NAUFRÁGIO...


16/04/1912
Nova comunicação da White Star Line ao Board of Trade, em Londres: pesarosa, a empresa admite a gravidade do acidente e o salvamento de menos de um terço das 2.227 pessoas que se encontravam a bordo.

17/04/1912
Na data prevista para a chegada do Titanic a Nova York, a White Star Line, freta o Mackay-Bennett, da Commercial Cable Co., para procurar corpos na zona do naufrágio.

18/04/1912
Navios da marinha norte-americana, enviadas pelo Presidente Taft, oferecem assistência ao Carpathia, que não responde. O telegrafista Bride recebe três mensagem, da Estação Marconi de Sea Gate, em Long Island, pedido para manter a boca fechada sobre o que aconteceu. A troca de sua história por dólares de quatro dígitos. As 20h30min, na sala de jantar do Carpathia, o menino Frank Goldsmith vê uma luz pela janela e acha que um navio quase se chocou com o Carpathia. Na verdade eram as luzes do porto de Nova York. Mais de 10.000 pessoas e dezenas de jornalistas esperam o Carpathia no porto, e quase 30.000 populares se distribuem pela margem do Rio Hudson. O navio ultrapassa o cais 54 da Cunard, e sobe o rio até o cais da White Star Line, onde vai arriar os botes que traz pendentes do costado. Os jornalistas, ansiosos por informações, fretam barcos para chegar perto do navio e fazem perguntas aos náufragos através de megafones. O Carpathia retorna ao cais da Cunard às 21h30min, para o desembarque dos 705 sobreviventes. Os imigrantes também vão desembarcar ali e não na ilha de Ellis, uma das raras ocasiões em que essa exigência do Serviço de Imigração será dispensada. Começa o tumultuado desembarque. O corretor William Sloper é assediado por jornalistas, como todos os náufragos, e recusa-se a dar entrevistas, reservando seu depoimento para o New Britain Herald, cujo editor é seu amigo. Bride, por sua vez, vai vender sua história ao New York Times por 1.000 dólares. Cottam receberá do mesmo jornal 750 dólares pelo relato de sua participação. Na confusão do cais, o cão de Elizabeth Rothschild morre sob as rodas de uma carruagem. O salvamento do animal no Standard 6 haverá de repercutir na imprensa, pois o marido de Elizabeth não teve a mesma sorte.

19/04/1912
Aberto no senado norte-americano o “United States Senate Inquiry”, sob a presidência do Senador William Smith. Serão ouvidas 82 pessoas. Um repórter do New York Herald, desgostos o com William Sloper, publica que ele conseguiu salvar-se porque se vestiu de mulher. Não é verdade, mas o corretor passará o resto de seus dias a defender-se da vil calúnia. No cais da White Star Line, os funcionários trabalham afanosamente nos botes resgatados, lixando o nome Titanic.

20/04/1912
Em entrevista ao Providence Journal, nos Estados Unidos, Alfred Stead, irmão do jornalista William Stead, reclama das circunstâncias em que sobreviveu o diretor de operações da White Star Line, Bruce Ismay. O vapor Bremen passa pela zona do naufrágio e seus passageiros vêem corpos no mar.

21/04/1912
A White Star Line freta o Minia, da Anglo- American Telegraph Co., para o resgate dos corpos.

24/04/1912
Os fornalheiros do Olympic, que está de partida, entram em greve, reivindicando suficientes botes salva-vidas. Desertam 285 tripulantes e a viagem é cancelada. O navio permanecerá seis meses fora de serviço, para ser equipado com 68 botes. Também serão procedidas alterações estruturais: com seis compartimentos de colisão inundados, o navio poderá flutuar.

25/04/1912
Um membro do parlamento britânico, Josiah Wedgwood, interpela o Board of Trade. Ele quer saber por que morreram 65,38% das crianças da Terceira Classe.

30/04/1912
Os oportunistas não perdem tempo: em dia incerto, ainda em abril, é lançado na Alemanha o primeiro filme sobre o naufrágio, In nacht und eis (Na noite e no gelo), em preto-e-branco, silencioso, dirigido por Mime Misu, com duração de 30 minutos. Retorna o Mackay-Bennett. Encontraram 306 corpos, 190 recolhidos e 166 sepultados no mar, alguns identificados e outros sepultados sem identificação após minuciosa descrição do biótipo, indumentária e pertences. O quarto corpo resgatado é o de um bebê desconhecido, que comove a tripulação. Sobre o bebê, clique no link e veja a matéria já colocada no blog Titanic Momentos: DNA IDENTIFICA CRIANÇA QUE MORREU NO TITANIC


02/05/1912
Aberto em Londres, por ordem do Lorde-Chanceler, Conde de Loreburn, o “British Wreck Comissioner's Inquiry”, sob a presidência de Charles Bigham, Lorde Mersey, membro da Câmara dos Lordes. Serão ouvidas 96 pessoas, entre elas Charles Lightoller, Bruce Ismay, Stanley Lord (Capitão do Californian), Marconi, membros da tripulação, construtores do navio e inspetores do Board of Trade. Os únicos passageiros convidados a depor serão os menos aptos, Sir Cosmo e Lady Duff Gordon.

03/05/1912
Retoma o Minia: 17 corpos, 15 recolhidos e dois sepultados no mar.

04/05/1912
A tripulação do Mackay-Bennett acompanha o sepultamento do bebê desconhecido, que ela adotou, no Fairview Lawn Cemitery, em Halifax. No pequeno caixão, sobre o peito da criança, uma placa: "Our babe" (Nosso bebê). Os marujos se cotizam e erguem um monumento no túmulo.

06/05/1912
Parte o Montmagny, do governo canadense, para o resgate dos corpos. Achará quatro corpos: três recolhidos e um sepultado no mar.

14/05/1912
Um mês após o naufrágio, estréia nos Estados Unidos, em preto-e-branco, silencioso, o filme Saved from the Titanic, dirigido por Étienne Arnaud, com duração de dez minutos e protagonizado pela atriz Dorothy Gibson, sobrevivente no Standard 7, que representa seu próprio papel.

15/05/1912
A White Star Line freta o Algerine, de Bouring Brothers, para o resgate de corpos. Achará apenas um corpo. O total de corpos encontrados: 328.

25/05/1912
Encerrado o inquérito norte-americano. Mais isento do que o britânico, responsabiliza principalmente o Capitão Edward Smith, Bruce Ismay, Andrews Thomas e o Capitão do Californian Stanley Lord, mas é prejudicado pela insistência em temas colaterais, como a constituição e o regime dos icebergs, e pela ignorância dos senadores em assuntos náuticos, incapazes de compreender questões singelas como, por exemplo, a diferença entre a numeração regulamentar dos botes salva-vidas e a ordem de arriamento.

12/06/1912
Suspenso o resgate de corpos.

03/07/1912
Encerrado o inquérito britânico, cujo maior cuidado é inocentar a White Star Line, o Capitão Edward Smith e o Board of Trade. O Capitão Stanley Lord, do Californian, é considerado o maior culpado pela tragédia. Lorde Mersey não percebeu, ou não quis perceber, que a lastimável omissão do comandante do Californian atuou sobre um efeito produzido por outrem. A condição necessária do naufrágio é o iceberg, sem o qual não ocorreria, mas sua causa principal passa ao longe do infortunado capitão, que ao agravar aquele efeito se identifica como causa meramente acessória, à semelhança dos oficiais Henry Wilde, William Murdoch e Charles Lightoller, que podendo salvar até 1.178 pessoas nos botes, salvaram apenas 705. De resto, entre o Californian e o Titanic havia uma barreira de gelo. Os culpados têm outros nomes.

2 comentários:

toh disse...

que esse dia 15 de abril seja lenbrado por o restou dos nossos dias hum dia tao tristi que eremos lenbrar por toda minha vida...
(15/04/2011

pmr10 disse...

Se o Titanic fosse português, a culpa era do iceberg e não se falava mais nisso.