sábado, novembro 05, 2005

O PRECEDENTE DO OLYMPIC

A experiência anterior não fora suficiente para fazer compreender as dificuldades enfrentadas para a navegação de um navio capaz de deslocar 66.000 toneladas em um espaço restrito como era o canal de um porto. Em 20 de setembro de 1911, tendo já efetuado quatro travessias do Atlântico, o Olympic zarpou de Southampton com destino aos Estados Unidos. Dirigiam as manobras da ponte de comando os mesmos marinheiros que depois estariam presentes no Titanic: o capitão Smith e o oficial de rota Bowyer. Ao sair do porto, o transatlântico gêmeo do Titanic cruzou com o navio de guerra HMS Hawke, sob o comando do capitão William Frederick Blunt. Nas proximidades do banco de Bramble, o navio militar passou a cerca de cinqüenta metros de distância do Olympic, mais ou menos a altura do convés do navio de linha, que naquele momento estava aumentando a velocidade. Inesperadamente, a proa do Hawke se desviou para a esquerda, apontando para o flanco de estibordo do Olympic. Construído segundo cânones já ultrapassados, o Hawke era armado com um esporão de proa de aço recoberto com cimento. Mais de 7.000 toneladas de ferro bateram contra o transatlântico a cerca de vinte metros da popa, provocando duas frestas, uma aberta pelo esporão sob a linha de frota e a outra, de cerca de quatro metros de largura e dois metros de altura, produzida pela proa na obra morta do Olympic. O gigantesco navio girou trinta graus para a direita e, embora dois compartimentos de popa fossem inundados, não chegou a afundar, graças aos tabiques estanques. A parte posterior direita foi danificada nas lâminas que recobriam a caixa da hélice, no motor e nas três pás de bronze. O Hawke, por sua vez, perdeu 2,5 metros de esporão e foi danificado na proa. Os dois barcos conseguiram voltar por si próprios ao porto. Sir Rufus Isaacs, conselheiro da Coroa, foi o representante do Almirantado no juízo que seguiu à colisão. Dentre os especialistas chamados para depor figurava D.W. Taylor, perito em construção naval da Marinha dos Estados Unidos, que explicou que o choque havia sido causado pela força de refluxo produzida pelo grande transatlântico devido ao seu enorme volume, ao passar perto do pequeno cruzeiro.

2 comentários:

LORENNA disse...

Oi Alencar...Muito interessante essa reportagem...Obrigada por sempre passar no meu flog...
BEIJOS
UM BOM FINAL DE SEMANA
LORENNA

jesse disse...

yes sir