domingo, julho 27, 2008

TRECHO DO LIVRO RESGATEM O TITANIC

Sempre me pedem informações de livros, nesta semana houve assuntos sobre o livro de Clive Cussler – Resgatem o Titanic. Aqui no Blog já coloquei informações sobre esse livro e um vídeo do filme baseado no livro. Segue um trecho bem legal do livro, é quando o RMS Titanic é resgatado e volta para a superfície.

(...) Está bem, Spencer, inicie a contagem. Spencer iniciou a contagem.
- Trinta segundos... quinze segundos... cinco segundos... atenção ao sinal... tope.
Então, sem hesitar, iniciou a contagem seguinte:
- Oito segundos... quatro segundos... atenção ao sinal... tope.
Todos se juntaram em torno dos monitores de TV e do operador do sonar, agora seus únicos contatos com o fundo. A primeira explosão mal causou um tremor nos conveses do Capricorn, e o som lhes chegou aos ouvidos como se fosse o de um longínquo trovão. A nuvem de ansiedade podia ser cortada com uma espada. Todos os olhares estavam fixos nos monitores em frente, nas trêmulas linhas que distorciam as imagens quando as cargas detonavam. Tensos, fatigados, paralisados com o olhar de expectativa de homens que temiam o pior mas esperavam pelo melhor, eles permaneciam ali, imóveis, enquanto Spencer, monotonamente, fazia as contagens.
Os estremecimentos do convés foram-se tornando mais pronunciados à medida que as ondas de choque se sucediam e quebravam na superfície do mar. Então, abruptamente, os monitores todos se agitaram num caleidoscópio de luzes que se desfaziam, e apagaram.
- Raios - murmurou Sandecker. - Foi-se a imagem.
- O impacto deve ter produzido o desligamento do relé - conjeturou Gunn.
Suas atenções se voltaram rapidamente para a operação do sonar, mas poucos podiam avistá-lo: o operador estava tão colado a ele, que sua cabeça obscurecia o vidro. Finalmente, Spencer se aprumou. Suspirou profundamente, puxou um lenço do bolso da calça e passou-o pelo rosto e o pescoço.
- Terminaram as indicações dele - falou, rouco. – Não há mais nada.
- Permanece estacionário - disse o operador de sonar. - O grande T está ainda parado.
- Vamos lá, meu velho! - implorou Giordino. - Levante essa bunda.
- Ó Deus, ó Deus - resmungou Drummer. - A sucção continua prendendo-o ao fundo.
- Venha, desgraçado. - Sandecker se uniu aos apelos. - Iça. .. iça.
Se fosse possível à força da mente fazer com que 46.328 toneladas de aço se desprendessem da cova onde estavam assentadas há setenta e seis longos anos e voltassem à luz do sol, aqueles homens reunidos em torno do sonar o teriam conseguido. Mas o dia não estava para fenômenos para psicológicos. O Titanic permanecia teimosamente agarrado ao fundo do mar.
- Que falta de sorte danada - disse Farquar.
Drummer cobriu o rosto com as mãos, virou-se e saiu da sala, desatinado.
- Woodson, do Sappho ll, pede permissão para descer e dar uma olhada - disse CurIy.
Pitt deu de ombros.
- Permissão concedida.
Vagarosamente fatigado, o Almirante Sandecker mergulhou numa cadeira.
- Que fracasso dispendioso!
O sabor amargo da desesperança encheu a sala trazido pela feia sensação de derrota total.
- E agora? - perguntou Giordino, olhando sem interesse para o convés.
- O que viemos fazer aqui - respondeu Pitt, com voz cansada. - Continuaremos com a operação de salvamento. Recomeçaremos amanhã a...
- Ele se moveu!
Ninguém reagiu imediatamente.
- Ele se moveu - repetiu o operador do sonar. Sua voz estava trêmula.
- Você tem certeza? - murmurou Sandecker.
- Aposto minha cabeça.
Spencer estava atordoado demais para que pudesse falar. Podia somente fitar o mostrador do sonar com uma incredulidade abjeta. Então, seus lábios começaram a mover-se.
- Os choques conseqüentes! - disse ele. - Os choques conseqüentes causaram uma reação retardada.
- Subindo! - gritou o operador de sonar, batendo com os punhos nos braços da cadeira. - O grande senhor largou-se do fundo. Está vindo para cima. (...)

(...) De início, ninguém foi capaz de mover-se. O momento pelo qual tinham rezado, pelo qual haviam lutado durante oito longos meses, eis que lhe chega de uma forma tortuosa e, de um certo modo, não podiam acreditar que isso estivesse realmente acontecendo. Então, a novidade se fez sentir e todos começaram a gritar ao mesmo tempo, como um grupo de engenheiros espaciais de controle de uma missão, no momento da largada de um foguete.
- Vá, nenê, vá! - gritou Sandecker, alegre como um colegial.
- Ande, preguiçoso! - gritou Giordino. - Ande, vamos!
- Continue vindo, continue, velho palácio flutuante, grande, bonito e enferrujado - murmurou Spencer.
De repente, Pitt correu para o rádio e agarrou com força o ombro de Curly.
- Depressa, entre em contato com Woodson, no Sappho 11. Diga-lhe que o Titanic está subindo e que ele fuja rápido da frente antes que seja atropelado.
Continua ainda rumo à superfície - disse o operador do sonar. - A velocidade de ascensão está acelerando. (...)

(...) Gunn pegou o fone da ponte.
- Sonar, aqui fala da ponte.
- Sonar.
- Poderia fornecer a posição aproximada em que ele aparecerá?
- Ele sairá da água a cerca de quinhentos e cinqüenta metros pela alheta de bombordo.
- Hora?
Houve uma pausa.
- Hora? - repetiu Gunn.
- Agora é cedo demais para o senhor, Comandante?
Nesse instante exatamente, uma imensa onda de borbulhas se espalhou pelo mar e a popa do Titanic rompeu a superfície, ao sol da tarde como uma baleia gigante. Por uns momentos parecia que ele não parava mais de subir... sua popa continuava a avançar para o céu até que a parte acima d'água chegou à altura da casa das caldeiras, ou seja, onde antes se encontrava a chaminé número dois. Era uma visão alarmante; o ar interior passando através das válvulas de escape lançavam grandes torrentes de água em forma de chuveiro que envolviam o grande navio em ondas luminosas de nuvens de vapor. Ele permaneceu suspenso em equilíbrio por algum tempo, tentando agarrar-se ao céu azul cristal, e então, vagarosamente a princípio, começou a ajeitar-se até que sua quilha bateu na água com um tremendo choque que fez enviar ondas de três metros de altura contra os navios em volta. Inclinou-se, então, parecendo não querer recobrar-se. Mil espectadores prenderam a respiração quando ele se inclinou ainda mais para boreste, trinta, quarenta, quarenta e cinco, cinqüenta graus, e aí parou por um tempo que pareceu uma eternidade; todos estavam mais ou menos convencidos de que ele iria virar completamente. Mas então, o Titanic, numa lentidão agonizante, começou a lutar para endireitar-se. Gradualmente, metro por metro, o casco terminou por atingir a inclinação de doze graus para boreste... e aí permaneceu.
Ninguém podia falar. Ficaram todos ali, parados, muito atordoados, hipnotizados por tudo o que tinham visto, incapazes de qualquer ação além de respirarem. A face curtida de Sandecker estava pálida como a de um fantasma, mesmo ali, debaixo de um sol brilhante. (...)

Resgatem o Titanic – Cliver Cussler – Editora Record – 2ª Edição – 1980 – Páginas 226 a 231.



Outros post aqui no Blog sobre o assunto, caso haja interesse, segue os links:
Link 1:


7 comentários:

Ricardo disse...

o.O ufaaaaaa cansei, mas valeu a pena
D+ Capitão
tenho esse livro e como vc disse num post, o livro é melhor do q o filme, agora essa parte é show no flme, adrenalina a 1000 "são tantas emoções" hehehehe!!!

o/

gabriel disse...

também cansei, mas eh massa o texto
parabens Aleeee ^^

Daniel disse...

mto massa capitao, parece ser um bom livro, gostei desta parte aqui, prendi a respiração :)

...uma imensa onda de borbulhas se espalhou pelo mar e a popa do Titanic rompeu a superfície, ao sol da tarde como uma baleia gigante. Por uns momentos parecia que ele não parava mais de subir... sua popa continuava a avançar para o céu até que a parte acima d'água chegou à altura da casa das caldeiras, ou seja, onde antes se encontrava a chaminé número dois... ele permaneceu suspenso em equilíbrio por algum tempo, tentando agarrar-se ao céu azul cristal, e então, vagarosamente a princípio, começou a ajeitar-se até que sua quilha bateu na água com um tremendo choque que fez enviar ondas de três metros de altura contra os navios em volta. Inclinou-se, então, parecendo não querer recobrar-se... ele se inclinou ainda mais para boreste, trinta, quarenta, quarenta e cinco, cinqüenta graus, e aí parou por um tempo que pareceu uma eternidade; todos estavam mais ou menos convencidos de que ele iria virar completamente. Mas então, o Titanic, numa lentidão agonizante, começou a lutar para endireitar-se. Gradualmente, metro por metro, o casco terminou por atingir a inclinação de doze graus para boreste... e aí permaneceu...

parabenssssssssss!!!!

\o/

João Carlos disse...

eu to lendo ele, to gostando, mto bom
GRANDE abç capitão
seu blog eh 1000 ;) :D

Mário disse...

desculpe estar desaparecido o meu blog está em perfil automatico nao tenho estado ca esses dias

Kleber disse...

Este livro é um dos melhores que já li.... já li umas 3 vezes....
quando ele foi escrito ainda não tinham descoberto os destroços, por isso que ele faz uma alusão a resgatar o titanic e este sair flutuando pelo mar depois de alguns reparos.
valeu Capitão...

Central da Imprensa disse...

Um novo livro está sendo lançado, desta vez por um autor brasileiro, mas o mais legal é também
é na versão audiobook. Ouvi um trecho no site do livro http://www.otitanic.com.br e achei espetacular. É verdadeiramente a história do Titanic em áudio português.