quarta-feira, abril 15, 2009

HÁ 97 ANOS NO DIA 15/04/1912


0h:00min
Ismay conversa com o engenheiro Bell. Os problemas são sérios, diz o técnico, mas as bombas de esgoto vão manter a flutuação. Boxhall desce outra vez. Na sala do correio, já com meio metro de água, os agentes ainda tentam salvar a correspondência.

0h:05min
Andrews retoma com informações desoladoras. Os quatro primeiros compartimentos de colisão estão inundados, forçando a proa para baixo. Em breve a água ultrapassará a quarta antepara, passando ao quinto compartimento, e assim sucessivamente. O navio não foi construído para enfrentar danos de tal magnitude e o naufrágio ocorrerá em uma hora e meia, talvez duas. O capitão manda que os botes sejam descobertos e os passageiros convocados às áreas superiores externas, todos com coletes salva-vidas.

0h:10min
No Californian, o Terceiro Oficial Charles Groves, tenta contatar pela lâmpada Morse com o navio imóvel e iluminado. Não obtêm resposta. O Capitão Lord pede ao Segundo Oficial Herbert Stone, que observe. Ele ainda acha que não é o Titanic, mas um cargueiro. A maioria das caldeiras foi fechada e nuvens de vapor manam das válvulas de segurança no corpo das chaminés, exaurindo a pressão resultante da parada dos motores. O barulho é tamanho que dificulta a comunicação entre as pessoas no convés dos barcos. As caldeiras distantes da proa continuam em funcionamento, sob o comando do engenheiro Bell, para que acionem as bombas de esgoto e alimentem os geradores, assegurando energia para a iluminação e o serviço telegráfico.

0h:15min
O mecânico Ernest Gill que espairece na coberta do Californian, observa as luzes do navio parado. Ele julga que é um vapor alemão de passageiros, em viagem para Nova York. Na Sala Marconi, perplexos, os telegrafistas acabam de ouvir o capitão ordenar pedido de socorro a todos os navios. Os dedos nervosos de Phillips acionam o manipulador. O primeiro a responder é o alemão Frankfurt, do Norddeutscher Lloyd: está na escuta e logo chamará de volta. O La Provence, da Compagnie Generale Transatlantique, e o Mount Temple, da Canadian Pacific, copiam a mensagem, também ouvida na estação Marconi de Cape Race. A bordo, os passageiros circulam como sonâmbulos, e tal atmosfera de irrealidade se adensa quando, por ordem do capitão, o conjunto de Wallace Hartley começa a tocar peças do ragtime na sala de estar da Primeira Classe, entre elas “Alexander’s Ragtime Band” e “Great Big Beautiful Doll”. Mais tarde, vai transferir-se para o convés dos barcos, tocando junto à porta de bombordo da grande escadaria da proa.

0h:17min
Nova mensagem do Titanic a todos os navios

0h:18min
O código de emergência é ouvido pelo Ypiranga, da Hamburg-Amerika Linie. O Frankfurt comunica que se encontra a 283km.


0h:20min
Andrews é um altruísta, não é em vão que, dos oficiais aos carvoeiros, todos os tripulantes o estimam, e sendo o construtor do navio, mais aguda se torna sua angústia. Andrews pede que Etches o acompanhe ao convés C e confira cabine por cabine, avisando que os coletes salva-vidas se encontram na prateleira superior do roupeiro. Etches desce e no caminho vê o comissário McElroy em sua sala, cercado de homens e mulheres. São passageiros da Primeira Classe em busca de jóias e valores em depósito.

0h:25min
No Carpathia, da Cunard, navegando de Nova York para Gibraltar e comandado pelo Capitão Arthur Rostron, o telegrafista Harold Cottam, ainda ignora o que aconteceu com o Titanic, e antes de desligar o aparelho e ir dormir, resolve alertá-lo que copiou mensagens de Cape Race. Nos minutos seguintes outros navios chamarão, mas, à exceção do Mount Temple, a 90km, estão distantes: o Birma, da Russian East Asiatic, 130km, o Virginian, da Allan Line, 315km, e o Baltic, da White Star Line, a 450km. O Titanic apresenta forte inclinação para frente e para bombordo, mas os passageiros, simplesmente, negam o que seus olhos vêem. Se nem Deus consegue afundar este navio, por que um magote de gelo sujo o conseguiria? O Capitão Smith ordena finalmente: todos, sem precipitação, preparem-se para abandonar o navio. Primeiramente, mulheres e crianças. O embarque de estibordo começa a ser coordenado por Murdoch, o de bombordo, por Lightoller.

0h:26min
Boxhall deixa sobre a mesa de Phillips um papel com a nova posição calculada do Titanic.

0h:30min
No convés C, os comissários McElroy e Barker ainda atendem ansiosos passageiros que exigem a devolução do que guardaram. Mais uma vez, o Californian tenta em vão contatar pela lâmpada Morse com o navio parado. No Mount Temple, de Antuérpia para Nova York, o Capitão Moore ordena que o navio, em sua velocidade máxima de 11,5 nós siga na direção do Titanic.

0h:34min
Phillips faz contato com o Olympic, comandado pelo Capitão Haddock, a 926km de distância. O Capitão Haddock desvia o curso, mas para chegar à zona do naufrágio precisa navegar 23 horas. O Carpathia está a 91km de distância. Sua velocidade de cruzeiro é de 14,5 nós. O Capitão Rostron manda imprimir pressão total às caldeiras. A calefação é desligada, para que todo o vapor produzido se destine aos motores, e o velho navio agora avança à velocidade jamais experimentada de 17,5 nós. Contudo, não espera alcançar o Titanic antes das quatro horas da manhã.

0h:40min
Murdoch e Lightoller organizam o embarque na penumbra, sob a supervisão de Wilde. Não é permitido que os homens se aproximem. Os emigrantes compreendem, finalmente, que precisam abandonar as cabines e os pertences: a água avança. Quando começam a subir, encontram as portas dos conveses superiores fechadas e vigiadas por tripulantes que só permitem a passagem das raras mulheres e crianças que se apresentam. Aos homens, é assegurado que está vindo uma embarcação para socorrê-los.

0h:45min
Murdoch, auxiliado por McElroy, Ismay e Pitman, arria de estibordo o Standard 7 com apenas 28 pessoas (16 homens e 12 mulheres = 03 tripulantes e 25 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do vigia Hogg. Phillips, por sugestão de Bride, emprega pela primeira vez o novo código SOS. As luzes do navio desconhecido ainda promovem esperanças, e os timoneiros Rowe e Bright, orientados por Boxhall, iniciam o lançamento dos foguetes de sinalização, oito ao todo, com intervalos de aproximadamente cinco minutos. Os foguetes sobem a mais de 24m e explodem em 12 estrelas brancas. No Californian, tripulantes observam foguetes, e o aprendiz de oficial James Gibson, informa o Capitão Lord. Vistos à distância, não se elevam a grande altura e não produzem nenhum som. O capitão conclui que são fogos festivos. Outro tripulante os confunde com estrelas cadentes.

0h:50min
Em seu alojamento, o Capitão Lord comunica-se pelo tubo com o Segundo Oficial Stone, na sala de navegação. Quer saber se o navio iluminado está mais perto. O outro informa que não e acrescenta que o mesmo está lançando foguetes, mas não responde à lâmpada e agora já se afasta. O capitão vai dormir.

0h:52min
O mecânico Gill, no Californian, viu os primeiros foguetes e desconfia de que o navio tem problemas. Como é apenas um trabalhador da casa de máquinas, não lhe corresponde fazer observações marítimas e menos ainda comunicá-las ao capitão, guarda para si a suspeita.


0h:53min
Lowe e Pitman tratam do embarque no Standard 5. A operação é demorada, os tripulantes não têm familiaridade com os turcos e Ismay atrapalha com ordens absurdas. Lowe perde a paciência e o interpela: - Quer que eu lance o barco mais depressa? Quer que afogue a todos? Se parar de me infernizar posso fazer o que precisa ser feito. O dono do navio não retruca e se afasta. Murdoch ordena que Pitman assuma o comando do Standard 5.

0h:55min
Lightoller arria de bombordo o Standard 6, com 27 pessoas (03 homens e 24 mulheres = 02 tripulantes, 24 passageiros da Primeira Classe e um da Terceira Classe), sob o comando do timoneiro Hichens. O bote desce e, sete metros abaixo, na altura do convés C, Hichens grita, reclamando que precisa de um navegador. O Major Peuchen adianta-se e revela a Lightoller sua condição de iatista. O oficial, aferrado ao propósito de embarcar apenas mulheres, crianças e remadores, resmunga que se Peuchen é de fato um homem do mar, deve agarrar um cabo e descer por ele. Os 52 anos do major não se intimidam. Ele se pendura e desliza até o bote. É o seu 28º ocupante. Murdoch e Lowe arriam de estibordo o Standard 5 com 39 pessoas (15 homens, 23 mulheres e uma criança = 03 tripulantes e 36 passageiros da Primeira Classe), sob o comando de Pitman.

1h:00min
Lightoller manda o marujo Samuel Hemming, trazer as lanternas de emergência, ainda guardadas. Tardia providência, três botes já foram lançados sem luz e outros ainda o serão, antes que as lanternas apareçam. Na proa, a água cobre a inscrição com o nome do navio. Phillips envia nova mensagem ao Olympic, indicando a posição e frisando que o navio bateu no gelo. A banda continua tocando. Murdoch e Lowe arriam de estibordo o Standard 3, com 48 pessoas (23 homens, 24 mulheres e uma criança = 10 tripulantes e 38 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do marujo Moore. Sir Cosmo Duff Gordon encosta em Murdoch e, referindo-se ao Cúter 1, pergunta se pode tomá-lo com sua esposa, o oficial autoriza. Wilde organiza embarque no Standard 8, auxiliado por Gracie. Isidor Strauss traz a esposa, Rosalie. No último instante, da retrocede, não quer tomar o bote, sem seu marido Isidor, que recusa embarcar antes dos outros homens, o coronel e outros não conseguem persuadi-la.

1h:10min
Arriado o Cúter 1, com apenas 12 pessoas onde cabem 40 (10 homens e duas mulheres = 07 tripulantes e 05 passageiros da Primeira Classe). A operação é na área de Murdoch, mas quem a procede são tripulantes que, ato contínuo, pulam para o bote, provavelmente em decorrência de entendimento prévio com Sir Cosmo. O comando é do vigia Symons. Wilde arria de bombordo o Standard 8 com 39 pessoas (04 homens e 35 mulheres = 04 tripulantes e 35 passageiros da Primeira Classe), sob o comando do marujo Thomas Jones. O mar desborda a sexta antepara. A terceira sala das caldeiras, no meio do navio, está inundada. Alguns fornalheiros fugiram, um pequeno grupo ficou para trás e é alcançado pela água. Wilde já se ocupa do Standard 10. Com o navio adernando para bombordo, o bote pendurado afasta-se mais de meio metro do convés.

1h:15min
Pronuncia-se a inclinação do navio para bombordo. Indignado, Andrews exige dos oficiais que os botes sejam arriados com lotação completa. Murdoch manda que o Standard 9 seja carregado no convés A, cujas aberturas, nesta seção, não dispõem de telas.

1h:17min
Phillips renova o pedido de socorro a todos os navios.

1h:20min
Phillips repete sem cessar a mensagem de CQD. O navio, agora, aderna para o outro lado, mas em minutos tornará a pender para bombordo: com a água a irromper por todos os caminhos dos conveses inferiores. As portas do convés dos barcos que dão para as escadarias foram fechadas para evitar que a invasão dos passageiros da Terceira Classe venha a tumultuar o embarque. Tripulantes controlam a multidão, permitindo tão-só a passagem das mulheres e crianças que se apresentam. Wilde arria de bombordo o Standard 10 com 54 pessoas (07 homens, 42 mulheres e 05 crianças = 05 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do marujo Edward Buley. Murdoch arria de estibordo o Standard 9, com 56 pessoas (16 homens, 38 mulheres e duas crianças = 08 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do contramestre Haines.

1h:25min
Wilde, auxiliado por Grade, arria de bombordo o Standard 12 com 42 pessoas (03 homens, 37 mulheres e duas crianças = dois tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do marujo Frederick Clench. Enquanto o bote desce, o 43º passageiro: é o britânico Gus Cohen, da Terceira, que pula do convés, tombando sobre a também britânica Lutie Parrish, da Segunda, e ferindo-lhe o tórax e a perna. Arriado por Murdoch do convés A de estibordo o Standard 11, com 70 pessoas (12 homens, 51 mulheres e 07 crianças = 09 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do timoneiro Sidney Humphreys. Lightoller arria de bombordo o Standard 14 com 63 pessoas (11 homens, 41 mulheres e 11 crianças = 08 tripulantes e, em maioria, passageiros da Segunda Classe), sob o comando do Oficial Lowe.

1h:30min
Benjamin Guggenheim retoma à cabine para trocar de roupa e se prepara para afundar como cavalheiro. Os passageiros da Terceira Classe forçam a porta de uma das escadarias, invadindo o convés dos barcos. Entre eles, inúmeras mulheres e crianças. Os homens portam punhais, facas, porretes, e lutam com a tripulação para abrir caminho. Segundo o Dr. Dodge, que ainda está a bordo, alguns são mortos a tiros. Em meio ao tumulto, o Capitão Smith é visto caminhando no convés A em estado de choque, ignorando o que acontece à sua volta.

1h:31min
Do Titanic para o Olympic: Casa de máquinas inundada.

1h:33min
No mar, os botes se distanciam lentamente do Titanic para evitar a sucção do afundamento. No Cúter 1, o Money Boat, lançado há meia hora, os tripulantes perdem o senso de direção: remam diretamente para um grupo de luzes até perceber que são as do navio que afunda.

1h:35min
Murdoch arria do convés A de estibordo o Standard 13, com 64 pessoas (21 homens, 35 mulheres e 08 crianças = 06 tripulantes e, em maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do fornalheiro-chefe Barrett. Trinta segundos após o lançamento do 13, Murdoch arria do convés de estibordo o Standard 15, com 70 pessoas (29 homens, 35 mulheres e 06 crianças = 05 tripulantes e, em sua maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do fornalheiro Frank Dymond. Enquanto Rowe lança o oitavo e último foguete, Lightoller, auxiliado por Moody, arria de bombordo o Standard 16, com 56 pessoas (06 homens, 45 mulheres e 05 crianças = 06 tripulantes e, em sua maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do mestre-de-armas Joseph Bailey. Gritos no convés de bombordo, é Wilde defendendo o Cúter 2. A estibordo, tiros: é Murdoch, já menos complacente, a impedir que um grupo de homens ocupe o Dobrável C.

1h:37min
Do Baltic para o Titanic: Estamos correndo em sua direção.


1h:40min
Wilde arria de estibordo o Dobrável C, com 69 pessoas (17 homens, 38 mulheres e 14 crianças = 05 tripulantes e, em maioria, passageiros da Terceira Classe), sob o comando do timoneiro Rowe. A descida é acidentada. Aderna tanto o navio para bombordo que o bote roça várias vezes no costado, correndo o risco de ter as bordas de lona rasgadas pelas cabeças dos rebites. Os homens, manejando os remos contra o casco, conseguem mantê-lo afastado. Do Titanic para o Birma: Afundando rapidamente. Passageiros nos botes.

1h:45min
Wilde arria de bombordo o Cúter 2, com 25 pessoas (06 homens, 15 mulheres e 04 crianças = 04 tripulantes e, em maioria, passageiros retardatários da Primeira Classe), sob o comando de Boxhall, que porta alguns foguetes de sinalização. Do Titanic para o Carpathia, última mensagem que este copia: Venha logo. Sala de máquinas inundada acima das caldeiras.

1h:47min
O Caronia ouve o Titanic, mas os sinais são fracos, indecifráveis.

1h:48min
O Asian tenta retomar contato, igualmente sem resultado.

1h:50min
Lightoller trabalha no retardado carregamento do Standard 4. Astor auxilia Madeleine e, observando que há lugares vagos, pergunta se pode acompanhar a esposa grávida, o acesso a ele é negado.

1h:55min
Lightoller, finalmente, arria de bombordo o barco atrasado, o Standard 4, com 40 pessoas (07 homens, 26 mulheres e 07 crianças = 07 tripulantes e, em esmagadora maioria, passageiros da Primeira Classe), sob o comando do timoneiro Walter Perkis. Sobram 25 lugares neste barco reservado para a elite e nem um só é oferecido às 56 crianças da Terceira Classe que vão morrer em meia-hora.

2h:00min
Os navios Olympic, Frankfurt e Baltic chamam o Titanic. Sem resposta. A banda toca hinos, toca também Nearer, my God, to thee (Mais perto de ti, Senhor), composição de Sarah Flower Adams em 1841, que Wallace Hartley costuma dizer que reserva para seu funeral. No convés A, Lightoller instrui os subordinados a formarem um círculo com os braços dados, para que apenas mulheres e crianças embarquem no Dobrável D, já pendurado nos turcos do Cúter 2.

2h:05min
O naufrágio pode ocorrer a qualquer momento. Toda a sorte de objetos desliza na direção da proa. Dos salões, das cabines, das cozinhas, sobem aos conveses superiores o estalejar de louça, vidros, metais, e as detonações do mobiliário ao chocar-se contra as paredes de vante, atribuindo uma cadência apocalíptica ao estridor das válvulas de segurança. Arriado do convés A de bombordo o Dobrável D com 44 pessoas (07 homens, 33 mulheres e 04 crianças = 03 tripulantes e, em maioria, passageiros da Primeira Classe), sob o comando de Arthur Bright. É o último de bombordo e leva os meninos Edmond e Michel Navratil, de dois e três anos, que foram raptados pelo pai, em litígio com a mãe, e viajam com nomes falsos. Andrews é visto sozinho na sala dos fumantes da Primeira Classe, sentado, imóvel. Com o colete abandonado sobre a mesa, espera placidamente a morte, assumindo uma culpa que, afinal, é muito menos dele do que de outros.

2h:10min
O castelo da proa está submerso e a água ultrapassa a guarda de vante do convés A. Na cobertura do alojamento dos oficiais, os tripulantes, afobados, não conseguem retirar a lona que protege os dobráveis A e B, fixada por cordas, que serão cortadas com um canivete. Na Sala Marconi, o capitão libera os telegrafistas. Segurando-se onde pode para não escorregar no piso inclinado, vai à sala de navegação. Phillips envia a última mensagem, ouvida só pelo Virginian e com sinais tão débeis que não são decifrados. A banda toca Autumn.

2h:15min
A banda já parou de tocar. Murdoch, segundo Lightoller, manda pendurar o Dobrável A, já arriado de cima do alojamento do capitão, nos turcos do Cúter 1. A água transpõe a guarda da asa de bombordo da ponte e já alcança as primeiras janelas da sala de navegação. O capitão é visto nas imediações, mas Bride vai testemunhar que, na verdade, ele já pulou para o mar. O navio balança-se para frente, provocando ondas que se dissipam no convés dos barcos. Um dos oficiais suicida-se com um tiro na têmpora, ocorrência que três pessoas vão relatar. Lightoller e tripulantes, sobre o alojamento dos oficiais, empurram o Dobrável B por uma rampa feita com remos. O bote cai emborcado no convés de bombordo. É tarde. A proa mergulha e uma imensa onda invade o convés dos barcos. Lightoller pula e cai no costado do navio, junto a uma grade de entrada de ar da casa de máquinas. Pulam Phillips e Bride.

2h:17min
A água penetra velozmente pela grade da entrada de ar do costado, sugando Lightoller, que submerge com a proa. Logo é devolvido à superfície pela energia da explosão de uma caldeira. Ele nada e, à luz das estrelas, encontra o Dobrável B: é o primeiro passageiro do bote emborcado e parcialmente submerso. Em seguida, terá a companhia do ajudante de cozinha Collins, que dá com o bote ao vir à tona. A obliqüidade do navio, com a popa erguida, quebra a primeira chaminé, que ao tombar mata dezenas de pessoas que flutuam. Outro que escapa e pela segunda vez é Lightoller, a chaminé cai muito perto do Dobrável B. O Dobrável A é alcançado por 22 homens e 2 mulheres. Lightoller e Collins tentam desvirar o Dobrável B, sem sucesso. Logo serão 30 homens, espremidos sobre o fundo do bote.

2h:18min
As luzes do navio piscam uma vez e se apagam. Agora o Titanic é uma ingente massa negra e compacta contra o céu estrelado. Já não o será: com ruídos ensurdecedores, resultantes do deslocamento de toda a tralha de aço arrancada de suas bases, parte-se em dois pedaços, entre a terceira e a quarta chaminés.

2h:20min
Com um rugido monstruoso, a popa começa a mergulhar. As ondas sacodem os botes mais próximos. Aquele prodígio sobre as águas, insígnia da opulência eduardiana, não existe mais, e a deformada carcaça de uma era de esplendor viaja para seu túmulo, num ângulo de 30° e à espantosa velocidade de 75km horários, a 1.600 km da cidade em que Ismay queria aportar na terça-feira.


2h:25min
Mensagem do Birma para o Frankfurt, reportando que se encontra a 127km da zona do naufrágio. No Californian, tripulantes notam que o navio ao longe desapareceu. Concluem que, após uma parada, seguiu viagem.

2h:40min
O telegrafista do Mount Temple informa o Capitão Moore que há quase uma hora o Titanic não se manifesta. No Carpathia, Rostron determina o lançamento de foguetes de sinalização a cada 15 minutos, para prevenir o Titanic ou eventuais náufragos de sua aproximação. Dos 20 botes, apenas quatro ou cinco têm lanternas. Nos demais, os sobreviventes queimam pedaços de papel para indicar a posição e alertar algum navio nas imediações.

2h:45min
O Carpathia encontra vários icebergs e um oficial adverte o Capitão Rostron, que mantêm a mesma velocidade.

3h:00min
O Mount Temple, que vem do leste, depara-se com gelo pesado e diminui a marcha. No Standard 6, Hichens atormenta os passageiros. Em horário impreciso, entre 3 e 4h, as mulheres, lideradas por Margaret Brown, amotinam-se contra Hichens e ameaçam jogá-lo ao mar. O timoneiro enrola-se num cobertor e limita-se a praguejar em voz baixa. Lowe, no Standard 14, assume o comando da operação de salvamento, e faz com que se unam, amarrados, o Dobrável D e os standard 04, 10 e 12. Decidido a retomar em busca de sobreviventes, transfere para outros botes a maior parte dos passageiros que ocupam o seu. Após reunir oito homens, Lowe parte em direção ao resgate de sobreviventes.

3h:05min
Na sala de navegação do Mount Temple, o Capitão Moore vê a luz do mastro de um pequeno navio a pouco mais de um quilômetro à proa e é obrigado a manobrar para não abalroá-lo. A embarcação vem da região do naufrágio. O pesqueiro norueguês Samson, quem sabe?

3h15min
Do Carpathia para o Titanic: Se você continua aí: estamos lançando foguetes.

3h20min
A tripulação do Califomian vê novos foguetes ao sul. Outra festa, como aquela das primeiras horas da madrugada? Em meio a centenas de cadáveres, Lowe descobre quatro pessoas vivas, equilibrando-se sobre destroços que sobrenadam.

3h:25min
Os foguetes são vistos pelos náufragos nos botes. Cottam chama insistentemente o Titanic. O Baltic telegrafa ao Virginian, perguntando pelo Titanic. O Mount Temple pára, cercado de gelo, a 25krn da suposta zona do naufrágio.


3h:30min
O Carpathia chega à área reportada por Phillips e não encontra nada. Nem navio, nem destroços, nem botes.

3h:48min
Do Birma, supondo que o Titanic ainda está na escuta: A toda velocidade em sua direção. Chegaremos por volta das seis horas. Esperamos que estejam bem. Apenas 91 km nos separam.

3h:50min
O Ypiranga avisa a todos os navios que há muito tempo não ouve o Titanic, mas Cottam, no Carpathia, ainda o chama.

4h:00min
O Capitão Rostron manda desligar os motores, à espera. Seus oficiais, apreensivos, perscrutam o mar em todas as direções. No outro lado de um vasto campo de gelo, a tripulação do Californian vê um vapor na região em que, no começo da noite, observou o navio iluminado. O navio Carpathia também já é visto pelos náufragos, inclusive os do Dobrável B, a grande distância.

4h:05min
Um oficial do Carpathia, na proa, percebe no mar uma luz verde. São os foguetes de Boxhall no Cúter 2. O bote se aproxima vagarosamente. Começa a clarear o dia.


4h:10min
O navio manobra para facilitar e o Cúter 2 encosta abaixo da portaló de estibordo. Traz várias crianças. São arriadas escadas. O trabalho de resgate é lento, laborioso, dificultado pelos náufragos: alguns em pranto convulso, outros em estado de choque ou de histeria, além daqueles que se movem com estranhas pausas, calados, sombrios. O bote vazio é pendurado no costado. Em seguida virão os outros, que se distribuem numa área de aproximadamente 8km².

4h:18min
Do La Provence para o Celtic: Há mais de duas horas ninguém ouve o Titanic.

4h:30min
O Mount Temple tenta avançar e se imobiliza diante do mesmo campo de gelo que bloqueou o Californian.

4h:40min
Um segundo bote, o Cúter 1, é recolhido pelo Carpathia.

4h:45min
Recolhido o Standard 5 e, em seguida, o 13. Com intervalos variáveis e em horários imprecisos, vão chegando os demais.

4h:50min
O Mount Temple continua parado no meio do gelo.

4h:55min
Birma e Frankfurt trocam mensagens.

5h:00min
Encrespa-se o mar e aumentam as dificuldades do bote emborcado. A cada vez que é sacudido por uma onda, escapa um pouco de ar de seu interior e a proa afunda mais. Os homens continuam a trocar de posição, mas já estão muito cansados.

5h:10min
O Californian liga seus motores para deixar o campo de gelo. O lugar está cercado de grandes icebergs, esplendoroso panorama a contrastar com a magnitude da tragédia. Dependendo da direção em que lhes bate o sol nascente, suas cores mudam, são brancos, azuis e em tons que oscilam entre violeta e cinza escuro. Move-se também o Mount Temple. Recolhido o Standard 7.

5h:14min
O Birma avisa que se encontra a pouco mais de 50km do Titanic.

5h:25min
O Celtic tenta enviar mensagem ao Titanic através do Caronia, que responde: não há contato.

5h:30min
No Californian, o Chefe dos Oficiais Stewart desperta o telegrafista Evans e, comentando que um navio lançou foguetes durante a noite, aconselha-o a ligar o aparelho. Ele o faz com uma chamada geral, que de imediato é respondida pelo Frankfurt, que reporta que o Titanic naufragou. Evans, nervoso, pede a posição do Titanic. No Dobrável B, Lightoller sopra seu apito e chama a atenção dos botes amarrados, o Dobrável D - rebocado pelo 14 de Lowe, pois está fazendo água - e os standard 04, 10 e 12, a 800m de distância. Lowe manda que o 04 e o 12 voltem e recolham os sobreviventes. Antes do amanhecer, o 12 estará sobrecarregado com 70 pessoas transferidas de outros botes. O Dobrável B, vazio, também é rebocado por Lowe. No Dobrável A, sem as bordas e com o fundo sob a superfície, os náufragos, eretos - entre eles uma mulher, têm o mar nos joelhos. O bote vai afundar. Lowe parte em seu socorro e, antes da abordagem, dispara quatro tiros de alerta: ninguém deve se precipitar sobre o 14, sob pena de emborcá-lo. Três corpos são abandonados no bote, que fica à deriva.

5h:35min
Troca de mensagens entre o Californian e o Mount Temple, que lhe indica a suposta posição do Titanic, como pouco antes o fizera o Virginian. Com o mar apinhado de blocos de gelo, Lord ordena que o navio siga à meia força para a zona reportada.

6h:00min
O Mount Temple vê o Carpathia no outro lado do campo de gelo. Neste, prossegue o resgate dos botes e, da amurada, os passageiros da Cunard os fotografam. Recolhido o Standard 3. Em Nova York, são quase oito horas e já circulam os jornais matutinos com enormes manchetes, como o Herald's: O NOVO TITANIC BATE EM ICEBERG E PEDE AJUDA. NAVIOS CORREM EM SUA DIREÇÃO. Os jornalistas esperam um comunicado do escritório local da WSL. O Vice-Presidente Philip Franklin, desconhecendo que o navio está perdido, declara à imprensa que, mesmo batendo no gelo, ele pode flutuar indefinidamente. E acrescenta: - Nós temos absoluta confiança no Titanic. Estamos certos de que é insubmergível.

6h:15min
Troca de mensagens entre o Californian e o Birma.

6h:30min
Recolhido o Dobrável Cm Ismay esta a bordo. O médico o conduz à sua própria cabine, e durante o resto da viagem Ismay não vai abandoná-la. Não come, não bebe, exceto água com calmantes, e receberá mais tarde uma única visita, a do jovem Jack Thayer.

6h:55min
Recolhidos dez botes. Os passageiros do Carpathia colo¬cam suas cabines à disposição dos náufragos.

7h:10min
O Californian pede ao Mount Temple sua posição. Os navios estão à vista um do outro, a oeste do campo gelado, mas o cargueiro da Leyland Line está mais próximo da zona do naufrágio. Ambos procuram passagens em meio ao gelo.

7h:30min
Em Nova York, já na metade da manhã, acorrem ao escritório da WSL, ansiosos por notícias, familiares e amigos das vítimas, como a esposa de Benjamin Guggenheim, o pai de Madeleine Astor e J. P. Morgan Jr., além de centenas de pessoas desconhecidas. Todos são recebidos com notícias tranqüilizadoras: não há motivo algum para preocupação, o Titanic não afunda, e na remota eventualidade de afundar, é certo que isto só lhe acontecerá após flutuar dois ou três dias. À tarde, aparecerá nas ruas um banner do Evening Sun: TODOS SALVOS NO TITANIC APÓS A COLISÃO.

7h:55min
À meia força, o Califomian começa a cruzar o campo de gelo.


8h:15min
Os náufragos estão a salvo no Carpathia, exceto os do Standard 12. No resgate do 6, minutos antes, a tripulação não queria aceitar a bordo o cão de Elizabeth Rothschild, mas teve de ceder, a mulher só se dispunha a subir se o animal a acompanhasse. No convés, corpos de pessoas que morreram durante a madrugada. Os cirurgiões, na enfermaria, assistem os sobreviventes.

8h:20min
A tripulação do Californian murmura contra o Capitão Lord, por não ter mandado despertar o telegrafista quando soube dos foguetes.

8h:30min
Chega o Californian, afinal, e já não há o que fazer. O Capitão Lord vê no mar pedaços de tábuas brancas, cadeiras de convés, almofadas, tapetes e coletes. Aos poucos, aproximam-se outros navios, entre eles o Birma. Recolhido o Standard 12, encerrado o trabalho de resgate. Lightoller é o último a subir no Carpathia. O navio se movimenta. Em rápida busca às imediações, encontra apenas o corpo de um homem com um sobretudo, que deriva lentamente para o sul. O Major Peuchen estranha, pois, vivos ou mortos, todos deveriam flutuar. Ao mesmo tempo, vê na superfície grande quantidade de cortiça: o tecido dos coletes não resistiu à baixa temperatura da água.

8h:35min
O Mount Temple ouve o Carpathia reportar que recolheu 20 botes (na verdade são 19 botes, pois o Dobrável A, abandonado no mar, será encontrado dias depois pelo Oceanic). Quando o navio passa pela área dos destroços, procede-se a um serviço religioso, tributado àqueles que já não vivem.

8h:50min
Começa a viagem para Nova York.

8h:50min
Nas horas seguintes, um comitê dos sobreviventes recolherá milhares de dólares para doar ao Capitão Rostron e seus subordinados.

9h:05min
O Mount Temple retoma seu curso original, após ouvir do Carpathia que já não precisa permanecer à escura.

9h:50min
Cottam, que agora tem a companhia de Bride no aparelho, passa a ignorar as mensagens que tratam do acidente, alegadamente por ordem do capitão, que manda priorizar as notícias dos náufragos às suas famílias. Notícias que, misteriosamente, só chegarão dias depois.

12h:10min
O Frankfurt chega à zona do naufrágio.

16h:00min
Em horário impreciso, no meio da tarde, mensagem de Ismay para Philip Franklin, em Nova York: Com profundo pesar comunico que Titanic naufragou nesta manhã, após colisão com iceberg, do que resultou severa perda de vidas. Informações completas mais tarde. Outro mistério: a mensagem não é enviada de imediato, ainda que autorizada pelo Capitão Rostron, e só o será na quarta-feira, dia 17, sendo recebida no mesmo dia por Franklin, às 9h da manhã.

18h:16min (horário de Nova York)
Recebida pela WSL norte-americana a primeira mensagem que dá conta do que realmente aconteceu. Vem do Capitão Haddock, do Olympic. Enviada bem mais cedo pelo comandante do Olympic, demorou para chegar, mas jamais se descobrirá se o atraso foi intencional, relacionado com as manobras de ressegurar a carga.

22h:30min (horário de Nova York)
Comenta-se que a White Star Line já dispõe de uma lista parcial de sobreviventes.

23h:55min (horário do navio)
Morre a bordo do Carpathia o marujo William Lyons, que fora retirado da água pelo Standard 4. Sepultado no mar.

9 comentários:

Raphael disse...

Parabéns por postar o dia 15 por completo. =)
Acho que esse foi o post maior do seu blog ate hj, kkkkk

Taylor Moreira Silva disse...

Acompanhei a leitura desde o início, coisa q nao estaou acostumado a fazer, quando vejo q um determinado blog postou algum texto, nunca leio tudo, sempre "passo os olhos" sobre os pontos principais. Mas esse texto foi arrebatador!!! Emocionate nao cabe para o que eu quero dizer, pois foi alem de emoção. Sou bastante emotivo, e confesso q senti profunda tristeza lendo o texto e acompanhando passo a passo, os momentos trágicos do naufrágio. Lendo e imaginando as cenas, fiquei pasmo com os acontecimentos, tão bem relatados e resumidos!
Se hoje, 97 anos depois, ainda parece ser inaceitável que o TITANIC tenha naufragado, imagino como foi para essas pessoas ligadas a WSL, bem como amigos e familiares dos passageiros, aceitar tamanha catástrofe... Como um navio feito para nao afundar, afundou?!??!?!.... Tão contraditório... Tão inesperado.
Parabéns Alencar! Conseguiu com sucesso, relatar os momentos finais do TITANIC; O titanicmomentos tem se tornado ponto de referência, quando se fala do Titanic.
Um Abraço!

Luiz Felipe disse...

um lindo texto de uma tragedia, rico em detalhes

ontem durante o chat estava lendo e ate copiando parte durante madrugada adentro

ficou massa capitão

=D

Jeff disse...

um dia que nunca podemos esquecer
abração Alê!!!

Mário disse...

é desolador só de pensar...

Anônimo disse...

um grande texto para uma grande desgraça.
parabens.
este dia tem de ser recurdado.

Lorena Franco M Silva disse...

Muito triste mesmo , apesar que são muitas as pessoas que dizem : De novo esse filme na tv ? Mais eu não me canso de ver o Titanic .
É uma tristeza imensa que muitos se foram , por culpa de uma só pessoa que pronunciou que nem mesmo Deus afundaria aquele transatlantico !! Mais Deus lhe deu a prova vivíssima que ele existe . Foi na década de 10 , e hj estamos em pleno século 21 , cem anos depois ... E essa história bastante triste sera passada pra todos que ainda virão nesse mundo !!
Esse texto é mesmo incrível , uma viagem emocionante !!
Parabéns pela dedicação .

Tais Camargo disse...

Caraca!!A Roselie existiu mesmo, só que era casada, mais mesmo assim ela desistiu de sair do navio, igual ao filme, mais por razoes diferentes...muito massa essa historia, queria muito estar no na navio, e ser salva, é claro! aushuahsuha

Anônimo disse...

muito massa