quinta-feira, fevereiro 16, 2006

FALTA DE PREPARO?

Isolados no fundo do navio e em muitos casos sem entender o inglês, os passageiros menos abonados ficaram à mercê da sorte, enquanto no convés as mulheres e os filhos dos ricos e famosos embarcavam ao som da orquestra, que não parou de tocar até o último momento. A barreira da língua foi causa de pânico para Karla Petersen (não encontrei o nome na relação dos sobreviventes), uma jovem imigrante dinamarquesa de 19 anos, que viu o pai e o irmão se afogarem diante seus olhos. “Eu não entendia nada do que era dito nos corredores ou nos alto falantes”. Quando cheguei ao convés e ouvi “mulheres e crianças primeiro”, num idioma que reconheci, corri para o último dos botes, em meio à balbúrdia que se instaurou. Só percebi o impacto da catástrofe quando fui resgatada. “Ruth Becker Blanchard, que tinha 13 anos na data, lembra que os funcionários da White Star Line diziam que havia um problema a ser consertado e por isso os passageiros estavam sendo obrigados a desembarcar, momentaneamente”. “As pessoas nos conveses esperaram até o último minuto antes de se atirarem na água”, recorda-se. Ela mesma se perdeu da família ao buscar cobertores, mas acabou sendo embarcada em outro bote. Edwina Mackenzie, então com 27 anos, também se recorda da desinformação que tomou conta dos corredores. “Enquanto uns diziam que não era nada e o melhor era retomar a cama, outros pediam que rezássemos e corrêssemos para os botes.” A dinamarquesa Karla Petersen logo percebeu o engodo ao notar os mastros inclinados. “Não podia ser uma simulação de acidente, como nos informaram”, relembra. O horror das cerca de 700 pessoas dentro dos botes não terminaria no momento do embarque: os gritos de desespero dos que ficaram a bordo e se jogavam ao mar aumentavam o desespero geral. Eva Hart, então uma menina de sete anos - ela morreu em 1996, com 91 anos de idade, nunca conseguiu esquecer os gritos dos afogados. “É um som horrível. Como estava escuro, não conseguíamos ver nada, mas ouvíamos as pessoas se afogando. O barulho do Titanic afundando era ensurdecedor.” Depois, o horror tomou forma do silêncio sepulcral quando o navio terminara de ser tragado pelas águas negras e os que estavam na água aos poucos agonizavam de frio, sem voz para gritar.

2 comentários:

Mário disse...

Já sabe que a minha especialidade no Titanic é essa lista de passageiros que nunca terá um fim. O nome Karla Petersen não se encontra em nenhuma das listas de passageiros, o que poderá acontecer é essa sobrevivente ter se casado entretanto, e na altura da entrevista ou do livro ela ter dado o seu nome com o apelido do marido. Isso tem acontecido muito. O mesmo se aplica a Edwina MacKenzie. Existiam Petersen's no Titanic, mas nenhuma relação vinculada a alguma Karla. Outra teoria é a dos periódicos da época que se davam ao prazer de passar informações erradas ou mesmo inventarem histórias só para venderem um pouco mais pelo bom nome do Titanic ou até destruirem a reputação da White Star Line pelas companhias rivais, ou algum jornalista que não conseguiu uma matéria a fim de publicar no dia. Se fosse uma falecida ainda se poderia pensar duas vezes, mas sobrevivente fica difícil... Bom post.

lorenna disse...

Oi Alencar...
Tudo bem com você?
Espero que sim...
Impressionante...Dar informações erradas para os passageiros da 3° classe...Muito injusto...
E triste...
Excelente post...
beijos