quinta-feira, março 30, 2006

TAYLEUR – UM EXEMPLO

Em meados do século XIX, estava em pleno desenvolvimento o fluxo imigratório para a Austrália. A White Star Line, que acabava de ser fundada em 1845 por John Pilkington e Henry Wilson, tinha sede no cais de Liverpool e tinha se integrado no tráfego de passageiros, além do já consolidado tráfego de mercadorias. Em 1845, a jovem companhia de navegação decidiu estabelecer-se com um navio que fosse capaz de desenvolver o máximo de velocidade permitido pelos conhecimentos tecnológicos da época e que, portanto, pudesse realizar o serviço para os imigrantes em período mais curto. A escolha foi o Tayleur, um navio de ferro de 1.997 toneladas, de propulsão à vela.
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Chegado o emocionante momento da viagem inaugural, na quinta-feira de 18 de janeiro de 1854, o Tayleur zarpou de Liverpool rumo a Melbourne sob o comando de John Noble. As previsões eram boas depois do primeiro dia de navegação, no entanto o vento mudou de direção e no segundo dia o barco avançou em velocidade reduzida, muito abaixo dos 2 nós. Pouco depois de meia-noite de sábado, as condições meteorológicas pioraram de repente e começou a soprar um forte vento com tempestade no mar. O barco navegava em meio a dificuldades cada vez maiores, aproximando-se perigosamente da costa. Era necessário evitar que o vento empurrasse o navio contra as rochas da ilha de Lambay, a 12 milhas ao norte de Dublin, motivo pelo qual o capitão Noble deu uma série de ordens com o objetivo de ganhar maior espaço para manobras. Em desespero, deu-se conta de que o navio não respondia às ordens e de que não era possível virá-lo pela parte da popa e direcioná-lo para a costa contrária. Tomado pelo pânico, tentou outra manobra, alçando ao mesmo tempo a vela de trinquete e a da mezena, mas o Tayleur, como que atraído por uma calamidade, se dirigia inexoravelmente para os escolhos.
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Numa tentativa de refrear aquela corrida suicida, o capitão ordenou lançar a âncora de bombordo, mas esta solução também falhou: a corrente não conseguiu suportar o enorme esforço a que era submetida e estourou com um grande estrondo. Pouco depois, o mesmo destino arrebatou a corrente da âncora de estibordo, e os pobres coitados que estavam a bordo viram como se esgotava a última maneira possível de conter aquela corrida louca e como o navio se dirigia de costas contra as rochas da ilha de Lambay. Além dos 75 homens da tripulação, encontravam-se a bordo pouco mais de 500 passageiros, cuja maioria viajava na terceira classe e apenas 16 estavam nos camarotes. Puxado contra as rochas e fustigado pelas violentas rajadas de vento, o barco não conseguia mais resistir. Naquele inferno, não era possível buscar saída nas lanchas de salvamento, deixadas em seus suportes. Um cabo foi lançado à praia e, por meio desse improvisado e precário teleférico, iniciaram-se as operações de abandono do navio. Faltavam apenas poucos minutos para o navio quebrar-se devido às pancadas de ondas terríveis, que nele batiam com sinistro estrondo. Graças ao frágil cabo, 230 pessoas conseguiram chegar à praia, ao passo que para 349 pessoas não houve nenhuma possibilidade de salvar suas vidas.
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O Tayleur afundou depois de as ondas e escolhos terem aberto seu ventre de ferro. Por que ocorreu um naufrágio – desse modo? Orgulho da White Star Line, por que este navio, alugado pela Charles Moore & Co., e considerado o mais veloz, não agüentou mais que dois dias de navegação, terminando em tragédia a viagem inaugural que deveria consagrá-lo como o mais rápido meio de transporte para se chegar à Austrália? Pelos diferentes depoimentos obtidos pela comissão de investigação após o terrível desastre, concluiu-se que a responsabilidade do que havia ocorrido deveria ser atribuída aos armadores, e não à negligência do capitão e da tripulação. Na verdade, o navio não se virava para a popa de maneira adequada, mas não foram feitos testes no mar antes da primeira viagem, nos quais ficaria evidente que o veleiro não respondia ao timão. O dado que mais impressionou a opinião pública e os juízes da investigação oficial foi saber que quase metade dos passageiros era composta por mulheres e crianças, que morreram praticamente em sua totalidade. Desses, salvaram-se apenas duas mulheres e uma criança. Por outro lado, era quase impossível que uma mulher ou uma criança pudesse resistir àquelas condições: com as mãos desprotegidas e dependuradas em uma corda que se estendia para a costa. A partir daquele momento, as autoridades responsáveis pelo controle do tráfego marítimo estabeleceram como obrigatoriedade que os barcos, depois de prontos, realizassem testes no mar antes de iniciar a navegação. Por infelicidade, foi necessária semelhante tragédia.

6 comentários:

Renan disse...

Teria sido um "aviso" para a White Star???

Renan disse...

acho que a White Star já estava com seu "trágico" destino traçado

lorenna disse...

OI...
PARABÉNS MAIS UMA VEZ PELO POST BRILHANTE...
VOCÊ VAI A FUNDO NAS PESQUISAS...
BOA SEXTA FEIRA...
BEIJOS

jesse disse...

nossa, muito interessante essa historia, nao conhecia....
bem legal mesmo, parece que foi um aviso de como seria as coisas a partir dali

Mario disse...

concordo com o jesse, mas nem assim a White Star aprendeu.

Gisele disse...

A WSL era obeccada com velocidade hein?? Queria bater todos os recordes! Q porcaria hein? mas conseguiu!Bateu todos os recordes em desastres com vidas humanas..Lamentável.